terça-feira, 22 de setembro de 2015

É possível amar duas pessoas ao mesmo tempo?


                                                                   Foto: Shutterstock

Saiba o que fazer se estiver nessa situação.
A resposta é um claro “sim”, diz Ramani Durvasula, psicóloga clínica e professora de psicologia na UCLA, nos Estados Unidos. “Nós acreditamos que o amor só possui um sabor, mas a verdade é que ele pode ser tão diverso quanto uma sorveteria.” Em outras palavras, morango e chocolate são diferentes, mas ambos são deliciosos. Ah, se o amor fosse tão simples quanto o sorvete.
Como os triângulos amorosos acontecem
“Nós somos seres complicados e complexos, e é bem possível que as características de duas pessoas diferentes possam nos atrair,” diz Durvasula. Conforme você cresce e se desenvolve como indivíduo, você pode acabar se sentindo atraído por pessoas que complementam aspectos diferentes de quem você é.
“A atração é uma experiência muito biológica,” diz Durvasula. Você pode estar em um relacionamento sério e conhecer alguém no trabalho que vai mexer com os seus hormônios. Ou você pode estar saindo casualmente e descobrir que duas pessoas com as quais você esteve se relacionando o atraem.
Aquele turbilhão de sentimentos indescritíveis que as pessoas costumam classificar como “estar apaixonado” é o equivalente biológico a um aumento nos níveis de dopamina, diz Durvasula. (Dopamina é um neurotransmissor conectado ao centro de recompensa e prazer do cérebro — por isso, um pico pode fazer com que você sinta naturalmente dopado.) Mesmo dias depois, lembrar de um beijo incrível, pode causar a liberação de dopamina no cérebro, e antes de se dar conta, você está perdidamente apaixonado. Embora ser monogâmico e estar em um relacionamento sério seja uma escolha consciente e lógica, esta montanha-russa de hormônios (e quem vai causá-la em você) é algo totalmente físico — e fora do seu controle.
Também há uma circunstância na qual você tem uma maior probabilidade de se apaixonar por mais de uma pessoa: quando você está apaixonado por si mesmo.
“Quando você está passando por uma mudança positiva — desde um novo emprego até uma transformação física — e está feliz consigo mesmo, você fica mais aberto a novas experiências e pessoas,“ diz Durvasula. Quanto mais você se conhece e gosta de si mesmo, maiores serão as chances de que você descubra e celebre outras pessoas pelo que elas são. Ou seja, quanto mais você se apaixona por si mesmo, mais irá se apaixonar pelos outros, ela diz.
Você ama duas pessoas: e agora?
Sentir-se dividido entre duas pessoas pode ser confuso e emocionalmente exaustivo — mas também pode ser divertido.
Continuar a explorar os dois interesses amorosos deve ser uma opção válida, se todos os envolvidos estiverem de acordo, diz Durvasula. “Relacionamentos poligâmicos e abertos estão em alta, mas é preciso ser transparente.” Interessado em explorar algo assim? Estas regras para relacionamentos abertos podem guiá-lo no labirinto de conversas e limites envolvidos.
É claro que nem todos estão dispostos a manter um relacionamento não tradicional, diz Durvasula. Se você quer se comprometer com uma pessoa — ou uma das pessoas que você ama quer que você se comprometa — não há problema. Mas como fazer isso?
“Por mais terrível que pareça este conselho, faça uma lista de prós e contras,” sugere Durvasula. E seja completamente honesto consigo mesmo ao escrevê-la. Algo para ter em mente enquanto você trabalha na sua lista: “Nós nos apegamos à paixão e à adrenalina de estar apaixonado, mas o amor companheiro vence no final”. Pense assim: quem não vai se importar em jogar fora os papéis onde você assoar o nariz quando estiver doente? De quem você ainda vai gostar quando tiver 90 anos e a chama da paixão estiver apagada?
Se precisar, faça uma pausa em ambos os relacionamentos. "Faça uma viagem,” diz Durvasula. “Faça o que você precisar fazer para se afastar e se retirar da situação”. Um pouco de espaço pode ajudar a ver as coisas sob uma perspectiva diferente.
Mas como você pode REALMENTE saber quem é a pessoa certa para você?
Infelizmente, você não pode. Não há uma fórmula matemática para escolher com quem você quer se comprometer. A realidade é que ambas as pessoas podem ser ótimas e se transformar em excelentes parceiros, diz Durvasula. Mas mesmo quando alguém está muito dividido, costuma ter a sensação de que dará a um dos dois uma pequena vantagem. Siga esta intuição, diz Durvasula. É normal ficar em dúvida e pensando no que poderia ter acontecido se a escolha fosse outra? Com certeza. Mas quando você tomar uma decisão, mantenha-se fiel a ela. Quando você escolher um parceiro, afaste-se do outro e dê a este novo relacionamento uma verdadeira chance de sucesso. Celebre os aspectos desta pessoa que o fizeram optar por ficar com ela.
"A melhor coisa que você pode fazer nesta situação, é aprender a cultivar amor por você mesmo,” diz Durvasula. Isso vai ajudá-lo a ter mais consciência das características que você valoriza em um parceiro e, no final das contas, vai tornar a sua decisão, um pouco mais fácil.

 

