quinta-feira, 9 de setembro de 2010

INTERNET NA TOMADA


Aneel aprova acesso à web por meio da rede elétrica
Que tal usar a tomada da sua casa como ponto de rede para acesso à internet? Isso passará a ser realidade no Brasil, em pouco tempo, graças ao PLC (do inglês, Power Line Communications), um novo sistema, com regulamento já aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que permitirá essa comodidade (e economia) aos internautas.

No PLC, as tomadas residenciais precisam apenas estar conectadas a um modem para permitir o acesso à internet. A Aneel garante que o emprego da tecnologia vai permitir novos usos para as redes de distribuição de energia elétrica, sem que haja necessidade de expansão ou adequação da infraestrutura já existente. E o melhor: a economia deve representar uma redução de custos para os consumidores.

Segundo Johnson Cruz, analista de hardware, já existem cidades no Rio Grande do Sul que dispõem da nova tecnologia desde abril. “A grande vantagem do PLC é que dará acesso a 95% das cidades brasileiras, que representam o universo das pessoas que têm acesso à energia elétrica”, explica.

Em relação a custos, Johnson esclarece que o modem é um equipamento pequeno com baixo consumo de energia. “O PLC será implantado em uma infraestrutura já existente, que é a rede elétrica. Por isso será barato. Outra vantagem é a velocidade, já que serão 200 megabites por segundo, muito mais rápido.”

Tecnologia conhecida
O analista de hardware lembra que essa não é uma tecnologia nova. “Ela vem sendo testada desde 95 e quem teve a ideia foi o analista Paul Brown, da empresa Norweb, em 91, em Manchester, na Inglaterra. Mas muitas pessoas foram contra porque a rede elétrica tem muita oscilação, principalmente de frequência. Mas os testes realizados provaram que era viável”, comenta.

Johnson explica que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) já vem levando em consideração a utilização de um filtro que será utilizado contra as possíveis oscilações. “A preocupação são os ferros elétricos, liquidificadores e chuveiros elétricos, que podem causar interferências. Daí a ideia do filtro.”

Para quem acha que a novidade pode vir a comprometer a qualidade do fornecimento de energia elétrica, a agência já deixou claro que esse é um pré-requisito para sua implantação. Ficou estabelecido que, havendo necessidade de investimento na rede, o custo será de responsabilidade da empresa de telecomunicações. As redes também poderão ser utilizadas para levar televisão por assinatura aos consumidores.

O acesso à internet banda larga por meio da rede elétrica já tinha sido aprovado pelo conselho diretor da Anatel e foi submetido à consulta pública pela Aneel por 90 dias. Tendo energia elétrica em casa, será possível ter o acesso, não havendo necessidade de o usuário ter linha telefônica.

Segundo o regulamento aprovado este mês, as concessionárias de energia deverão criar uma empresa subsidiária para ofertar o serviço. A Aneel também prevê que as receitas obtidas pelas concessionárias de energia com o aluguel dos fios para as empresas de internet serão revertidas para a redução de tarifas de eletricidade.

Economia para o consumidor
A resolução da Aneel determina que parte da receita extra das concessionárias com esse serviço seja destinada à modicidade tarifária. Além disso, ao representar mais uma opção de acesso à internet, aumenta-se a competição com as formas existentes (3G, WAP, por cabo, DSL, discada, etc.), o que pode contribuir para queda no preço do serviço.

A Diretoria Colegiada da Aneel explica que a fatura do serviço de transmissão de dados não será cobrada junto com a fatura de energia elétrica. O motivo é que, embora seja utilizado o mesmo meio físico (as redes de distribuição de energia elétrica), a tecnologia permite o uso independente dos serviços e, portanto, a prestação dos serviços deve ser faturada separadamente.

O custo do serviço de transmissão de dados, segundo a agência, será definido entre a prestadora do serviço e o consumidor. Da mesma forma, o valor a ser pago pelo uso da rede de distribuição será acertado entre a distribuidora de energia elétrica e a interessada na prestação do serviço. Por essa razão, não é possível estimar a receita futura que as distribuidoras poderão obter com o uso de sua rede na prestação do serviço de transmissão de dados e acesso à internet.

A Aneel ressalta que fiscalizará a qualidade da energia elétrica. De acordo com a agência, a implantação e exploração do PLC não poderão afetar a qualidade do fornecimento de energia elétrica para os consumidores. Para isso, utilizará os procedimentos de fiscalização adotados no dia a dia.

A diretoria da Aneel acrescenta que a utilização da rede elétrica para acesso à internet vai permitir significativos avanços ao País, com estímulo à inclusão digital, pois 95% da população têm acesso à eletricidade por meio de 63 concessionárias e 24 cooperativas, que levam energia a 63,9 milhões de unidades consumidoras.

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