sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Como a Internet está mudando a amizade

Nunca foi tão fácil manter contato e conhecer gente nova pela internet. Graças às redes sociais, nunca tivemos tantos amigos. Mas isso está transformando a própria definição de amizade.


Qual é a primeira coisa que você faz quando entra na internet? Checa seu e-mail, dá uma olhadinha no Twitter, confere as atualizações dos seus contatos no Orkut ou no Facebook? Há diversos estudos comprovando que interagir com outras pessoas, principalmente com amigos, é o que mais fazemos na internet. Só o Facebook já tem mais de 500 milhões de usuários, que juntos passam 700 bilhões de minutos por mês conectados ao site - que chegou a superar o Google em número de acessos diários. A internet é a ferramenta mais poderosa já inventada no que diz respeito à amizade. E está transformando nossas relações: tornou muito mais fácil manter contato com os amigos e conhecer gente nova. Mas será que as amizades online não fazem com que as pessoas acabem se isolando e tenham menos amigos offline, "de verdade"? Essa tese, geralmente citada nos debates sobre o assunto, foi criada em 1995 pelo sociólogo americano Robert Putnam. E provavelmente está errada. Uma pesquisa feita pela Universidade de Toronto constatou que a internet faz você ter mais amigos - dentro e fora da rede. Durante a década passada, período de surgimento e ascensão dos sites de rede social, o número médio de amizades das pessoas cresceu. E os chamados heavy users, que passam mais tempo na internet, foram os que ganharam mais amigos no mundo real - 38% mais. Já quem não usava a internet ampliou suas amizades em apenas 4,6%.

Então as pessoas começam a se adicionar no Facebook e no final todo mundo vira amigo? Não é bem assim. A internet raramente cria amizades do zero - na maior parte dos casos, ela funciona como potencializadora de relações que já haviam se insinuado na vida real. Um estudo feito pela Universidade de Michigan constatou que o 20 maior uso do Facebook, depois de interagir com amigos, é olhar os perfis de pessoas de gente que acabamos de conhecer. Se você gostar do perfil, adiciona aquela pessoa, e está formado um vínculo. As redes sociais têm o poder de transformar os chamados elos latentes (pessoas que frequentam o mesmo ambiente social que você, mas não são suas amigas) em elos fracos - uma forma superficial de amizade. Pois é. Por mais que existam exceções a qualquer regra, todos os estudos apontam que amizades geradas com a ajuda da internet são mais fracas, sim, do que aquelas que nascem e crescem fora dela.

Isso não é inteiramente ruim. Os seus amigos do peito geralmente são parecidos com você: pertencem ao mesmo mundo e gostam das mesmas coisas. Os elos fracos não. Eles transitam por grupos diferentes do seu, e por isso podem lhe apresentar coisas e pessoas novas e ampliar seus horizontes - gerando uma renovação de ideias que faz bem a todos os relacionamentos, inclusive às amizades antigas. Os sites sociais como Orkut e Facebook tornam mais fácil fazer, manter e gerenciar amigos. Mas também influem no desenvolvimento das relações - pois as possibilidades de interagir com outras pessoas são limitadas pelas ferramentas que os sites oferecem. "Você entra nas redes sociais e faz o que elas querem que você faça: escrever uma mensagem, mandar um link, cutucar", diz o físico e especialista em redes Augusto de Franco, que já escreveu mais de 20 livros sobre o tema. O problema, por assim dizer, é que a maioria das redes na internet é simétrica: se você quiser ter acesso às informações de uma pessoa ou mesmo falar reservadamente com ela, é obrigado a pedir a amizade dela, que tem de aceitar. Como é meio grosseiro dizer "não" a alguém que você conhece, mesmo que só de vista, todo mundo acabava adicionando todo mundo. E isso vai levando à banalização do conceito de amizade. "As pessoas a quem você está conectado não são necessariamente suas amigas de verdade", diz o sociólogo Nicholas Christakis, da Universidade Harvard. É verdade. Mas, com a chegada de sites como o Twitter, a coisa ficou diferente.