domingo, 30 de agosto de 2015

Prostituição, mercado do prazer e da sobrevivência

 
PROFISSÃO: PROSTITUTA
Fator econômico tem sido o responsável por levar homens, mulheres e travestis para a prostituição
Construir uma carreira profissional, enriquecer o curriculum com ótimas referências e estar bem financeiramente são objetivos de vida a serem conquistados por muitas pessoas. Trabalhar nas ruas não é um sonho e muito menos uma projeção de vida, porém, por motivos diversos, muitos acabam tendendo para esse caminho. A falta de oportunidade no mercado de trabalho tem sido um dos principais fatores que levam homens, mulheres e travestis à prostituição. 
Apesar das dificuldades de viver nessas condições devido ao contato muito próximo com drogas, violência, preconceito da sociedade e o riscos de contrair doenças sexualmente transmissíveis (DST), para alguns, vender o corpo por dinheiro tem sido uma alternativa de arcar com despesas pessoais e uma maneira de “solucionar problemas” cotidianos.
Xica da Silva é uma dessas pessoas que encontrou nas ruas uma maneira de ganhar dinheiro. Ela começou no mundo da prostituição aos 12 anos de idade, incentivada por amigas. Segundo ela, no início era apenas uma “brincadeira”, mas com o passar do tempo a atividade se tornou profissão e seu ganha pão, passando a ser a única alternativa para arcar com despesas em casa. “Eu passava por muitas necessidades financeiras com minha família, mas nunca tinha pensado em ir para as ruas e ser garota de programa”. 
Mesmo formada em um curso técnico de auxiliar administrativa e com experiência profissional comprovada como operadora de caixa em supermercado, aos 23 anos, a prostituição é a forma de trabalho com a qual ela obteve maior retorno financeiro. 
“As empresas não respeitam nosso estilo de vida. Acham que por eu ser travesti não tenho capacidade em desenvolver nenhuma atividade. Todos que estão na rua hoje, só queriam uma oportunidade de crescer dentro de uma empresa”, diz ela, relatando conversas que já teve com colegas de profissão.
A jovem contou, em entrevista exclusiva ao Circuito Mato Grosso, que costuma fazer programas na Avenida Fernando Correia da Costa, uma das mais movimentas de Cuiabá e, no Zero, em Várzea Grande. “Eu ganho R$ 1,5 mil por noite, depende do movimento. Geralmente é bem corrido durante o dia, então é dessa forma que pago minhas contas e mantenho o orçamento em dia”.
A profissional do sexo revelou, com detalhes, o perfil de clientes que atende no Zero. “São comerciantes, empresários e advogados, muitos deles casados. Eles me procuram porque querem algo diferente do casamento. Geralmente os encontros acontecem em motéis próximos ao local de encontro, durante o horário do almoço e final de tarde”.
Xica explica que seu estilo de vida é complicado e não aconselha a ninguém. “Tem que ter pulso firme e encarrar humilhações, pois elas acontecem todos os dias. Eu já fui agredida e apedrejada diversas vezes nas ruas” e explicando ainda, que é preciso muita coragem para encarar, todos os dias, diversos tipos de clientes e situações. 
Ela pontua ainda que só entra “nessa vida” quem realmente não consegue encontrar outra saída, - não que ela não exista - ou forma de receber um salário digno.  A prostituição acaba se tornando a única opção. 
Cenário de escândalos sexuais, a região do Zero Km, próxima ao Aeroporto de Várzea Grande, é conhecida pelo predomínio do sexo fácil e consumo de drogas, dia e noite. No local é possível encontrar jovens de diversas faixas etárias fazendo programas. Alguns também vendem e usam entorpecentes no local.
Tiffany decidiu mudar de sexo com 16 anos quando de fato se assumiu num corpo de mulher. Na busca pela independência financeira, a jovem optou trabalhar como garota de programa.  “Faço programa em Várzea Grande usando roupas curtas durante a semana, mas tenho vergonha e receio de um dia amigos e familiares me encontrarem aqui, nesta situação”. 
Ela pretende um dia, após ter condições financeiras, construir uma carreira profissional. “Eu digo a eles que trabalho fazendo freelance em um salão de beleza”. A trans tem outros planos para sua vida, porém esta tem sido sua única saída. “Quero poder fazer uma faculdade e deixar de me prostituir, tenho fé que um dia tudo irá melhorar. Isso não é vida para ninguém”, diz esperançosa. 
Ao lado de Tiffany, no Zero, Júlia, conta que encontrou na prostituição uma maneira de poder quitar suas despesas , ao ver que estava passando por necessidades em casa e com uma filha de cinco anos para criar. 
Um levantamento da Secretaria de Saúde de Cuiabá aponta que houve aumento de 8% no número de novos casos de pacientes soropositivos na capital. De janeiro a junho de 2013, foram contabilizados 124 novos casos. No mesmo período deste ano, o número subiu para 134.
O risco em contrair uma doença sexualmente transmissível (DST) é grande e é temida por muitos profissionais do sexo. Esse é um medo que infelizmente faz parte da profissão. Para o recém-graduado em ciência da computação George Global, 26, isso é uma consequência do que eles precisam enfrentar. “Pensamos mais no dinheiro do que na nossa própria saúde. Quem está nessa luta precisa se cuidar, tenho vários amigos que contraíram HIV por tranzarem sem camisinha para satisfazerem caprichos de clientes”.
Global conta que a cada seis meses costuma fazer exame de sangue. “São várias pessoas durante o dia e não sabemos quem está infectado. É uma questão de sorte. Eu sempre costumo usar preservativo, mas quando o cliente não quer, é sempre um problema: é tudo ou nada”.
O jovem também costuma frequentar o Posto Zero, durante a semana e atender clientes a domicílio. “Conquistei muita gente e estou nessa vida desde os 14 anos. Profissionalmente estou há pouco tempo. Gosto do que faço”.
George ressalta que fatura aproximadamente R$ 2 mil por semana e está perto de realizar o sonho que é fazer cirurgia de mudança de sexo. “O custo é muito caro, e trabalhar como programador de computador não é o suficiente. Essa foi uma segunda alternativa na qual estou até hoje”.
O médico ginecologista Danilo Zanirato refaz o alerta, já costumeiro, de que pessoas que fazem programas estão dentro do grupo de maior risco em contrair doenças sexualmente transmissíveis, por conta da quantidade de relações sexuais e, em muitos casos, pela falta do uso de preservativo.
“Entre as doenças mais comuns estão a AIDS, Hepatite B e C, sífilis e a gonorreia”, pondera. Ele explica ainda a importância de usar camisinha. “Sabemos que é um dos métodos mais seguros que existe. Muitas vezes, as DST’s não apresentam sintomas e são doenças silenciosas. Elas podem se manifestar por meio de feridas, corrimentos, bolhas ou pequenas verrugas”, reforça.
NECESSIDADE X ESCOLHA 
Ao contrário dos relatos citados nesta reportagem, há também quem opte pela vida de prostituição. Os motivadores vão desde o próprio sexo, recursos para aquisição de produtos, roupas e até pagamento de cursos universitários. Daí nasce também o mercado de luxo do sexo, com garotas e garotos de programa que cobram valores muito mais altos que o “padrão” ou, ainda, recebem outros tipos de benefícios, como o denominado “apadrinhamento”, quando, normalmente, um homem de meia idade e rico passa a bancar o seu “apadrinhado”.
Para Melisa Bueno (nome fictício), de 27 anos, ser acompanhante de luxo é uma profissão que trouxe melhorias na qualidade de vida. Viagens para o exterior, carro importado e uma casa nova mobiliada em um bairro de classe alta em Cuiabá. Tudo conquistado com dinheiro de “apadrinhamento”. “Tenho meus clientes fixos e outros que saio por diversão. Todos eles são casados e donos de grandes empresas conhecidas aqui no mercado. Não me arrependo de nada e ainda quero poder conquistar muito mais”. 
Melisa afirma que começou muito tarde na profissão e diz se arrepender do “tempo perdido”. “Se eu tivesse entrado nessa vida mais cedo, com certeza teria muito mais. Além dos benefícios próprios, ajudo a minha família. Consigo ganhar de R$ 3 a R$ 5 mil em uma noite e eles pagam sem reclamar”.
Já Bruna Concha (nome fictício), disse que não está mais satisfeita com essa vida. Durante entrevista para esta reportagem, mesmo com seu número divulgado em classificados de jornais, ela conta que deixou de ser acompanhante de luxo há dois anos. “Chega um momento em que você conquista tudo na vida, menos respeito de amigos, da família e do cara com quem você está saindo. A gente é humilhada, somos tratadas de qualquer jeito”. 
Em sete anos sendo acompanhante de luxo, Bruna disse que pôde trocar de carro e quitar seu apartamento. “Enquanto eu estava nessa profissão foi mil e uma maravilhas, eu achava que era feliz na escolha, só que me enganei. Agora tenho outros planos para minha vida e projetos profissionais, como ser esteticista e massoterapeuta”, afirma. 
A vida do estudante de biologia, Matheus Andarélio, 21, saiu do controle quando decidiu assumir sua homossexualidade para a família aos 16 anos. “Eu pensei que iriam me aceitar, até que me agrediram dentro de casa”. 
De família de classe média alta, Matheus confessa que decidiu fazer programa dentro da faculdade, depois que sua família deixou de ajudá-lo financeiramente, como forma de suprir suas necessidades.
“Tudo que eu compro e lugares que eu frequento vem do dinheiro de programas. Não considero ainda como profissão, porém é o que está me satisfazendo no momento. Só não sei até onde vou conseguir ir. Por enquanto estou curtindo”, brinca.
Matheus não revela quem são seus clientes, mas afirma que não precisa sair de dentro da Universidade para conseguir marcar os programas e que nunca frequentou lugares como o Zero. 
Cenário nacional 
A fim de minimizar as consequências enfrentadas pelos profissionais do sexo, o Parlamentar Jean Wyllys (PSOL) propôs a regularização da atividade através do Projeto de Lei nº 4211|2012, intitulado “Gabriela Leite”, em homenagem a uma prostituta que lutou pelo movimento, mas morreu em 2013, vítima de câncer.  Wyllys é a favor de que cada pessoa tenha liberdade e faça o que achar melhor com o seu corpo, mesmo que a exploração sexual seja caracterizada como crime pelo Código Penal Brasileiro e seja passível de cadeia. 
Políticas públicas em Mato Grosso
De acordo com a secretaria de Estado e Justiça de Direitos Humanos (Sejud/MT), não existe nenhum programa social voltado para “profissionais do sexo” devido à baixa procura e desinteresse da classe. Entretanto, a assessoria afirmou que o movimento GLBT’s (Gays, Lésbicas, Bissexuais, Transexuais e Simpatizantes), tem total apoio do órgão no que tange seus direitos constitucionais.

