domingo, 2 de maio de 2010

Manual do amor com 200 perguntas

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Amor: como usá-lo?

Simplificações à parte, é uma espécie de manual do amor, do sexo e da paixão que o sociólogo italiano Francesco Alberoni traz em seu novo livro, Lições de Amor. O autor, de 80 anos, é um dos maiores estudiosos das relações afetivas do mundo. Professor da universidade de Milão, ele também é médico e trem especialização em Psicologia. Já escreveu 28 livros sobreo tema, traduzidos em vinte idiomas. O autor, que também é colunista do jornal Corriere della Sera, diz que falta à sociedade contemporânea “educação amorosa”, pela qual as pessoas poderiam compreender melhor a dinâmica dos relacionamentos. Lições de amor, que está sendo lançado no Brasil pela Editora Rocco, seria sua resposta a este anseio.

As perguntas vão desde questionamentos que parecem um inocentes (”como pode uma única pessoa proporcionar a alguém mais felicidade que muitas outras?” ou ” a medicina pode nos curar do mal do amor?”) a outras, mais maduras (”O amor é sempre possessivo, é sempre uma obsessão?” ou “O orgasmo feminino é favorecido pelo amor?”). O livro é dividido em temas: enamoramento e amor; do amor à primeira vista ao amor completo; o sexo e o amor; o passado; enamoramento e deslumbramentos passageiros; o prazer; erotismo masculino; erotismo feminino; o casal; quando o amor acaba; amantes; o jogo do amor.

Alberoni tem, como característica, conseguir equilibrar noções científicas sobre o amor e o sexo com o bom senso e a observação de quase seis décadas de seus pacientes e pesquisados. Daí tirou 200 questões mais frequentes nos relacionamentos. “As perguntas que acabei coletando no livro foram feitas por homens e mulheres, jovens e velhos, italianos e estrangeiros, hetero e homossexuais, apaixonados ou apenas curiosos”, diz. Não é fácil responder a perguntas sobre o amor ou a paixão, sentimentos subjetivos e flexíveis. Mas do alto de sua experiência, Alberoni consegue fazer um livro interessante que situa o leitor em relação ao tema, mas também sobre si próprio e suas próprias histórias. Sua linguagem é científica e poética. “Porque o saber é ciência, mas o amor é poesia”, ele diz.

Selecionei 7 perguntas e trechos de respostas. Quem quiser mais, o livro já está nas livrarias). Existe amor à primeira vista? Não, não existe. O enamoramento pode começar com um olhar, quase como uma descarga elétrica, mas nunca deixa de ser um processo com questionamentos, dúvidas, momentos de exaltação e de incerteza. (…)

Existem pessoas que nunca se apaixonam?
Sim, sem dúvida. Todos nós possuímos defesas contra o enamoramento. Não queremos baixar a guarda, não desejamos nos entregar. Há pessoas que se defendem de forma tão perfeita que nunca se apaixonam. Na maioria das vezes, trata-se de alguém que sofreu graves frustrações na infância. (…)

A sexualidade, no amor, tem a mesma importância para todos?
Não. Todas as pessoas apaixonadas tendem a fundir-se eroticamente, mas em algumas delas o foco central do relacionamento não é a sexualidade. Há outras, por sua vez, cuja carga erótica é muito forte e então, quando estão apaixonadas, experimentam uma verdadeira fusão entre sexo e amor, razão pela qual qualquer coisa que façam tem um toque de erotismo. (…)

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Os não ciumentos não amam?


Quando amamos, queremos que o nosso parceiro nos ame de forma exclusiva, e se, porventura, recearmos que o objeto do nosso amor prefira, ainda que momentaneamente, outra pessoa, então ficamos ciumentos. Quando não amamos, não nos importamos com o fato de o outro não amar somente a nós, de não desejar só a nós. Mas seria um erro pensar que, quanto mais amamos, mais nos tornamos ciumentos. (…) O ciúme quase não existe quando se tem certeza do amor (seja isto verdade ou apenas uma percepção subjetiva). (…)

Pode haver prazer sem orgasmo?
Pode. A nossa tradição sempre considerou o orgasmo fundamental. (…) O prazer pode ser mais duradouro que o orgasmo, como ensinam muitas culturas orientais. (…)

A sexualidade do casal precisa de constante exercício?
Sem sombra de dúvida. É fundamental que duas pessoas casadas continuem a fazer amor e não se deixem tentar pela ideia de ficar adiando. O erotismo, como qualquer outra atividade humana, só existe enquanto for exercido e aprimorado. (…) Muitos casais transformam seis corpos em objetos inertes, e o mais triste é que às vezes motivo é a preguiça.

É possível apaixonar-se pela internet?
De verdade, não. Pode ser um começo, um ponto de partida do processo (…). Somente através do relacionamento e do contato pessoal poderemos saber se o que havíamos percebido e intuído era real. A prova final e definitiva do amor é o corpo.

por Martha Mendonça |

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