quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Diabetes e cirurgia

O peso contribui com a piora do quadro clínico do diabético. Operação é recomendada em obesos com IMC acima de 35


A diabetes é responsável por 5% das mortes registradas em todo o mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Na América Latina, esse índice cresce para 9%, são cerca de 330 mil mortes por ano decorrentes das complicações causadas pela doença. Já o Brasil figura entre os dez países de maior índice de diabéticos, com 6,4% da população.

Diabetes é uma doença crônica, caracterizada pelo alto nível de açúcar no sangue, ou por conta da insuficiência do organismo em produzir insulina, ou pela incapacidade de absorção dessa substância. A insulina é o hormônio responsável pelo processamento do açúcar no corpo. A doença pode ser do tipo 1 e acompanhar o indivíduo desde criança, ou do tipo 2 e ser adquirida ao longo da vida, devido à má alimentação, excesso no consumo de doces e gordura, ausência de atividade física e predisposição genética.

Os principais sintomas de quem tem a doença são a sede e a vontade de fazer xixi frequentes, além de cansaço, perda de peso repentina, cicatrização ruim e visão embaçada. Mas algumas pessoas não sentem nada. Por isso o ideal é realizar exames clínicos com periodicidade. A diabetes também apresenta fator genético e pode ser herdada de pai para filho.

“Meu pai teve diabetes. Eu não sentia nada. Cheguei a fazer um exame, mas passei a tomar somente comprimidos, não fazia aplicação de insulina, apesar de controlar a taxa de glicose. Por conta disso, meu quadro clínico se agravou e tive retinopatia (lesões definitivas nas paredes dos vasos que nutrem a retina) e glaucoma (aumento da pressão ocular). Perdi praticamente toda a visão”, conta o aposentado José Frizzarin Filho, de 59 anos.

Os danos à saúde podem ser ainda piores, como, por exemplo, amputações e falência renal. O diabetes não mata, mas suas complicações sim, pois a taxa alta de açúcar prejudica a circulação sanguínea, podendo provocar até infarto e derrame. O sedentarismo e a obesidade, fatores de risco que crescem a cada dia entre os humanos, contribuem para o aumento do número de casos de diabetes do tipo 2 e suas implicações.

Cirurgia para diabetes

O Brasil já figura em destaque sobre o conhecimento do procedimento denominado mundialmente como Cirurgia do Diabetes. Enquanto vários países ainda estão na fase de desenvolvimento de protocolos científicos, os cirurgiões brasileiros vêm realizando o procedimento para tratar a doença em obesos com Índice de Massa Corpórea (IMC) acima de 35, conforme regulamentação do Conselho Federal de Medicina (CFM).

“Os resultados dos estudos nacionais e internacionais são bastante promissores. O último estudo científico divulgado acompanhou pacientes que realizavam tratamentos convencionais e um grupo que foi submetido à cirurgia. Dois meses após o início do estudo, os pacientes que realizaram o procedimento cirúrgico não necessitavam mais de medicações para controlar a doença”, afirma Thomas Szego, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM).

Três tipos de cirurgia são comprovados como eficientes no controle do diabetes: a banda gástrica ajustável, o by-pass gástrico e as derivações bilio-pancreáticas. As técnicas que criam um atalho para o alimento – que é desviado do duodeno e chega antes à parte final do intestino – alteram a secreção de alguns hormônios intestinais, cujo aumento estimula a produção de insulina, resultando na melhora ou até mesmo no controle do diabetes tipo 2. Os bons resultados da cirurgia devem-se, principalmente, à perda de peso e às alterações hormonais do paciente.

O aposentado José Frizzarin se encaixa no grupo ao qual a cirurgia é recomendada. “Estou fazendo os exames e uma avaliação cardíaca. A cirurgia já foi solicitada pelo meu médico. Hoje, eu aplico insulina quatro vezes por dia. Quem sabe depois poderei até, de repente, eliminar o uso dela. Toda e qualquer intervenção tem seus riscos, mas o bem-estar proporcionado para a minha saúde vai valer a pena”, diz.

De acordo com o CFM, ainda está em estudo a liberação do procedimento para pacientes com IMC entre 30 e 35. Para pacientes com o IMC abaixo de 30 a cirurgia ainda não é indicada. Porém, o Brasil desponta como o país que mais investe em estudos para adaptar o método que irá beneficiar também diabéticos não obesos.

Por Michele Roza

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