Comportamento
De acordo com a psicóloga Estelita Magalhães, quem opta por este caminho, precisa estar ciente das dificuldades que irá enfrentar nas ruas. A especialista frisa que esta escolha não está ligada somente ao fator econômico, e sim à forma de “resolver” problemas pessoais. 
“A pessoa que escolhe se prostituir precisa estar ciente dos desafios. O preconceito, a violência e o contato com as drogas são portas de entrada para uma vida cheia de conflitos emocionais”, pondera. 
Estelita ressalta que sair das ruas não é tão fácil quanto entrar. “É possível rever e reverter essa situação. As pessoas precisam pôr na balança as coisas que as motivaram a fazer isso e pensar de que forma seria melhor resolver esse problema sem se prostituir”.
Wellyngton Souza / Josiane Dalmagro - Da Redação

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Discutir com o parceiro engorda, segundo estudo

 
 
Um estudo mostra que discutir com o parceiro ou com a namorada não só prejudica o relacionamento, como também engorda. Segundo pesquisadores da Universidade do Estado de Ohio, nos Estados Unidos, os níveis de grelina, conhecido como “hormônio do apetite” sofrem aumento depois de situações estressantes, como uma briga.
De acordo com os autores, quando o hormônio está elevado, é comum que as pessoas sintam mais desejo por alimentos ricos em calorias. Mas eles alertam que a alteração só foi evidenciada em indivíduos saudáveis ou com sobrepeso. Ou seja, a premissa não vale para os obesos, segundo reportagem publicada no jornal inglês Daily Mail.
O experimento selecionou casais para discutir determinado problema durante uma refeição. Depois, eles tinham que preencher a um questionário e coletar amostras de saliva para análise em laboratório. Os resultados apontaram para uma correlação entre conflitos conjugais e uma busca maior por alimentos ricos em açúcar, gordura ou sal, ainda que, na hora “H”, o mais comum é o casal perder a fome.
Por -  Blog do Jairo Bouer

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

O desejo em pílulas

 
 
 
O primeiro remédio para aumentar a libido feminina foi aprovado nos EUA. O anúncio abre uma indagação ainda sem resposta: o prazer das mulheres pode ser regulado quimicamente?
 
Vamos falar de sexo? A hora é boa e incontornável, com a liberação, na semana passada, pela FDA, o órgão americano regulador de remédios e alimentos, da flibanserina, um medicamento que será vendido, em forma de drágeas cor-de­rosa, a partir de outubro nos Estados Unidos com o nome comercial de Addyi. A pílula foi anunciada como atalho para estimular o apetite sexual feminino. O tempo responderá a uma dupla questão que naturalmente se impõe depois da estrondosa autorização: ela terá a força comportamental revolucionária dos anticoncepcionais deflagrada nos anos 60 ou, em escala menor, o impacto nas relações sexuais imposto pelo uso do Viagra, a partir da década de 90? Não e não, é o que se pode responder agora. E, no entanto, essas negativas, ao contrário de encerrar um capítulo, abrem uma extraordinária janela capaz de iluminar uma busca comumente associada a um tabu, feita de silêncios e recuos: a compreensão do funcionamento do desejo da mulher, algo que a ciência e os estudos da psique humana estão muito longe de traduzir adequadamente.
 
A flibanserina age diretamente no cérebro. O remédio atua de forma a aumentar a liberação de dopamina, composto associado ao prazer e à excitação, e reduzir a quantidade de serotonina, relacionada à diminuição do interesse sexual. Esse intrincado mecanismo de ação foi descoberto ao acaso. Em 2006, técnicos do laboratório alemão Boehringer Ingelheim testavam um medicamento para a depressão. Em sucessivos experimentos, as voluntárias relataram um efeito colateral imprevisto - a melhora na vida sexual. A reação "adversa" (frisem-se aqui as aspas) surpreendeu os cientistas, já que antidepressivos tendem a apagar o fogo da libido. Desde então, a empresa mudou o rumo das pesquisas, investindo em estudos com o novo enfoque. Em 2010, contudo, a FDA barrou o lançamento comercial do remédio pela primeira vez (faria isso numa segunda oportunidade, até o recente aval). Desinteressada, a Boehringer vendeu o medicamento quase na bacia das almas para a americana Sprout. Na última quinta-feira, dois dias depois do sim para o Addyi, a Sprout foi adquirida pela Valeant Pharmaceuticals, do Canadá, por 1 bilhão de dólares.
 
Assustavam, nas recusas de comercialização do medicamento, os fortes efeitos colaterais apontados pelo próprio fabricante, como manda a legislação - a sedação, a queda da pressão arterial e os previsíveis desmaios decorrentes dessa condição. Mas o grande impeditivo foi a interação do remédio com bebidas alcoólicas. A combinação provoca uma baixa drástica e repentina da pressão arterial, podendo levar à síncope. A Sprout, sem saída, foi forçada a ampliar os estudos clínicos. Cerca de 11 000 mulheres participaram de ensaios com o composto. A FDA acatou as novas informações, verificou que os riscos estavam dentro de limites aceitáveis e cedeu - mas foi vencida mesmo por uma movimentação paralela. O laboratório americano coordenou uma agressiva campanha de marketing cuja ponta mais visível era um grupo feminista. As ativistas do Even the Score ("empatar o jogo") chegaram a acusar publicamente a FDA de sexismo pela negação do pedido de aprovação do remédio. Da soma de trabalhos nos laboratórios e do lobby em um tema sensível à sociedade americana, deu-se o o.k. definitivo.
 
A flibanserina agora liberada pela agência de saúde americana não é muito diferente da flibanserina anteriormente rechaçada. Os efeitos colaterais permanecem: 11% das mulheres sofrem com tonturas, outros 11% com sonolência, 10% com náuseas e 9% com fadiga. E a antiga preocupação da FDA com a mistura ao álcool não só existe, como será estampada em letras garrafais nas embalagens. Impôs-se, ainda, como condição para a aprovação que tanto médicos quanto farmacêuticos recebam treinamento para compreender com profundidade a combinação nociva da medicação com bebidas alcoólicas. Para as mulheres que adotarem o Addyi, não há dúvida, sexo e bebida serão um casamento proibido. E a quem essa pílula vai ser indicada? Ela foi desenvolvida para mulheres que ainda não entraram na menopausa e que sofrem de um problema sexual específico - o transtorno de desejo sexual hipoativo (TDSH). Em outras palavras, a falta crônica de libido. Ressalve-se que a afecção tem origem fisiológica - não se trata, de modo algum, de problema comum a mulheres "emocionalmente imaturas", como afirmou erroneamente o pai da psicanálise, Sigmund Freud, no início do século XX - embora nunca se deva esquecer a escassez de informações bioquímicas sobre o organismo humano então disponíveis para o gênio austríaco.
 
O TDSH atinge cerca de 7% das mulheres. Para elas, um comprimido de 100 miligramas da flibanserina ingerido diariamente ao longo de pelo menos oito semanas resultará no aumento de uma relação satisfatória a cada 28 dias. Significa que uma mulher que tenha uma relação sexual prazerosa passará a ter duas nesse período. Duas se transformarão em três etc. É pouco? Não convém transformar sexo e sentimentos em estatísticas. Diz o endocrinologista Freddy Eliaschewitz, diretor do Centro de Pesquisas Clínicas (CPClin), em São Paulo: "A medicação não é milagrosa, tem pouca eficácia em comparação ao placebo e possui efeitos colaterais relevantes. Mas é melhor ter algo que apresente alguma diferença do que não ter absolutamente nada". Tudo ou nada, a rigor tanto faz, cada mulher tem sua conta própria, única, personalíssima e inexplicável, ao menos em condições de saúde normais. Nas sábias palavras do sociólogo americano Tim Wadsworth, da Universidade do Colorado: "Vejo que as pessoas se preocupam mais em ter a frequência sexual divulgada por amigos ao redor do que refletir sobre a assiduidade em si que gostariam de ter".
 
Por atalho didático, rapidamente a flibanserina foi apelidada de "Viagra feminino". Como recurso semântico, é perfeito, faz todo o sentido. Mas está errado. Se a flibanserina, com sua capacidade antidepressiva, mexe com o circuito cerebral da libido, no caso do losango azul do Viagra, o funcionamento é mecânico, relaxando a musculatura do pênis, aumentando o aporte de sangue ao órgão e levando-o à esperada ereção. Convenhamos, é mais simples, mais fácil. A engrenagem da libido feminina é ainda um grande mistério. A lubrificação, vital para o sexo, é mero detalhe, embora boa parte dos homens não se dê conta dessa constatação. O intumescimento do organismo feminino é regido por uma delicada sinfonia de hormônios, neurotransmissores, receptores cerebrais e mais tantos outros elementos desconhecidos da ciência. Os problemas de irrigação sanguínea, os descontroles hormonais ou qualquer outra disfunção têm ainda como barreiras as repressões psicológicas e comportamentais. É dura a vida da mulher se comparada à do homem.
 