Amizade assimétrica

No Twitter, eu posso te seguir sem que você tenha de autorizar isso, ou me seguir de volta. É uma rede social completamente assimétrica. E isso faz com que as redes de "seguidores" e "seguidos" de alguém possam se comunicar de maneira muito mais fluida. Ao estudar, com um time de pesquisadores, a sua própria rede no Twitter, Christakis percebeu que seu grupo de amigos tinha começado a se comunicar entre si independentemente da mediação dele. Pessoas cujo único ponto em comum era o próprio Christakis acabaram ficando amigas entre si. "As redes sociais estão ficando maiores e mais diversificadas", diz o sociólogo e pesquisador de redes Barry Wellman, da Universidade de Toronto.

É o seguinte. Eu posso me interessar pelo que você tem a dizer e começar a te seguir. Nós não nos conhecemos. Mas você saberá quando eu o retuitar ou mencionar seu nome no site, e poderá falar comigo. Meus seguidores também podem se interessar pelos seus tuítes e começar a seguir você. Os seus seguidores podem ter curiosidade sobre mim e entrar na conversa que estamos tendo. Em suma: nós continuaremos não nos conhecendo, mas as pessoas que estão à nossa volta estabelecem vários níveis de interação - e podem até mesmo virar amigas entre si.

Mas boa parte dos cientistas ainda acha que, mesmo estando em contato com qualquer pessoa mais facilmente e a todo o momento, a distância conti-nuará prejudicando as amizades. "A internet faz com que você consiga desacelerar o processo, mas não salva as relações", acredita o antropólogo Robin Dunbar. "No fim das contas, ainda precisamos estar próximos das pessoas de vez em quando." É verdade. A maioria dos especialistas em relacionamento humano acredita que a proximidade física é essencial para sentirmos os efeitos benéficos das amizades profundas. Só que o cérebro pode estar começando a mudar de opinião.

Um estudo que está sendo realizado na Universidade da Califórnia começou a desvendar o efeito que as redes sociais produzem no organismo. Mais precisamente, o que acontece com os níveis de ocitocina quando usamos o Twitter, por exemplo. É há um efeito. Os primeiros resultados mostraram que tuitar estimula a liberação desse hormônio, e consequentemente diminui os níveis de hormônios como cortisol e ACTH, associados ao estresse.

Isso significa que o cérebro pode ter desenvolvido uma nova maneira de interpretar as conversas no Twitter. "O cérebro entende a conexão eletrônica como se fosse um contato presencial", diz Paul Zak. Isso seria uma adaptação evolutiva ao uso da internet. "O sistema de ocitocina está sempre se ajustando ao ambiente em você está", diz. "Pode ser que, de tanto interagir em redes sociais, as pessoas estejam se tornando mais sintonizadas para a amizade. E aí elas acabam fazendo mais amigos, inclusive presencialmente." Ou seja: além de mudar as amizades, a internet também pode acabar modificando o próprio cérebro humano. Mas ainda é cedo para dizer se acabaremos nos tornando seres hiperssociais, com cérebros capazes de acomodar um número maior de amigos. O próprio Paul Zak diz que não é possível desconsiderar a importância do contato físico - um dos mais importantes estimulantes da liberação de ocitocina no organismo. "No máximo, vamos ter mais possibilidades de manter relações íntimas a distância por mais tempo", diz. Outros, como Robin Dunbar, acham que a tecnologia ainda pode nos surpreender, e romper a última barreira da amizade online: "O Skype e outros serviços do tipo não são bons o suficiente, porque não nos permitem tocar um no outro em realidade virtual. Ainda."

AMIZADE POS-MODERNA
A internet e as redes sociais se baseiam em dois tipos de relação:

Amizade simétrica
É recíproca: se eu quiser ter você como amigo e acessar o seu perfil, você precisa autorizar o pedido e se tornar meu amigo também.
Pró: Privacidade. Você decide quem terá acesso às suas informações.
Contra: Reduz a possibilidade de conhecer gente nova.
Exemplos: Facebook / Orkut / Flickr / Linkedin / MSN / Last.fm

Amizade assimétrica
Não é recíproca: eu posso adicionar ou seguir você sem precisar pedir permissão (e posso inclusive fazer isso sem que você saiba).
Pró: Torna muito mais fácil a formação de laços e comunidades.
Contra: Mais difícil de virar amizade íntima, pois a interação é pública.
Exemplos: Twitter / Buzz / Tumblr / Blip.fm

por Camilla Costa
Superinteressante

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Viva Afrodite !


