terça-feira, 8 de junho de 2010

Cientistas agora caçam mosquitos e bactérias por satélite

Tele-epidemiologia permite determinar bairros menos arriscados para malária no Senegal

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Foto por Reprodução
Pesquisadores usam satélites para mostrar
evolução de mosquitos em certas áreas

Pesquisadores estão usando satélites para detectar mosquitos e bactérias, que causam doenças como a malária e as gastroenterites, e para fazer o acompanhamento de epidemias nas zonas mais afastadas do mundo - a técnica é chamada de tele-epidemiologia.

O espaço e suas múltiplas aplicações (a meteorologia, o estudo dos oceanos, a análise da vegetação) permitem determinar quando uma espécie perigosa ameaça se espalhar, explicou Murielle Lafaye, responsável pelo programa de tele-epidemiologia do Centro Nacional de Estudos Espaciais francês (CNES) durante o salão Tolouse Space Show, que começou nesta terça-feira (8) e vai até a próxima sexta-feira (11) na cidade francesa.

O exército recorreu aos serviços do CNES em tele-epidemiologia para determinar os bairros urbanos menos arriscados para a malária no Senegal, graças a uma cartografia de vegetação, das edificações, etc.

As bactérias que transmitem doenças ao mariscos e ao homem são detectadas graças à presença do zooplâncton. Em uma zona de aquicultura, os satélites permitem seguir o desenvolvimento do zooplâncton, as taxas de salinidade e a temperatura da água, e alertam os biólogos se as condições forem boas para a proliferação de bactérias.

O acompanhamento de uma epidemia como a da gripe aviária, relata Murielle Lafaye, também beneficiou-se muito dos satélites. Eles permitem seguir as rotas migratórias dos pássaros, prever com os ornitólogos as mudanças em caso de rajadas de frio, etc.

Os especialistas do CNES utilizam diversos satélites que lhes permitem constatar a evolução do clima e tomar medidas antes que as "doenças limitadas às zonas tropicais cheguem", explica Murielle Lafaye.

Como os satélites descobrem as bactérias

Tudo começa no local. Um entomólogo ou um biólogo define os elementos que anunciam uma possível proliferação desses insetos ou desses vírus, vetores de doenças às vezes mortais.

No caso dos mosquitos, os especialistas buscam, por exemplo, que espécie ocorre em uma certa zona, em que tipo de local põe seus ovos, as condições de chuva propícias às larvas, etc.

Esses elementos são agrupados em modelos em função das chuvas, dos períodos de seca, das condições climáticas que favorecem a eclosão das larvas, da turvação dos açudes. Depois, são observados por satélites, tornando possível prevenir as autoridades sanitárias para que reforcem a vigilância, usem vacinas ou mosquiteiros.

A corresponsável pelo programa de tele-epidemiologia, Cécile Vignolles, realiza já mapas preventivos de riscos no Senegal para a febre do Vale do Rift, transmitida pelos mosquitos aos ovinos e bovinos jovens. Assim, os pastores ficam sabendo onde podem deixar os animais durante a noite para diminuir os riscos de doenças.

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