Como a flibanserina não pode ser posta em pé de igualdade com a pílula anticoncepcional, que promoveu enorme mudança na sociedade, é o caso de considerá-la como filha desse avanço monumental. Em 1968, a escritora americana Pearl S. Buck (1892-1973), Nobel de Literatura, disse: "Todo mundo sabe o que a pílula é. Um objeto pequeno, mas que pode ter um efeito mais devastador em nossa sociedade que a bomba atômica". Ela estava certa. O anticoncepcional facilitou o controle da natalidade e libertou a mulher. O orgasmo, enfim, pôde ser dissociado do risco de engravidar. E o que se procura, agora, no limite, são mais orgasmos - mesmo que precisem ser induzidos com produtos químicos.
 
Não é fácil, mesmo em tempos tão liberais, enfrentar o assunto publicamente, mas seria ainda mais complicado sem a bravura pioneira de gente que cutucou preconceitos. O biólogo americano Alfred Kinsey (1894-1956) causou furor ao mapear os hábitos sexuais de homens e mulheres numa monumental série de 18 000 entrevistas. O célebre estudo, batizado de Relatório Kinsey, revelou que a masturbação era um hábito comum entre as mulheres. Mais: o clitóris, e não o canal vaginal, era o gatilho do prazer feminino. Uma revisão de seus dados, na década de 70, mostrou que nada do que ele publicou em seu primeiro relatório e no ainda mais polêmico Comportamento Sexual na Fêmea Humana, de 1953, pede revogação. Kinsey ajudou a derrubar os mitos sobre o prazer da mulher (que levariam seu tiro de misericórdia com outro relatório famoso feito nos mesmos moldes, pela feminista Shere Hite, nos anos 70). Ventilou, enfim, assuntos sobre os quais se guardava silêncio ou que se reservavam, na melhor das hipóteses, ao divã do psicanalista (Kinsey, aliás, detestava Freud, a quem considerava um mistificador). Pego em cheio pela onda moralista do macarthismo, Kinsey teve suas verbas cortadas e morreu logo em seguida, em 1956, aos 62 anos, sem testemunhar a revolução sexual da década seguinte, que ele indubitavelmente ajudou a impulsionar.
 
Na cola de seu trabalho, vieram a psicóloga Virginia Johnson e o ginecologista William Masters. Entre 1957 e 1965, o casal americano mediu a excitação sexual de 382 mulheres e 312 homens. O trabalho, que revelou os mecanismos da lubrificação vaginal e do orgasmo, resultou em descobertas então ruidosas e hoje plenamente aceitas, como a de que as mulheres podem ter múltiplos orgasmos.
É uma quimera imaginar que 100 miligramas diários de flibanserina possam resolver o mal-estar da civilização, as tais inadequações. Em um artigo publicado em 2010, a ensaísta americana Camille Paglia, crítica inteligente do feminismo sem sutilezas, estabelece os limites do medicamento, pondo homens e mulheres em seus respectivos papéis nessa história. Camille: "A vida familiar pôs os homens burgueses em uma situação difícil. Eles são simplesmente engrenagens de uma máquina doméstica dirigida pelas mulheres. As mães contemporâneas são virtuosas superadministradoras de uma complexa organização centrada no cuidado e no transporte das crianças. Mas não é tão fácil passar com um estalar de dedos do controle apolíneo ao êxtase dionisíaco". Para ela, sem meias palavras, as empresas químicas nunca vão encontrar o Santo Graal de um "viagra feminino", a drágea levada aos céus na semana passada. "As inibições são teimosamente interiores. E a luxúria é demasiadamente impetuosa para ser deixada nas mãos do farmacêutico", anotou. Ela tem razão.
 
Para um homem, o sexo é sempre mais simples. O que vai pela cabeça masculina, salvo exceções, tem apenas duas nuances. Para as mulheres, é tudo fascinantemente mais complexo, vai muito além dos cinquenta tons. Uma charge popular nos anos 90, até hoje reproduzida, mostra com didatismo as diferenças. No mundo masculino, há um único botão: liga/desliga. O feminino é um vasto e rico painel de controles dos mais variados tipos, incompreensível até que alguém acredite compreendê-lo.
Não há, enfim, um remédio milagroso capaz de pôr desejo feminino onde ele inexiste, como também não há um que apague o prazer na marra. Dificilmente haverá. Diz Carmita Abdo, psiquiatra e sexóloga da Universidade de São Paulo (USP): "O novo remédio pode ser útil para uma parcela das mulheres, mas com certeza não será uma só pílula que vai servir para melhorar o desejo de todas". Não há dúvida, no entanto, de que o feito extraordinário da autorização anunciada pela FDA, para além de seu uso prático, foi iluminar uma discussão que nos acompanha desde sempre e não terminará, porque nunca sabemos o lugar certo onde pôr o desejo. No pequeno e belo conto Ruído de Passos, de 1974, Clarice Lispector apresentou dona Cândida Raposo, uma senhora de 81 anos de idade com "vertigem de viver" que "fora linda na juventude". Como o "desejo de prazer não passava", ela procurou um ginecologista.
 
De Clarice:
"- Quando é que passa?
- Passa o quê, minha senhora?
- A coisa.
- Que coisa?
- A coisa, repetiu. O desejo de prazer, disse enfim.
- Minha senhora, lamento lhe dizer que não passa nunca.
Olhou-o espantada.
- Mas eu tenho oitenta e um anos de idade!
- Não importa, minha senhora. É até morrer.
- Mas isso é o inferno!
- É a vida, senhora Raposo."
Com reportagem de Carolina Melo
Por: Adriana Dias Lopes e Natalia Cuminale
Para ler outras reportagens compre a edição desta semana de VEJA

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Dê um jeito no seu sonho

 
O que abunda não prejudica, afirma com razão o provérbio. Melhor sobrar do que faltar, repete o senso comum. Mas entre nós, brasileiras e brasileiros, quantas vezes experimentamos a abundância ou a sobra?
Somos uma gente criada, na sua maioria, na escassez e nos precisos centímetros. Aprendemos em ambientes nos quais sempre falta algum capítulo da cartilha ideal. Ora não há dinheiro, ora não há pessoal treinado, ora inexiste infraestrutura.
E de nada adianta culpar o Seu Cabral, o rei, os imperadores, os republicanos. Assim como ajuda pouco desancar políticos e eleitores. Nossa fome é mais complexa, nossos problemas mais disléxicos. Para alcançar a fartura, teremos que melhorar o fora e o dentro. O avião e o aeroporto.
Também acredito que na Finlândia, Suécia, Japão, EUA, haja cenários mais propícios para que indivíduos e equipes possam, trabalhando duro, realizar seus projetos. Por aqui, não faltam trabalho duro e nem frustrações profundas. Você já não empreendeu algo que morreu na praia?
De solavancos, derrapagens e atolamentos em estradas de terra, aproveitamos algumas lições. A principal delas é que sonhar não basta. O sonho é como um motor de arranque. O que tira você da inércia para o movimento. Mas ele sozinho não é suficiente.
Sonho transformador é aquele que se torna concreto na vigília. Então, depois do arranque, para seguir viagem até o destino, são necessários combustível, provisões, peças de reposição. Também bem-vindos GPSs, roteiros, informações.
O que nos salva da noite sem luz é que a escassez pode favorecer a criatividade. Pois o "não ter tudo" cutuca a inteligência. Faz muitos anos, tive a honra de entrevistar a cientista Johanna Döbereiner (1924-2000), então pesquisadora da Embrapa - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. A doutora já estava no final de sua interessante vida.
Ela foi autora e coordenadora de pesquisas sofisticadas e inovadoras na agrobiologia. Nossa potentosa produção de soja deve muito a ela. Johanna ensinava: "Não é porque faltou um barbante ou papel alumínio que vamos paralisar um projeto."
É evidente que não estou fazendo a apologia da desgovernança ou da carência. Mas observo que ações vitoriosas são aquelas regadas pelo entusiasmo, pela persistência e por baldes cheios de soluções inventivas.
Por Fernanda Pompeu
Imagem: Régine Ferrandis.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Por que escolhemos relacionamentos complicados?