Novas pesquisas revelam aquilo que durante muito tempo homens e mulheres não conseguiram - ou não quiseram - ver: o corpo feminino foi feito para o prazer

Está no cinema, nos livros, na educação dos filhos, na postura dos homens escorados na esquina, no olhar das meninas no shopping: o homem é o motor sexual da espécie. A mulher vai a reboque. É masculino o instinto poligâmico de fecundar o maior número de fêmeas que puder e passar adiante os seus genes. É feminina a tendência monogâmica de escolher o melhor parceiro possível para gerar a prole de melhor qualidade. E depois segurar o seu macho no ninho, de modo a melhor proteger os filhos.

Essas premissas têm feito muito sentido e garantido há séculos uma determinada relação de força entre os sexos. Só que as muralhas de Jericó estão prestes a ruir. Uma série de descobertas sobre a sexualidade feminina estão questionando convicções há muito estabelecidas, como a idéia de que os homens gostam mais de sexo que as mulheres ou de que os hormônios masculinos são uma bênção enquanto que os femininos são uma desgraça. Hoje, sabe-se que o estrógeno, a poderosa substância acendedora da libido feminino, não é só coisa de menina – os homens também o têm no corpo e precisam dele para evitar doenças como a osteoporose.

Novas evidências sobre o clitóris e pesquisas de comportamento animal provaram que a mulher nasceu, sim, para ter prazer no sexo e que sua propagada vocação para a monogamia não passa de imposição cultural, sem nada a ver com sua programação natural.

O biólogo Tim Birkhead, da Universidade de Sheffield, Inglaterra, é um dos cientistas que estão se insurgindo contra Jericó. Ele acabou de lançar o livro Promiscuity (Promiscuidade), no qual analisa vários animais e conclui: as fêmeas da maioria das espécies – do gafanhoto ao chimpanzé – acasalam com vários machos. Entre os bonobos – os primatas mais parecidos com o homem – mais da metade da prole de uma mãe é composta de filhos que não foram concebidos pelo seu parceiro habitual. Isso implode o argumento de que as fêmeas são projetadas pela natureza para serem fiéis. Outro exemplo é o do caranguejo do gênero Ocypoda, habitante do litoral brasileiro. Os ocypodas machos produzem uma substância que endurece em contato com o ar. Essa argamassa é usada para bloquear o canal em que as fêmeas guardam o esperma recebido e impedir que outros parceiros a fecundem. Se as fêmeas fossem tão castas, por que o caranguejo ia se preocupar tanto? (Você está pensando no cinto de castidade? Bingo.) Depois da Idade Média, os machos humanos passaram a preferir táticas mais sutis para garantir que os seu genes – e não os dos outros – se propaguem. Criaram teorias científicas para convencê-las de que ter mais de um parceiro não é natural.

“A concepção de que só os homens são poligâmicos é o maior mito da sexualidade”, afirmou à Super a antropóloga Helen Fisher, da Universidade Rutgers, de Nova Jérsei, Estados Unidos. Em seu livro Anatomia do Amor, Helen estudou o comportamento sexual de homens e mulheres em 62 sociedades ao redor do planeta e concluiu que o adultério é tão comum entre nós quanto o casamento. É claro que muitas mulheres (e homens também) optam por ser fiéis. Mas isso é uma escolha, não uma imposição biológica. Em seu mais recente livro (The First Sex, lançado nos EUA no ano passado), Helen avança em suas conclusões, mostrando a face cultural de muitos axiomas tidos como naturais e sugerindo que a superação dos mitos vai guindar as mulheres, neste século, à condição de exercer papéis, inclusive sexuais, equivalentes aos dos homens – ou até de maior destaque.

Nos anos 60, as feministas saíram por aí gritando que homens e mulheres são iguais e, portanto, elas têm tanto direito ao prazer quanto eles. A tese feminista acerta na conclusão mas erra no argumento: homens e mulheres não são iguais. De fato, são totalmente diferentes na forma como lidam com sexo e desejo. Só que essas diferenças não proclamam a supremacia masculina. Ao contrário: a mulher tem mecanismos de prazer até mais sofisticados que os dos homens.

“A sexualidade da mulher tem foco amplo. Inclui romance, lençóis bonitos, dançar, jantar, perfumes. A do homem é concentrada no orgasmo”, diz Helen, a mais destacada autora deste movimento “pós-feminista”, que baseia seus argumentos em pesquisas científicas. O desejo dos homens seria mais constante; o das mulheres, mais intenso. O que desmonta a tese de que a busca do prazer seja assunto exclusivamente masculino. Se fosse assim, como explicar que são as mulheres, e não os homens, que têm um órgão exclusivamente planejado para o deleite sexual?

