sábado, 23 de abril de 2011

Atirador 'Wellington Menezes' é o Judas malhado em Maceió

Ato simbólico foi idealizado para que os católicos pudessem se ‘vingar’ de Judas Iscariotes, o apóstolo traidor

A tradição da malhação do Judas, vigente em diversas comunidades católicas do mundo inteiro, também marcou a manhã deste sábado de Aleluia, aqui em Maceió. No bairro do Vergel do Lago, o boneco foi feito com a ajuda dos moradores e trouxe o rosto de um personagem que caiu no desgosto popular.

Na Travessa José Cavalcante, na Vila do Amparo, bairro do Vergel do Lago, o Judas recebeu o nome do atirador Wellington Menezes de Oliveira, que matou 12 crianças e adolescentes na escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, na zona oeste do Rio de Janeiro, no início deste mês. ‘O Wellingtton é um Judas, sacaneou, traiu e ainda matou vários inocentes. Por isso escolhemos malhá-lo”, contou Maria do Carmo da Costa, que organizou a brincadeira.

E antes do boneco ser exposto, a ‘malhação’ já era aguardada com ansiedade pela criançada da rua, que, durante toda época de Páscoa, repete a brincadeira na comunidade. “Nossa intenção principal é mostrar o significado religioso desse ato”, acrescentou Maria do Carmo.

A aposentada também explicou que a tradição da malhação do Judas já existe na comunidade há quase uma década. “Tudo começou com o meu marido, o João Baixinho, que era morador antigo e fazia isso desde 2002. Em 2008 ele nos deixou e pediu para que essa brincadeira não morresse junto com ele. Prometi que daria continuidade e assim venho fazendo”, disse a aposentada, que contou com a ajuda dos vizinhos para confeccionar o boneco.

O Judas ‘Wellington Menezes’ levou quase um mês para ser confeccionado. ‘Como trabalho os dois horários, só me restava o turno da noite para fazer o boneco. Usei gesso, pedaços de madeira, espuma e fita crepe. O mais importante é que a tradição foi mantida e pudemos externar a nossa revolta com aquele homem que matou tantas crianças”, afirmou o pedreiro Cícero Andrade, que ajudou a montar o Judas.

Tradição remonta ao passado

A tradição de ‘malhar o Judas’, que começou na Península Ibérica, chegou a América Latina ainda nos primeiros séculos da colonização européia. O ato simbólico foi idealizado para que os católicos pudessem se ‘vingar’ de Judas Iscariotes, o apóstolo traidor. Apesar de continuar acompanhando Jesus Cristo, Judas dizia que tinha perdido a fé no Mestre.

Obcecado pelo dinheiro, antes de se afastar de Cristo, o apóstolo se juntou aos membros do Conselho Supremo dos Judeus e, em troca de recompensas financeiras, acabou entregando Jesus aos inimigos logo após a última ceia. Depois da traição ele se arrependeu, quis devolver o dinheiro, mas já era tarde. Jesus foi crucificado e, Judas, não se perdoando pela traição, enforcou-se numa corda, pulando de cima de uma árvore.

Por isso, quando o personagem de Judas Iscariotes é ‘malhado’ pelas crianças, geralmente está pendurado num poste ou numa árvore. A menina costuma bater nos bonecos com pedaços de pau até derrubá-lo e terminam de destruí-lo quando ele cai no chão.
Gazetaweb - com Janaina Ribeiro

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