 
Eu sempre falo aqui sobre como ter relacionamentos menos complicados, mais felizes e sem dramas desnecessários, mas recebi a seguinte mensagem: “Pauta para tua coluna: as pessoas não estão prontas para relações descomplicadas. Elas gostam do drama, da cobrança e do ciumes”.
E então passei as horas seguintes pensando em quantas pessoas já vi reclamando de namoros complicados, casamentos que parecem nunca dar certo e ainda assim insistindo naquilo, como se a máxima ‘tem que ser difícil para valer a pena’ fosse uma verdade.
Ser difícil não quer dizer ser infeliz. Ser difícil é dividir o dia a dia, a rotina, as coisas pequenas que deixam nossa vida mais complicada e cansativa. A dificuldade vale a pena se você tem um amor imenso, alguém que te diga que tudo vai dar certo, te ajude a encontrar uma saída e não arrume mais problemas para sua cabeça.
Outra coisa que dizem por aí e que eu nunca entendi muito bem é sobre a tal necessidade de sofrer para encontrar um amor verdadeiro. Gente, isso não existe. Amor verdadeiro vem com ou sem sofrimento e já que ele pode vir sem, por que vamos dar chance pra algo ruim entrar na nossa vida?
Se manter em um relacionamento doentio só porque se acredita que depois disso irá encontrar o amor verdadeiro é comprovar que ajuda médica é necessária! E aí falando sobre o drama, a cobrança e o ciume, citados pelo meu amigo, é a mesma coisa em qualquer tipo de relacionamento. A pessoa que é assim com um namorado vai ser assim com os pais, os amigos, o chefe…
Você não deveria precisar que ninguém que cobre para que você faça o que acredita ser certo. Ou você só faz as coisas para fugir da cobrança, sem nem pensar a respeito?
O que a gente precisa é entender que merecemos ser felizes. Felicidade não é uma licença que se ganha depois de passar por muitas coisas ruins. Felicidade se constrói, é cuidada todo dia, trabalhada, não vem de graça, mas vai embora num piscar de olhos.
Se dê a chance de viver sem cobrança — nem sua, nem da pessoa escolhida para dividir essa etapa da vida -, entenda que ciume não é positivo e tente controlar o monstrinho que insiste em dar shows vergonhosos e, acima de tudo, entenda que drama é muito bonito no cinema, mas que na vida real normalmente não acaba com um final feliz.
Tire da sua vida tudo aquilo que atrapalha, tudo o que impede seu crescimento e tente perceber a felicidade de um relacionamento descomplicado. Faça um teste: durante um mês não se permita falar NADA — absolutamente nada — sobre ciume da pessoa amada. Nem para ela, nem para os amigos. A cada pensamento sobre ciume você vai procurar algo útil para fazer.
Vai ser difícil, mas ao fim do mês — se você conseguir passar por esse desafio — é hora de fazer a mesma coisa com cobranças. Você queria mais romance? Seja romântica. Você queria mais carinho? Seja mais carinhosa.
Ao fim do segundo mês você estará pronta para acabar com o drama. E aí é parar de choramingar por qualquer coisa e levar o diálogo racional e adulto para sua vida. Não fale com a pessoa que está ao seu lado como uma criança birrenta, mas sim como você fala no trabalho, decidida e com argumentos.
Depois disso você vai notar o que é um relacionamento sem complicação, sem coisas inúteis e ver que a felicidade sempre esteve ali, você que a escondia no meio do caos.
 
Você tem alguma dúvida sobre  o assunto ? Manda para mim no preliminarescomcarol@yahoo.com.br, acompanhe-me no Twitter (@carolpatrocinio) ou siga-me no Facebook .
 

sexta-feira, 10 de julho de 2015

DF condena ex a pagar R$ 101 mil à namorada por 'estelionato sentimental'


Um homem foi condenado pela 5ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) a pagar R$ 101 mil para a ex-namorada, com quem manteve um relacionamento durante dois anos. Na época, Sérgio Antônio pediu inúmeros empréstimos para Suzana Oliveira a fim de quitar dívidas e comprar bens. Com o término da relação, o pagamento não foi efetuado. Oliveira entrou com uma ação contra ele, e Antônio responderá por "estelionato sentimental". Não cabe mais recurso para a decisão.
O namoro começou em junho de 2010 e durou até maio de 2012. Segundo Oliveira, no primeiro ano da relação, Antônio iniciou uma sequência de pedidos de empréstimos financeiros, com motivos que variavam entre quitação do carro, créditos de celular e compras usando o cartão de crédito dela. A mulher afirma que, ao todo, entre saques e transferências, entregou ao ex R$ 43.419.
Para cobrir os valores sacados e quitar as dívidas existentes por conta dele, Oliveira precisou fazer empréstimos bancários junto ao BRB, instituição para a qual deve R$ 62.676,10.
O relacionamento terminou depois que ela descobriu que ele havia se casado com outra mulher quando eles ainda estavam juntos.
Antônio costumava sempre pedir dinheiro à namorada. Em mensagens enviadas por celular, o homem pede para que ela coloque crédito no aparelho dele: "'Põe um creditozinho no meu cel se for possível". Em outras, ele pede dinheiro para lanchar e quitar dívidas. "Se houver como me mandar um beijo junto com o 'dindim', ficarei muito feliz. É possível passar 50? Quero lanchar no caminho."
Em outros torpedos, o homem diz estar desesperado. "Minha querida. Estou precisando de R$ 350 desesperadamente. Sei que vc mal recebeu o pagamento e já está no cheque especial, mas n tenho a quem recorrer. Posso transferir da sua conta p minha?", diz um trecho das mensagens.
O advogado de Antônio, Paulo Ricardo da Silva, informa que ele tentou negociar com a ex-namorada. "Ele está desempregado e não tem condições de pagar o valor à vista. Ele deu uma sugestão de pagar R$ 500 por mês, porém Suzana não aceitou", disse.
Segundo o defensor, o homem não agiu de má-fé, pois empréstimos de dinheiro eram ações comuns entre o casal. "Ele assume a dívida de R$ 30 mil, não de R$ 101 mil. A namorada disse durante o namoro que ele não precisava pagar o valor. Infelizmente não há um documento provando que a quantia foi uma doação ou presente."
Já o advogado da mulher, Claudiney Carrijo, afirmou que não houve nenhuma proposta de Antônio de solucionar a dívida.
Em setembro de 2014, a 7ª Vara Cível de Brasília condenou o ex a pagar a quantia. Ele recorreu, mas seu pedido foi negado por unanimidade pela 5ª Vara. A mulher também pediu R$ 20 mil por danos morais. Mas essa solicitação foi negada.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Comemorações do aniversário de Cuiabá tem início nesta segunda-feira


A Prefeitura de Cuiabá começa na próxima segunda-feira (06) a programação alusiva ao aniversário da Capital mato-grossense, que completa 296 anos de fundação no dia 8 de abril. A comemoração oficial será marcada por 92 eventos e entregas e se estenderá até o fim do mês.
Durante a programação de aniversário, serão realizados 39 eventos culturais, como a entrega dos prêmios do concurso fotográfico “Olhar Cuiabá” e mostras de cinema em diversos bairros. A prática esportiva ganhará incentivo com a entrega de dois ginásios esportivos, a Corrida Bom Jesus de Cuiabá e a inauguração da ciclofaixa de lazer.
As crianças cuiabanas receberão mais amparo com as inaugurações da Casa da Criança Cuiabana e da Casa Nosso Lar, entre outros 18 eventos da Assistência Social. Além da inauguração de creches e escolas, em outros 16 eventos da Educação.
O secretário de Governo e Comunicação, Kleber Lima, destaca que a programação marca o início da colheita de tudo o que foi trabalhado nos dois primeiros anos de gestão Mauro Mendes. “No aniversário de Cuiabá começamos a entrega do que foi feito com muito esforço desde o início desta administração. A colheita começa agora e se estenderá até o final da gestão com muitas outras obras que a população cuiabana merece”, disse.
Também estão previstos lançamentos de obras de pavimentação em bairros e a entrega dos primeiros 120 quilômetros de asfalto novo e de 200 quilômetros de recuperação de ruas e avenidas.
Além disso, cerca de mil títulos de regularização fundiária serão entregues para moradores dos bairros Planalto, Novo Horizonte, Jardim Leblon, Dr. Fábio, Altos da Glória, Umuarama, Três Barras, entre outros.
O encerramento da festa, no dia 30 de abril, será marcado pela inauguração do Hospital São Benedito, considerada a maior obra da saúde dos últimos anos em Cuiabá. No total, o hospital terá 111 leitos, sendo destinados 81 para enfermarias e 30 para Unidades de Terapia Intensiva (UTI), onde serão realizadas cirurgias ortopédicas, neurológicas e cardiológicas.
“Convidamos toda a população cuiabana para participar desta grande festa, pois tudo o que foi feito e está sendo entregue é para que os cidadãos possam desfrutar de uma cidade melhor. Contamos com que os cuiabanos recebam os frutos e nos ajudem a cuidar desses benefícios que só vão melhorar a vida de quem ama Cuiabá”, finalizou Kleber Lima.

terça-feira, 17 de março de 2015

Você sabe o que é um “coxinha”?