O clitóris, para quem não conhece, é uma pequena protuberância localizada na junção superior dos pequenos lábios da vulva. Ele tem 8 000 fibras nervosas – uma concentração maior do que em qualquer outro lugar do corpo (o pênis tem metade disso). Mas dissemos “pequena” protuberância? Não é bem assim. Em 1998, a ginecologista australiana Helen O’Connell, do Hospital Real de Melbourne, Austrália, descobriu que o clitóris é bem maior do que imaginava a mais raçuda e aguerrida feminista. Ele mede até 9 centímetros (veja infográfico à esquerda).

A pesquisa sobre o orgasmo feminino também sofreu com muitos anos de confusão e conclusões apressadas. O pensador grego Galeno defendia, no século II, a tese de que as mulheres precisavam ter orgasmo para engravidar. Essa idéia, que permaneceu viva até o século XVIII, poderia servir para valorizar o prazer feminino: quem quisesse ter um filho teria que proporcionar o clímax à parceira. Mas na prática não foi bem assim. As mulheres continuaram a ter filhos sem sentir prazer e aquelas que tinham a desventura de engravidar após um estupro eram acusadas de devassidão – a gravidez funcionava como um sinal de que elas haviam gostado de ser violentadas. Muitas foram condenadas à morte por causa disso.

Apesar do engano fatal de Galeno, atualmente os médicos estão encontrando evidências de que o orgasmo, se não é necessário para engravidar, pode facilitar a fecundação. Indício disso é a movimentação do colo do útero durante o êxtase, que “sugaria” o sêmen depositado na vagina para dentro de si. Dois pesquisadores britânicos, Robin Baker e Mark Bellis, filmaram recentemente esse fenômeno graças a uma microcâmera colocada na ponta de um pênis.

A curiosa pesquisa de Baker e Bellis prova que o orgasmo feminino é fundamental para a reprodução. Segundo eles, por exemplo, é mais fácil uma mulher engravidar do amante do que do marido porque a relação extraconjugal teria dois ingredientes em falta no lar: paixão e prazer. Ou seja, o fato de o homem chegar ao clímax sempre do mesmo jeito e a mulher dispor de um imenso repertório de orgasmos não é casual. A capacidade de ter prazer do corpo feminino existe porque tem uma função. A evolução não costuma dar ponto sem nó.

Os mecanismos do orgasmo feminino são tão complicados que os médicos ainda estão longe de entendê-los. Exemplo: ninguém conseguiu arrumar uma boa explicação para o fato de haver orgasmos clitorianos e vaginais. Freud difundiu a idéia de que o êxtase atingido a partir da estimulação direta do clitóris seria imaturo, comparado ao obtido com a penetração. Hoje ninguém mais classifica o clímax por ordem de maturidade, mas as mulheres garantem que há uma diferença. Difícil de entender, já que não foi identificado nenhum motivo orgânico para isso. “Ambos os estímulos passam pela mesma rede nervosa”, diz Angelo Monesi, psicólogo do Instituto Paulista de Sexualidade. Segundo ele, só 30% das mulheres são capazes de ter orgasmo dos dois jeitos. Mas o psicólogo ressalta que esse não é um sonho impossível – tudo depende de estímulos adequados e, acima de tudo, do estado emocional e psicológico.

A variedade orgástica feminina não pára aí. Há também os orgasmos múltiplos – algo que homem nenhum, por mais sensível, vai conseguir compreender. Quanto mais, sentir. Na verdade, existem dois tipos de orgasmos múltiplos. Um é o multiorgasmo, no qual a mulher consegue emendar rapidamente cada clímax em uma nova fase de excitação e, assim, ter três ou quatro orgasmos seguidos. Mas, sorte mesmo, têm as poliorgásticas. Essas felizardas têm um êxtase depois do outro, sem precisar de novas fases de excitação, porque se mantêm num platô de tensão sexual por muito tempo. Todas as mulheres têm a possibilidade de ter um multiorgasmo, mas poucas provam um poliorgasmo, que depende de características inatas.

