domingo, 1 de janeiro de 2012

Cleptomania: crime ou disfunção?

Mal atinge principalmente as mulheres


A cleptomania é classificada pela psiquiatria como um distúrbio compulsivo que leva a pessoa a furtar objetos de lojas, supermercados a até mesmo da casa de parentes e de amigos. Este transtorno geralmente começa no fim da adolescência e continua por vários anos. É considerada atualmente uma doença crônica e que atinge todas as faixas etárias. Pesquisas em estabelecimentos comerciais revelam que, pelo menos, em 5% dos roubos estavam envolvidos cleptomaníacos.

Estudos psiquiátricos mostram que há mais casos de cleptomania em mulheres do que em homens e que o transtorno pode ter causas familiares ou individuais.

O portador do distúrbio dificilmente consegue resistir ao impulso de furtar. E quando comete o roubo não é levado pelo valor do objeto. Normalmente, ele surrupia coisas de baixo custo, objetos que teria condições de adquirir sem grande esforço. Ele age assim como uma forma de enfrentar a angústia e a ansiedade que atormentam a sua vida.

O cleptomaníaco passa por momentos de crescente tensão antes de cometer o furto, mas sente prazer, alívio e satisfação depois de cometer o ato. Os indivíduos que sofrem desta patologia não planejam seus atos, mas muitas vezes, podem evitar furtar quando isso pode ter consequências graves, como ser gravado por câmeras de vídeo ou ser pego pela polícia. Além disso, ao cometer o furto, o cleptomaníaco jamais pede a ajuda de terceiros. Na maioria das vezes, a identificação do portador desse transtorno se torna muito difícil porque até que ele seja flagrado roubando, costuma ter um comportamento absolutamente normal.

Após o roubo, o paciente costuma reconhecer o erro de seu gesto, não consegue entender porque o fez nem porque não conseguiu evitar. A reação quase sempre é de vergonha e ele tenta esconder a atitude ilegal de todas as pessoas que lhe são próximas. As características do mal se assemelham muito à Perturbação Obsessivo-Compulsiva, por se tratar de um impulso (por definição incontrolável) que leva o paciente a sentir-se culpado e envergonhado depois de cometer o ato ilícito.

Normalmente as pessoas que sofrem de cleptomania podem apresentar distúrbios associados, como depressão, anorexia, bulimia, ansiedade e fobias. O tratamento exige paciência porque precisa contar com a colaboração da pessoa que sofre com o problema. Parentes e amigos próximos de cleptomaníacos têm papel fundamental no tratamento, principalmente na questão do incentivo porque este costuma ser longo.

O psiquiatra Ícaro Pacheco, membro da Associação Psicanalítica Internacional e da Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro, e um dos maiores especialistas do assunto, explica que o diagnóstico sobre a cleptomania é feito por meio de entrevistas e sessões psicoterápicas. O médico esclarece que o transtorno pode ser tratado com relativo sucesso, principalmente com psicoterapia e psicanálise, mas raramente é completamente eliminado.

Agência Unipress Internacional

Por Carlos Antonio
carlos.antonio@arcauniversal.com

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