 

Conhecido por hábitos específicos e padronizados, tipo paulista engomadinho, com camisa polo e vontade de vencer na vida, vira conteúdo de sucesso em redes sociais

Coxinha” se tornou um dos adjetivos mais escutados nos últimos quatro ou cinco anos. Não, não estamos falando do típico salgado brasileiro recheado com frango, crocante por fora e macio por dentro, mas de um fenômeno social que tem chamado a atenção principalmente em São Paulo. A palavra ganhou mais um sentido: descrever os novos “mauricinhos” ou “engomadinhos”, que se destacam por seu estilo de vida peculiar, acompanhado de gírias e modo de vestir específicos.
Alvaro Garnero: o playboy e empresário é apontado como símbolo dos coxinhas.
O apresentador e empresário Roberto Justus, com seu visual bem cuidado, também é apontado como um representante da classe coxinha.

O playboy Rico Mansur: coxinhas são, também, os novos “mauricinhos”. Mas vão além de classe social.
Rico Mansur com a dupla Fernando e Sorocaba: uma das trilhas favoritas dos coxinhas é a música sertaneja. Foto:

Cabelo impecável e camisa polo não podem faltar – se tiver um número, um brasão ou o desenho de um cavalo, melhor. Apesar de estarem espalhados por todos os lugares – seu chefe, seu primo, um colega da faculdade e até mesmo seu vizinho podem ser coxinhas –, não existe literatura sobre o assunto. Na internet, no entanto, eles se tornaram conteúdo para redes sociais.

O Twitter @tiposdecoxinha brinca com os hábitos dos “almofadinhas” (“Coxinha que posta foto da garrafa de whisky e escreve 'dando início aos trabalhos'” ou “Coxinha que vai viajar e traz umas coisas pra vender porque lá fora é bem mais barato, meu”), enquanto o Tumblr “Troféu Coxinha de Ouro”, atualizado até 2011, exibe lugares, prédios corporativos, celebridades e revistas que merecem receber o título – ambos foram criados em 2010.

Percebendo esse movimento, Lucas Guratti, publicitário de 23 anos, resolveu criar o “Dicionário Coxês-Português” com a amiga Rossiane Antúnez em 2012. O sucesso do Tumblr foi tão grande que logo depois foi criada uma página no Facebook, hoje com quase 30 mil fãs, em que os dois reúnem os termos mais usados pelos “coxas” e os explicam no formato de um dicionário formal. Entre eles: “tenso”, “house party”, “top”, “futebas”, “premium” e muitos outros que prometem arrancar risadas.

“Definir o que é um coxinha é difícil, mas é fácil identificar um. Eu estudei na ESPM [Escola Superior de Propaganda e Marketing, em SP], então tenho uma boa base para falar deles. Mas é importante ressaltar que não sou contra, até porque tenho vários amigos considerados ‘coxinhas’”, garante Lucas. “Ser um é uma questão de escolha. Nada mais é do que um comportamento de massa, um tipo social muito comum atualmente. Todo mundo frequenta os mesmos lugares, usa as marcas de roupas do momento e tem uma preocupação exacerbada com a imagem. Muitas vezes, eles viajam para colocar fotos no Instagram e serem reconhecidos, e não porque querem conhecer uma cultura diferente”, completa.

Top

Imagem é a palavra-chave para compreender melhor esse perfil. Para Aurélio Melo, professor de Psicologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, já passamos por dois paradigmas na sociedade: o ser e o ter. Agora, estamos no terceiro: o parecer. “As pessoas sentem a necessidade de cultivar a aparência. Muitas, por exemplo, adquirem um carro bem acima do padrão econômico e parcelam em 72 vezes, mas o importante é que conseguiram atingir o objetivo desejado e passaram a ocupar um papel que não é exatamente o delas”.

Ele ainda afirma que hoje existe uma mobilidade muito grande entre as classes sociais, o que faz com que aqueles com menor poder aquisitivo ganhem status ao experimentarem a sensação de estar na camada que tanto almejam. É por isso que, para ser um coxinha, ter dinheiro não é necessariamente um pré-requisito. “O que se busca é o sentimento de pertencimento”.

Outra característica forte, segundo Antonio Carlos Amador Pereira, professor de Psicologia da PUC-SP, é a conformidade ao grupo. A manifestação estética é essencial para que eles se reconheçam e, de certa forma, se sintam diferenciados em comparação aos demais – ponto muito comum entre os adolescentes. Aurélio concorda. “Ao se relacionarem com outros adeptos desse mesmo estilo, eles reforçam suas identidades e transmitem uma mensagem”.

“Ecofriendly”

Apesar de “coxinhas” e “mauricinhos” terem conceitos muitos similares, Aurélio ressalta algumas pequenas diferenças: o primeiro grupo se importa ainda mais com a imagem e é mais preocupado em seguir a linha do politicamente correto, por isso muitos deles gostam de cuidar da saúde – e de publicar fotos dentro da academia nas redes sociais –, sustentam discurso sobre qualidade de vida e hábitos ecofriendly, principalmente por serem princípios em alta.

Tudo isso é material para as piadas produzidas na internet. “Consigo selecionar três perfis que acessam a página: os que acham graça e não sabem direito quem são os ‘coxas’, os que não gostam e ficam bravos ao se identificarem e, por fim, aqueles que se assumem e não veem problema nenhum. E também tem as mulheres, carinhosamente chamadas de ‘coxetes’”, conta Lucas, autor do Dicionário Coxês-Português. Mas o publicitário confessa que todo mundo tem um pouco deles dentro de si.

E por acumularem bens – seja porque se encontram numa posição econômica privilegiada ou porque se esforçam para adquiri-los –, um tópico fundamental para descrevê-los é a valorização da segurança. Condomínios fechados com várias etapas de identificação de visitantes, celulares com seguro e carros blindados. “Nós vivemos a era do terror psicológico, uma cultura paranoica, muito mais do que em outras épocas. Por isso é natural que o medo seja maior”, explica Aurélio. Isso, de certa forma, explica o caráter individualista que os distancia do resto da população, sobretudo em uma metrópole tão segregadora como São Paulo.

Origem

Ninguém sabe ao certo de onde a expressão “coxinha” nasceu. Uma vertente diz que o apelido foi inspirado nas coxas brancas dos homens arrumadinhos que usam bermuda ao tomar sol. “Essa me parece a mais plausível. O time Coritiba, por exemplo, ganhou o codinome ‘Coxa’ por causa da torcida, que era composta por descendentes alemães em sua maioria e tinham coxas brancas. Pode ter alguma conexão”, arrisca Antonio Carlos.