Tecnicamente, o orgasmo feminino é um reflexo do corpo, que se manifesta por contrações vaginais. Ele é resultado de uma combinação complexa de estímulos. “Podem ser visuais, imaginários, clitorianos, táteis...”, diz Sônia Penteado, ginecologista da Universidade de São Paulo. Algumas vezes o desejo sexual se reduz por motivos orgânicos, como um tumor na hipófise, que passa a produzir em excesso a prolactina, hormônio inibidor da libido (responsável pela perda de apetite sexual durante a amamentação). Mas esse tipo de problema é raríssimo. Poucas mulheres são fisicamente incapazes de ter orgasmo. Tal incapacidade em geral é fruto de condições psicológicas, como traumas decorrentes de um abuso sexual, de uma educação rígida ou de opressão social e religiosa. Acredita-se que 14% das mulheres são incapazes de ter orgasmo – 6% delas têm algum problema mas já experimentaram essa sensação e 8% jamais vão saber do que se trata.

Mas se as mulheres estão mais sujeitas que os homens aos obstáculos emocionais que atrapalham o sexo, seu sofisticado mecanismo de prazer é de fazer inveja a qualquer varão. A mente feminina tanto pode bloquear o prazer quanto produzi-lo. “Há casos de mulheres que chegam ao orgasmo só com o pensamento”, diz Sônia. As moças dão uma surra nos homens no quesito fantasia sexual. Elas tendem a ser bem melhores na hora de manifestar seu desejo. “A mulher faz curso de sexualidade, de dança do ventre, de strip-tease... O homem só está preocupado em se manter firme”, diz Monesi.

Essa sutileza psicológica feminina impede soluções fisiológicas simples àquelas que sofrem de distúrbios sexuais. Na maioria dos casos, as dificuldades das mulheres não estão na excitação, mas na fase anterior: o desejo, algo puramente emocional. “Por isso não há grande vantagem em criar um Viagra para mulher”, diz Sônia. É que o medicamento atua na irrigação sangüínea e não no desejo. Testes recentes mostraram que a pílula azul não tem efeito significativo sobre o prazer da mulher. Não que o sangue não seja importante para elas: um homem, para ter uma ereção, precisa de 100 ml de sangue. Já a mulher usa quase 1 litro para a lubrificação vaginal e o intumescimento do clitóris e dos grandes e pequenos lábios. Mesmo assim, na menopausa, quando a eficiência da circulação pélvica cai bastante, muitas mulheres não perdem a capacidade de sentir prazer, o que indica o quanto a mente é importante na libido feminina.

Aliás, a menopausa é outro tópico que vem sofrendo revisões. No reino animal, as fêmeas em idade avançada morrem após perder a fertilidade – a evolução é impiedosa com quem não contribui para a perpetuação da espécie. Não é assim com os humanos. Por quê? Recentemente, alguns antropólogos físicos sugeriram que as fêmeas de nossa espécie vivem décadas produtivas após a menopausa pois há milênios isso serviria para manter a taxa de natalidade alta. Nos bandos primitivos, as avós ajudavam a alimentar os netos, o que permitia a suas filhas amamentar por menos tempo e ter outras crianças mais rápido.

Um homem rancoroso poderia argumentar que a exuberância sexual da mulher é compensada pela tensão pré-menstrual, a famigerada TPM. Muitas mulheres foram queimadas como bruxas na Idade Média por causa da ignorância sobre o assunto. Supunha-se que as atitudes agressivas que iam e vinham eram fruto de possessão demoníaca. Hoje, a fogueira foi substituída por remédios ou implantes hormonais subcutâneos. “Algumas mulheres têm uma irritabilidade tão grande que é necessário medicar”, diz Helena Hachul, ginecologista da Universidade Federal de São Paulo. Também em relação à TPM, os cientistas estão descobrindo que as coisas não funcionam do modo como se imaginava. Pesquisas recentes mostram que nem todas as mulheres sofrem com ela: algumas afirmam ter maior clareza intelectual e desejo sexual nesse período. “A descarga hormonal pode aguçar a competitividade”, afirma Sônia. Ou seja: as mulheres perceberam que a TPM traz coisas boas – não é apenas um momento de fragilidade.

Cada vez mais os cientistas entendem como o desejo se manifesta nas mulheres, o que é ótimo. Para elas, porque ter consciência das potencialidades do próprio corpo é um grande passo para sentir mais prazer e ser mais feliz. Para os homens, bem, para os homens porque a possibilidade de o horizonte deste século estar repleto de mulheres bem-resolvidas, desejosas e felizes é uma grande notícia.

por Fábio Peixoto
Superinteressante

Lágrimas de rato são afrodisíacas


Mas não adianta ficar animado - só funciona de um animal para o outro


Olha só, dar uma chorada ajuda a conquistar as gatinhas — aliás, ops, as ratinhas. Pesquisadores da Universidade de Tóquio descobriram que as lágrimas dos ratos machos contêm feromônios que as fêmeas acham irresistíveis.

