
Com a entrada da mulher no mercado de trabalho, o papel de mãe mudou?
Antes de engravidar elas juraram amor e dedicação incondicional, mas após os quatro meses de licença-maternidade, chegou a hora de voltar ao trabalho. Com o coração na mão, é preciso deixar o pequeno aos cuidados de terceiros: avós, babá, creche. Passando o dia inteiro fora, nem sempre é possível dar a atenção que o filhote merece.
Com a entrada da mulher no mercado de trabalho, o papel de mãe mudou? Para a secretária Indaiara Nobrega (23 anos), mãe de Beatriz (4 anos), sim:
"A teoria de mãe ser cem por cento integral não se aplica mais". Indaiara considera a mudança negativa e sente falta de participar da vida da filha, de acompanhar seu crescimento e suas descobertas: "Minha filha me cobra. Pede para eu não ir trabalhar aquele dia, ficar mais um pouco e levá-la à escola. Não entende porque a mãe da coleguinha não trabalha e eu tenho que fazê-lo", desabafa. Outras figuras de referência (avós, professores) são importantes para a educação da criança, mas cabe aos pais impor limites, explicitar valores e regras de convivência .No lar da arquiteta e urbanista Viviane Konzen (32 anos), o pequeno Henrique (1 ano e 5 meses) também não gosta de história de "mãe moderna". "Sempre que saio pra trabalhar ele expressa um sentimento de frustração por ter que interromper nossas brincadeiras. Por vezes, ensaia um chorinho tentando me convencer a ficar", relata Viviane.Assumindo novos papéisAinda que não seja mais possível estar 24 horas ao lado da cria, especialistas afirmam que o papel da mãe não se modificou. "A mãe continua sendo o elo mais forte vivido pelo bebê. É ela quem possibilita sua sobrevivência nos primeiros meses de vida e, a partir das interações, dá os primeiros passos no caminho da socialização da criança", explica a psicóloga Deise Maria Fernandes Mendes. Mas as cobranças da sociedade e da própria família aumentaram. "Ao mesmo tempo em que se deseja uma mãe que permaneça a maior parte do tempo cuidando dos filhos, se espera que ela seja bem sucedida em uma profissão e mantenha-se informada do que se passa no mundo", constata a especialista. Por outro lado, se não ocorreu uma inversão de papéis, uma coisa é certa: a participação paterna nas tarefas domésticas cresceu. "O pai passou a ter que ajudar dentro de casa nos cuidados com o bebê", conclui a psicóloga Tagma Marina Schneider Donelli.Como fica a educação?No lar da jornalista Patrícia Martins Ferreira (36 anos), mãe de Thiago (3 anos), a preocupação fica por conta da educação do pequeno. "A mãe que passa a maior parte do tempo fora de casa perdeu o papel forte que tinha na educação dos seus filhos. O amor e o carinho compensam a ausência, mas não educam", argumenta. Foi com o mesmo zelo que Viviane contratou uma babá para ajudá-la nos cuidados com o pequeno Henrique, desde os dois meses de vida. "Precisava de alguém que colaborasse no processo de educação dele", confessa a arquiteta, que acabou com um novo desafio. "Difícil foi achar alguém responsável, de boa índole e da minha confiança".Com ou sem babá, a educação continua sendo dever dos pais. "É neles que as crianças espelham suas atitudes e comportamentos", acredita a secretária Indaiara. A psicóloga Tagma concorda: "Outras figuras de referência (avós, professores) são importantes para a educação da criança, mas cabe aos pais impor limites, explicitar valores e regras de convivência".Mais difícil do que conviver com a ausência do filhote pode ser lidar com o medo da perda desse amor. "Tive receio de que a babá ocupasse meu lugar e o Henrique preferisse a ela", revela Viviane. Mas quanto a isso, Tagma tranquiliza: "Esse medo é comum, mas é preciso que os pais suportem, inclusive, a frustração da criança de não tê-los ao lado. Um filho jamais deixará de amar seus pais". Para garantir seu lugar, Patrícia determinou as funções da babá e as dela. "A hora do banho e da comida eram minhas", lembra.
Por Luana Martins • 20/03/2009
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