Outra hipótese sustenta a ideia de que o nome veio de uma gíria já existente há décadas, mas que antes designava os policiais. “Encarregados de fazer a ronda, eles se alimentavam de coxinha em bares e lanchonetes – e, em troca, garantiam a segurança”, diz Aurélio. Mas até que ponto o termo passou a fazer alusão aos novos “playboys” ainda é um mistério da língua portuguesa.
 FONTE- MIDIA NEWS

segunda-feira, 16 de março de 2015

E agora, Dilma? Manifestações contra o Governo tomam conta do Brasil


Centenas de milhares de pessoas protestavam nas ruas de diversas cidades do país, neste domingo (15), em manifestações convocadas contra o governo da presidente Dilma Rousseff. De acordo com números da Polícia Militar, mais de 1,4 milhão de pessoas, em 24 capitais e no DF. A maior manifestação aconteceu na avenida Paulista. A via reuniu, segundo a PM, 1 milhão de pessoas. 
O protesto aconteceu em pelo menos 150 cidades no País e no exterior. Vestidos com as cores da bandeira brasileira, os manifestantes que foram às ruas reclamam principalmente da corrupção, em meio ao escândalo na Petrobras investigado pela operação Lava Jato, e dos problemas econômicos enfrentados pelo país.  
Os protestos têm mantido um caráter pacífico, ao contrário das manifestações ocorridas em junho de 2013, ocasião em que foram registrados atos de vandalismo e confrontos entre policiais e manifestantes.
Mas, no dia em que o Brasil completou 30 anos do fim da ditadura, centenas de manifestantes pediram a volta dos militares ao poder. Muitos deles levaram cartazes e até carros de som, gritando pela intervenção militar. 
As manifestações deste domingo foram convocadas pelas redes sociais. A maioria dos grupos organizadores defende o impeachment da presidente, usando como argumentos uma suposta corrupção no governo do PT, o escândalo da Petrobras e os altos custos com impostos e tarifas, entre outras reclamações.
“O povo está se sentindo traído", disse na capital paulista o publicitário Diogo Ortiz, de 32 anos, referindo-se à Petrobras como “vergonha nacional e internacional”.
“Eu quero impeachment mesmo”, acrescentou, mesmo admitindo que as chances são pequenas e que este domingo pode se tornar um evento isolado sem resultados efetivos.
A chuva que caia em alguns pontos da Avenida Paulista parecia insuficiente para dispersar as pessoas, muitas delas munidas de cartazes com dizeres contra a presidente e contra seu partido, o PT. Segundo estimativa da Polícia Militar, 1 milhão de pessoas estavam na Paulista e adjacências.
Em Brasília, cerca de 45 mil pessoas se concentraram na Esplanada dos Ministérios e em frente ao Congresso Nacional, que chegou a ter seu espelho d´água invadido por alguns manifestantes, segundo informações da Polícia Militar, que mobilizou um efetivo de 1,6 mil homens neste domingo.
Na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, mais de 15 mil pessoas se aglomeraram para protestar, segundo a PM, enquanto organizadores estimaram o número de manifestantes em 30 mil.
“O brasileiro tem que se manifestar realmente e não pode se calar diante desses escândalos e roubalheira que vemos no Brasil”, disse a comerciária Márcia Santos, que vestia uma camisa verde-amarela. Muitos manifestantes carregavam faixas contra o governo e o PT.
Os protestos têm mantido um caráter pacífico, ao contrário das manifestações ocorridas em junho de 2013, ocasião em que foram registrados atos de vandalismo e confrontos entre policiais e manifestantes.
Mas, no dia em que o Brasil completou 30 anos do fim da ditadura, centenas de manifestantes pediram a volta dos militares ao poder. Muitos deles levaram cartazes e até carros de som, gritando pela intervenção militar. 
As manifestações deste domingo foram convocadas pelas redes sociais. A maioria dos grupos organizadores defende o impeachment da presidente, usando como argumentos uma suposta corrupção no governo do PT, o escândalo da Petrobras e os altos custos com impostos e tarifas, entre outras reclamações.
“O povo está se sentindo traído", disse na capital paulista o publicitário Diogo Ortiz, de 32 anos, referindo-se à Petrobras como “vergonha nacional e internacional”.
“Eu quero impeachment mesmo”, acrescentou, mesmo admitindo que as chances são pequenas e que este domingo pode se tornar um evento isolado sem resultados efetivos.
A chuva que caia em alguns pontos da Avenida Paulista parecia insuficiente para dispersar as pessoas, muitas delas munidas de cartazes com dizeres contra a presidente e contra seu partido, o PT. Segundo estimativa da Polícia Militar, 1 milhão de pessoas estavam na Paulista e adjacências.
Em Brasília, cerca de 45 mil pessoas se concentraram na Esplanada dos Ministérios e em frente ao Congresso Nacional, que chegou a ter seu espelho d´água invadido por alguns manifestantes, segundo informações da Polícia Militar, que mobilizou um efetivo de 1,6 mil homens neste domingo.
Na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, mais de 15 mil pessoas se aglomeraram para protestar, segundo a PM, enquanto organizadores estimaram o número de manifestantes em 30 mil.
“O brasileiro tem que se manifestar realmente e não pode se calar diante desses escândalos e roubalheira que vemos no Brasil”, disse a comerciária Márcia Santos, que vestia uma camisa verde-amarela. Muitos manifestantes carregavam faixas contra o governo e o PT.
Em Belo Horizonte, 24 mil pessoas saíram de casa em Belo Horizonte protestar conntra o governo. O ponto de encontro neste domingo (15) na capital mineira foi a praça da Liberdade, símbolo da região centro-sul da cidade e antiga sede do governo de Minas. Segundo a Polícia Militar, não houve registro de ocorrências graves.
A concentração pró-impeachment e anti-PT começou por volta das 9h30, com a presença de 4.000 pessoas. Ao meio-dia, a praça estava tomada por participantes, que começaram a se dispersar no início da tarde. Parte do movimento foi em direção à praça da Savassi, área nobre de BH, enquanto alguns manifestantes seguiram para a praça Sete, no centro.
No exterior houve manifestações em Londres, Nova York, Losboa, Sydney e Miami, entre outras cidades. O de Bova York reuniu ao menos 100 pessoas.
Cerca de 1 milhão protestam em São Paulo contra o governo, diz PM


Um protesto contra o governo organizado pelas redes sociais reuniu cerca de 1 milhão de pessoas na avenida Paulista, região central de São Paulo, na tarde deste domingo (15). A estimativa foi divulgada pela Polícia Militar às 15h40. Três grupos são responsáveis pela organização do ato, MBL (Movimento Brasil Livre), Revoltados Online e VemPraRua. Embora o impeachment não estivesse na pauta do maior deles, o VemPraRua, grande parte dos manifestantes pedia o fim do governo petista. "Fora Dilma" e "Fora Lula" eram as frases mais gritadas no ato.
A concentração, marcada para as 14h, começou por volta das 10h. No horário marcado, os manifestantes já ocupavam um dos lados da via. Um carro de som foi estacionado na esquina entre a avenida Paulista e a rua Pamplona. De lá, as lideranças pediram uma salva de palmas para o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), que estava acompanhado de sua esposa.
Em seguida, os líderes puxaram um coro afirmando que a manifestação é "suprapartidária" e deram início a gritos de "PT roubou" e "eu vim pra rua para protestar contra essa corja que não para de roubar". Por volta das 16h50, 20 pessoas do grupo "Carecas do Subúrbio" foram detidas porque portavam fogos de artifício, de acordo com a Polícia Militar. Eles estão sendo levados ao 2º Distrito Policial.
Manifestação contra Dilma reuniu 24 mil pessoas na praça da Liberdade, em BH


No dia em que o Brasil completou 30 anos do fim da ditadura, 24 mil pessoas saíram de casa em Belo Horizonte para pedir a deposição da presente Dilma Rousseff. O ponto de encontro neste domingo (15) na capital mineira foi a praça da Liberdade, símbolo da região centro-sul da cidade e antiga sede do governo de Minas. Segundo a Polícia Militar, não houve registro de ocorrências graves.
A concentração pró-impeachment e anti-PT começou por volta das 9h30, com a presença de 4.000 pessoas. Ao meio-dia, a praça estava tomada por participantes, que começaram a se dispersar no início da tarde. Parte do movimento foi em direção à praça da Savassi, área nobre de BH, enquanto alguns manifestantes seguiram para a praça Sete, no centro.
Com apitos, panelas, faixas, cartazes e vestidos em maioria com a camisa da Seleção Brasileira, o grupo gritava palavras de ordem "contra a roubalheira" e pedia "salva de palmas para a PM''. Dois carros de som comandam o movimento.
Em um deles, o assistente jurídico Renato Correia, de 36 anos, usava um microfone para "ajudar a coordenar" e manter o tom "pacífico" da manifestação.
— A gente está cobrando responsabilização dos investigados da Operação Lava Jato e transparência dos recursos.
O participante diz que o impeachment "deve ser estudado", pois, segundo ele, a presidente sabia do que acontecia na Petrobras. O assistente acredita que o mandato de Michel Temer (PMDB), que assumiria o cargo, seria "temporário".
— Ele não é melhor nem pior. Entraria temporariamente para convocar novas eleições.
O ato foi convocado pelos movimentos Vem Pra Rua, Brava Gente, Patriotas e Revoltados Online. Os grupos garantem que são apartidários e que não aceitam propostas de golpe militar, mas receberam o aval de partidos de oposição, como o PSDB, DEM e Solidariedade para irem às ruas.
Ainda assim, diversos manifestantes mostravam adesivos do senador Aécio Neves, usado durante a campanha presidencial, e outro criado especialmente para o evento, com a frase "Não vamos nos dispersar", dita tanto por Tancredo Neves como pelo ex-governador de Minas. Faixas pedindo "intervenção militar" também fizeram parte do protesto.
Contra Dilma e contra o impeachment
Com bandeiras menos "radicais" o Vem Pra Rua destaca em seu manifesto na internet que é contra o impeachment porque não há fato jurídico que o justifique. A neurocientista Carla Girodo, que integra o Vem Pra Rua e o Revoltados Online, afirma que não se pode "combater uma ditadura, entre aspas, bolivariana, defendendo outro regime autocrático".
— Nossa bandeira é a democracia, a ética na política, o Estado eficiente e desinchado e redução da carga tributária. O Brasil tem tudo para ser uma potência mas está sendo uma "impotência". Um exemplo de lugar que vemos como deu certo é a Alemanha, que vive a liberdade econômica, estimula o empreendedorismo e permite a geração de riqueza.
Em Copacabana, abaixo-assinado por impeachment, vaia a Bolsonaro e distribuição de coxinhas