Eles contam que os ratos lacrimejam bastante para manter seus olhos úmidos, e aí as lágrimas — e os feromônios — acabam se espalhando pelos corpinhos deles. Quando a fêmea entra em contato com a substância, seu cérebro manda uma resposta que a torna três vezes mais propensa a copular com o chorão.

Mas não se animem, marmanjos. Os humanos não têm o código genético da substância, nem o receptor, então chorar na balada provavelmente não vai te ajudar muito.

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Postado em mundo animal, sexo

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Nova vacina pode tornar a aids inofensiva




Testada em humanos, vacina aumentou produção de células que combatem o vírus HIV. Se for bem sucedida, será mais uma arma no tratamento da doença

Modelo tridimensional do vírus da aids: vacina, aliada aos remédios atuais, poderá controlar a doença (Centro Nacional de Biotecnología (CSIC) / Comunicación CSIC)
A aids nunca esteve tão próxima de seu fim como doença letal. O Conselho Superior de Pesquisa Científica da Espanha (CSIC, na sigla em espanhol) anunciou nesta quarta-feira uma vacina capaz de provocar uma resposta imunológica contra o vírus HIV em 90% dos casos. A pesquisa, que já está na fase clínica, sendo testada em humanos, mostrou que, mesmo um ano após receber a vacina, 85% dos voluntários ainda mantinham a imunidade.

"Se tudo der certo, o HIV representará, no futuro, o que o vírus da herpes representa hoje: uma infecção menor que só atinge pessoas com o sistema imunológico debilitado”, afirmou nesta quarta-feira o pesquisador Mariano Esteban, do Centro Nacional de Biotecnologia da Espanha, vinculado ao CSIC, responsável pelo desenvolvimento da vacina.

Centro Nacional de Biotecnología (CSIC) / Comunicación CSIC

Mariano Esteban, pesquisador do Centro Nacional de Biotecnologia da Espanha e responsável pelo desenvolvimento da vacina
A pesquisa, publicada nos periódicos Vaccine e no Journal of Virology, além de eficaz, se mostrou perfeitamente segura. Por isso, será administrada, em sua fase 2 de testes clínicos, em voluntários já infectados pelo vírus, como forma de determinar sua eficácia não apenas na prevenção, mas também no tratamento da doença. "Já provamos que a vacina pode ser preventiva. Em outubro, vacinaremos pessoas infectadas com HIV", disse Felipe García, do Hospital Clínic de Barcelona, que participou dos testes com os voluntários.

Como funciona — Quando administrada em voluntários saudáveis, a vacina faz com que o sistema imunológico detecte e aprenda a combater componentes do vírus. "É como mostrar uma fotografia do vírus HIV ao sistema imunológico para que ele possa reconhecê-lo quando o vir novamente no futuro", disse Mariano Esteban.

As principais células de defesa do organismo são os linfócitos T e B. As células B são responsáveis pela chamada imunidade humoral, que ataca as partículas de HIV antes que elas infectem as células. As células de defesa T induzem a imunidade celular, que detecta e destrói as células já infectadas.

A vacina funciona estimulando a produção dessas células. Testes feitos nos 24 voluntários que participaram da pesquisa, um ano depois de receber a vacina, mostraram que a produção de ambos os tipos de células de defesa aumentou em até mais de 70%, enquanto no grupo controle (seis voluntários que não tomaram a vacina) não houve aumento.

Opinião do especialista
Ricardo Shobbie Diaz
infectologista da Unifesp

"É mais provável mesmo que a vacina seja usada como tratamento e não como medida profilática. Mas ela é extremamente promissora, principalmente se for usada em combinação com os remédios atuais, que reduzem a carga viral dos pacientes."
Memória — Para que a vacina seja realmente eficaz, é preciso que ela produza linfócitos especiais com "memória", formados após o primeiro ataque do vírus. Elas ficam no corpo por anos, à espreita de uma nova investida do vírus.
Novamente, testes feitos um ano após a aplicação da vacina mostraram que, em 85% dos voluntários, 50% das células de defesa eram linfócitos T com memória.

