quinta-feira, 22 de março de 2012

É possível amar duas pessoas ao mesmo tempo?

Esta pergunta contém uma armadilha, pois as implicações de qualquer resposta - sim ou não - envolvem dois níveis de realidade: a dos sentimentos e a das convenções sociais. Como está colocada passa a impressão de que amar alguém e estar envolvido num relacionamento amoroso seriam a mesma coisa. E não é bem assim. Muitos relacionamentos, incluindo casamentos, estão baseados em razões bem diferentes das amorosas.
A sexualidade das outras espécies animais é completamente regulada por instintos. No caso do homem, há complicações. Além dos instintos, nós possuímos uma consciência capaz de regular o nosso comportamento erótico.
Há também a convenção social que determina quantos parceiros alguém pode ter. Dependendo da cultura, da sociedade ou da época histórica, esse número pode mudar.
Na sociedade ocidental cristã admite-se a monogamia. O amor por uma única pessoa é um comportamento relativamente recente na história da humanidade. A partir do surgimento do amor romântico, o homem passa a regular seu comportamento admitindo apenas um parceiro.
Isto não impede que nós possamos desejar outras pessoas. O desejo erótico escapa ao nosso controle. Nem por isso somos forçados a sucumbir toda vez que nos sentimos atraídos, uma vez que a construção de uma relação exige foco e energia. Compreender que o sentir não é construído, mas que a relação é, torna-se aqui, fundamental.
A paixão e o desejo se constelam quando projetamos no outro características nossas ainda não desenvolvidas.Pode acontecer de uma pessoa encontrar num único parceiro as condições necessárias para essa projeção. Mas, pode ocorrer de encontrá-las em parceiros diferentes.
Concluindo, ao voltarmos a atenção para o sentimento, as coisas se complicam (ou simplificam ...). O amor, a paixão e o sexo têm movimento próprio, são ilimitados potencialmente. Não se subordinam às conveniências e nem à vontade; podem eleger mais de um objeto.
Mas será possível relacionar-se com mais de um parceiro ao mesmo tempo?
Aqui sim temos uma questão ética com que lidar. Se alguém ama duas pessoas e vive numa sociedade monogâmica; terá de enfrentar um conflito entre seus sentimentos e os sentimentos das outras pessoas envolvidas. Sua dcisão não poderá excluir nenhuma das partes e vai envolver algum nível de sacrifício e comprometimento com as consequências da escolha. Poderá permanecer monogâmico ou relacionar-se com ambos os parceiros, (ou com nenhum) desde que pague o preço.
Autores: Carla Regino, Fernanda Menin, Helena Girardo de Brito, João Paiva, Lilian Loureiro, Luiz André Martins, Mariana Leite, Marina Winkler, Priscila Parro e Thiago Pimenta - sob a coordenação da profa. Dra.Noely Montes Moraes

2 comentários:

  1. eu acho que é possível sim, até por que eu já passei por isso, o que acontece é que quando vc se interessa por 2 pessoas, uma vc realmente ama e a outra vc só tem atração, mas vc esta tão encantado com a 2 pessoa que chega a achar que esta amando ela, vc tem que ver qual é a pessoa mais importante pra vc, se é essa pessoa aí ou a sua namorada, é só ver o que o seu coração realmente sente...
    Meire- Cuiaba-MT

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  2. Carla Abbondanza
    Penso diferente. Penso que o amor por si não tem limitações, não vem de fonte esgotável, que permite entrega apenas a um ou a outro. Porém, acredito também que o \"poli-amor\", ou seja, o amar várias pessoas ao mesmo tempo, implica em razões diferentes. Ama-se a esposa pela história em comum, pelo casamento em seu sentido mais amplo, pela família, pela segurança. Ama-se a amante pela aventura, pela inconstância, pela irresponsabilidade, pelo desapego. São fontes de realização e/ou complementação diferentes e nem sempre as pessoas conseguem abrir mão de uma fonte em prol da outra.
    Estou com isso defendendo a traição? De forma alguma. O que devemos ao fazer uma escolha, abre-se mão das outras opções. Ao casar-se, abre-se mão de outras experiências durante a vigência do casamento. Realmente acredito nisso. Mas não posso negar que há, sim, a possibilidade de ser tomado de assalto por ansêios e desejos não realizados dentro da relação monogâmica, sem que isso elimine o sentimento que se tem pelo(a) parceiro(a).
    Carla Abbondanza



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