A manifestação contra o governo Dilma Rousseff na orla de Copacabana, zona sul do Rio, reuniu milhares de pessoas e foi marcada por pedidos de impeachment e de basta à corrupção. O MBL (Movimento Brasil Livre) recolheu assinaturas para protocolar o pedido de impeachment. O deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) foi assediado e também vaiado ao ser impedido de discursar.
Os manifestantes caminharam do posto 5 até o Hotel Copacabana Palace, onde, por volta das 12h30, o ato se dispersou. O protesto foi pacífico. A Polícia Militar, que mobilizou 800 policiais para reforçar a segurança, não estimou o total de manifestantes. O MBL, um dos organizadores do ato, falou, ao final do protesto, que 100 mil pessoas participaram do ato, mas esse número parece superestimado.
Apesar das críticas ao governo, o bom humor também deu as caras. O manifestante Vander Moreira distribuiu coxinhas em alusão ao apelido porque, segundo ele, "o PT pensa que somos todos coxinhas".
Já o humorista Marcelo Madureira fez um discurso duro contra o governo petista. 
— Aqui não tem golpista. Somos democratas e não temos medo do PT e nem do petismo.
Vaia a Bolsonaro e pedido de intervenção militar

O deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), um dos parlamentares mais votados no Estado do Rio de Janeiro, foi vaiado e impedido de discursar ao ser chamado para assumir o microfone em um dos carros de som. Ao perceber a vaia, um integrante do Movimento Brasil Livre, um dos organizadores do ato, perguntou no microfone se os manifestantes queriam o discurso do Bolsonaro e a resposta foi negativa. 
Para desfazer a saia justa, outro manifestante afirmou, ao microfone, que o protesto é apartidário. O deputado não subiu no carro de som. Apesar da vaia, também houve quem apaludisse Bolsonaro. Mais cedo, o parlamentar distribuiu autógrafos na orla carioca e ouviu de alguns manifestantes que deveria concorrer à Presidência da República.
Os manifestantes, que cantaram o Hino Nacional, adotaram camisetas verde-amarelas e bandeiras do Brasil. Houve ainda quem empunhasse cartazes pedindo uma intervenção militar. Um cartaz escrito em inglês pedia que as Forças Armadas livrasse o País do comunismo mais uma vez.
O general reformado do Exército Arghenta Kap, que também participou da manifestação, pede uma nova eleição.
— Queremos uma nova eleição, que as Forças Armadas assumam o poder e marquem uma Constituinte daqui a 12 meses. Precisamos de ordem.
Paulo Roberto de Souza diz que sua motivação para participar foi se posicionar “contra essa corrupção”.
— Não vivemos em uma democracia e sim em uma ditadura bolivariana do PT. Temos que mudar tudo. Cumprimos a lei pagando nossos impostos. É muita revolta.
Após falar com jornalistas, o manifestante apagou seu cigarro e jogou a bituca no chão, recusando-se a colocá-la no lixo quando questionado pelo repórter. No Rio de Janeiro, há uma lei municipal que multa quem joga lixo nas ruas.
Além do Rio de Janeiro, os protestos, convocados pelas redes sociais, reuniram manifestantes em São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Salvador, Porto Alegre, Goiânia, Palmas, São Luiz, Goiânia, Vitória, Florianópolis, Manaus, Belém, Cuiabá e Curitiba, entre outras capitais.
Cerca de 30 mil manifestantes caminham para o Parque da Redenção em Porto Alegre

Os manifestantes reunidos na capital gaúcha para protestar contra o PT e o governo da presidente Dilma Rousseff saíram por volta das 15h30 do parque Moinhos de Vento, depois de cantarem o hino nacional, começaram uma caminhada até o parque
da Redenção, num percurso de cerca de 3 quilômetros.
O público é estimado em 30 mil pessoas pela Brigada Militar e de 50 mil pelos organizadores, do Movimento Brasil Livre. Entre os participantes há pessoas de todas as idades, desde crianças a idosos. Quase todos vestem verde e amarelo, e muitos carregam bandeiras do Rio Grande do Sul e do Brasil.
Na linha de frente do grupo, manifestantes carregam uma grande faixa dizendo "fora Dilma". A todo instante entoam gritos como "esse País não é do PT, é de todos os brasileiros", "um, dois, três, Lula no xadrez" e "esta manifestação não é de nenhum partido, é de todos os brasileiros".
No carro de som que acompanha o cortejo, os organizadores, afirmaram que o ato não apoia uma intervenção militar. No meio dos manifestantes, no entanto, é possível encontrar uma minoria com cartazes que diziam "S.O.S forças armadas" e "intervenção militar já".
No trajeto entre um parque e outro, os manifestantes recebem apoio de inúmeros moradores que acompanham a passeata das janelas de prédios. Num trecho, os participantes pararam para vaiar dois moradores que tinham uma bandeira vermelha pendurada na janela.
Em todo o percurso o grupo é seguido de perto por um grande contingente da Brigada Militar, mas por enquanto toda a manifestação é pacífica.
Também há marchas em andamento no interior do RS, em cidades como Caxias do Sul e Santa Maria.
Ato em Recife tem hino das Forças Armadas e defensores da ditadura

Ao som de hinos das Forças Armadas e de paródia da famosa música de Geraldo Vandré, Para não dizer que não falei de flores, defensores de uma intervenção militar fizeram, neste domingo, 15, caminhada na Avenida Boa Viagem, no mesmo local onde 8 mil pessoas se manifestaram pela manhã contra o governo Dilma.
De acordo com os organizadores, do grupo Direita Pernambuco, mil pessoas participaram do protesto. Para a PM, são cerca de 300.
Gravações do deputado federal Jair Bolsonaro sobre intervenção também foram divulgadas, através de carro de som. Leandro Quirino, integrante do movimento, defende a intervenção por entender que o governo do PT "rouba e quebra o Estado".
Com um cartaz pedindo intervenção já, Carlos Fernandes, militar da Aeronáutica, lembrou que uma intervenção só se dará com o clamor popular. A paródia da famosa canção de Vandré dizia "saqueando e roubando, Dilma vai embora que o Brasil não quer você e leve o Lula junto".
A enfermeira Terezinha Rocha, 50, trabalhou pela manhã e foi expressar sua insatisfação no evento da tarde. Mesmo contra a intervenção militar, colocou um nariz de palhaço e pegou uma bandeira do Brasil e foi para a rua. Disse ser momento de unir todas as forças que querem o "Fora Dilma".
Em Belém, PM estima que 7 mil participaram da manifestação contra o governo

A Polícia Militar estima que cerca de 7 mil pessoas participaram da manifestação contra o governo da presidente Dilma Rousseff neste domingo (15), em Belém (PA). O número é bem menor do que os cerca de 60 mil estimados por manifestantes à frente do ato. Na capital paraense, o protesto se concentrou na Avenida Doca de Souza Franco, famoso destino de festas e comemorações na capital paraense. A dispersão começou por volta das 11h.
Sindicatos dos médicos, dos enfermeiros e do transporte alternativo, a associação de emancipação de municípios e participantes da ordem da maçonaria foram algumas das instituições que participaram da manifestação.
Com informações e fotos do Portal R7 e do Estadão Conteúdo.
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