No entanto, segundo Esteban, a vacina não é capaz de eliminar totalmente o vírus HIV do organismo. "Mas a imunidade celular que a vacina produz faz com que o vírus fique sob controle", diz o pesquisador espanhol. "Se o vírus tentar entrar na célula, o sistema imunológico desativará o vírus e destruirá a célula infectada."

Até agora, a única vacina contra o HIV que chegou à terceira fase de testes clínicos foi feita na Tailândia. As duas primeiras fases testam a toxicidade do composto e sua eficácia, enquanto a terceira e a quarta examinam a posologia do remédio. Como gerou uma defesa de apenas 27%, não pôde ser utilizada na população.

(Com Agência EFE)

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Casais brigam 312 vezes por ano, diz pesquisa

Casais brigam mais por motivos banais, diz pesquisa
Uma pesquisa britânica mostra que casais que vivem juntos brigam, em média, 312 vezes por ano. O levantamento, feito com três mil pessoas por um fabricante de artigos para banheiros, mostrou que os motivos das discussões são banais: problemas vão desde o comando do controle remoto, até a toalha molhada na cama.
Na maioria das vezes, as desavenças ocorrem às quintas-feiras, por volta das 20h, e têm duração de 10 minutos.
"As brigas acontecem porque, normalmente, as pessoas chegam irritadas do trabalho em casa. Estão tão sem paciência que não conseguem conversar, já partem logo para brigas, diz a presidente da Associação Brasileira de Sexualidade, Carla Cecarello. Segundo ela, ao contrário do que muitos pensam, essas "briguinhas" não são saudáveis e atrapalham a relação.
Conversa franca
"A mulher é mais de questionar, cobrar, dizer que o parceiro não presta atenção nela. O homem suporta aquilo até um limite e, depois, estoura. O relacionamento, se não for estável, pode acabar, explica.
Para evitar tantas brigas, o segredo é a humildade: chame o(a) parceiro(a) para uma conversa franca, de cabeça fria. "É preciso que alguém tome a iniciativa de chamar para o diálogo, dizer o que sente e buscar harmonia. E que ambos se comprometam a fazer sua parte para que a relação melhore", orienta Carla.
O que irrita as mulheres:
1 - Deixa pelos na pia
2 - Esquece o vaso sanitário sujo
3 - "Surfa" entre canais de TV
4 - Não troca o rolo de papel higiênico
5 - Não abaixa a tampa da privada
6 - Deixa luzes acesas
7 - Não recolhe xícaras sujas pela casa
8 - Acumula toalhas molhadas no chão e na cama
9- Larga pertences espalhados
10- Não dá descarga
O que irrita os homens
1 - Demora para ficar pronta
2 - Reclama que ele não faz nada
3 - Deixa as luzes acesas
4 - Entope o ralo do chuveiro com cabelo
5 - Espalha pertences pela casa
6 - Enche a lata de lixo
7 - Deixa lenços de papel pela casa
8 - Não recolhe xícaras sujas pela casa
9 - "Surfa" entre canais de TV
10 - Assiste a novelas

Fonte Terra

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Você engordou? A culpa é do seu cérebro

Um novo estudo sugere que, nos obesos, ele está programado para tornar a comida mais atraente

APETITE O modelo devora um sanduíche.  O cérebro dos obesos reage diferente às tentações  (Foto: Shutterstock)APETITE

A gora é científico. O mesmo sanduíche, recheado com um suculento pedaço de picanha, envolto em uma generosa fatia de queijo derretido, é mesmo mais apetitoso para uma pessoa com quilos a mais na balança do que para um magro. E a culpa, aponta uma nova pesquisa, é do cérebro dos gordinhos. Ele estaria programado para cobiçar mais do que o cérebro dos magros os alimentos altamente calóricos, como hambúrguer, batata frita e biscoito.


A evidência veio de pesquisadores da Universidade Yale, nos Estados Unidos, uma das mais prestigiadas do mundo. A equipe liderada pela bioquímica Kathleen Page e pela psiquiatra Dongju Seo comparou o funcionamento do cérebro de cinco obesos e de nove magros. Enquanto eles eram submetidos a um exame de ressonância magnética, que mapeia as áreas do cérebro em ação, os voluntários observavam uma sequência de imagens de comidas gordurosas.

A pesquisa mostra que os magros pensam na comida de maneira racional. Os obesos, de forma impulsiva

O exame foi repetido algumas vezes. Quando magros e obesos estavam com fome de verdade, porque fazia tempo que tinham se alimentado, o cérebro de ambos indicava o mesmo padrão de ativação. As áreas mais acionadas eram do sistema límbico, encarregado pela sensação de prazer quando conseguimos algo que desejamos. A explicação é evolutiva: fomos programados para sentir prazer quando saciamos a fome – uma forma de evitar morrer de fome.

Quando os pesquisadores injetaram glicose nos voluntários para simular no organismo o efeito de saciedade após uma refeição, o padrão de ativação cerebral mudou. Nos magros foram acionadas regiões do córtex pré-frontal, responsável por tarefas racionais, como planejar atividades e tomar decisões, como “comer ou não comer?”. Nos obesos, a área racional foi menos ativada. “Isso significa que o cérebro dos obesos não consegue controlar o impulso, como faz o dos magros”, diz a psiquiatra Rajita Sinha, uma das autoras da pesquisa.

O estudo, publicado na semana passada no periódico científico The Journal of Clinical Investigation, precisará ser replicado por outros cientistas. “O estudo pode trazer novas formas de abordar o problema”, afirma o endocrinologista carioca Walmir Coutinho, presidente da Associação Internacional para o Estudo da Obesidade. Por ora, o estudo ajuda a esclarecer que o desafio de emagrecer não decorre apenas de falta de vontade, como diz o senso comum.

ALEXANDRE DE MELO

Revista época

domingo, 25 de setembro de 2011

Porque a volta sempre parece mais curta

Chegar a um destino geralmente “demora” mais do que voltar dele. Conhecido como “o efeito viagem de regresso”, o senso comum é de que a volta parece demorar menos tempo porque a pessoa está familiarizada com o percurso.

Mas um novo estudo descobriu que a familiaridade e a previsibilidade podem não ser as razões da viagem de regresso parecer mais curta. Ao invés disso, uma incompatibilidade de expectativa é mais provável que esteja em jogo.

“Todo mundo parece pensar que o efeito viagem de retorno é provocado pelo reconhecimento das coisas ao longo do caminho”, diz Niels van de Ven, principal autor do estudo. “Entretanto, eu também experimentei a sensação durante viagens de avião, nas quais eu não reconhecia as coisas. Então eu queria saber por que o efeito existe”, explica.

Para descobrir isso, sua equipe rastreou 69 participantes em uma viagem de ônibus de um dia inteiro. Embora cada percurso tenha levado a mesma quantidade de tempo, os voluntários relataram que a viagem inicial levou mais tempo.

Quanto mais os participantes acreditavam que a ida parecia mais lenta do que o esperado, mais rápida a viagem de volta parecia, apesar de marcos familiares terem sido vistos.

Um segundo estudo analisou uma forma diferente de transporte – uma viagem de bicicleta. Desta vez, 97 calouros de faculdade viajaram por uma floresta através de dois caminhos igualmente distantes. Duas horas depois, um terço retornou pelo mesmo caminho, enquanto o resto voltou por uma rota diferente, do mesmo comprimento.

Apesar de todas as rotas levarem 35 minutos, os estudantes estimaram que a viagem de ida levou 44 minutos e a volta 37 minutos. Estudantes que usaram duas rotas diferentes tenderam a sobre-estimar o tempo de cada viagem em comparação com aqueles que saíram e voltaram da mesma maneira.

Seja de ônibus ou bicicleta, os pesquisadores ficaram surpresos ao descobrir que “as pessoas sentiram que a viagem de retorno foi cerca de 22% menor do que a viagem inicial”, disse van de Ven.

Ele acredita que o que acontece é que as pessoas geralmente são muito otimistas sobre a viagem inicial, que quando começa a levar muito tempo, é decepcionante.

Então, quando eles retornam, eles estão antecipando que vai demorar muito tempo e, em comparação com esta expectativa, a viagem de volta não parece tão ruim.

Mesmo assim, existem alguns casos em que o efeito viagem de regresso não se aplica. Um deles é quando uma rota torna-se muito familiar, como um deslocamento diário, porque as expectativas de tempo de viagem se tornam mais precisas.

A segunda pode ser quando você está indo para um lugar negativo, como o dentista. Você pode chegar mais cedo do que gostaria, o que faz o retorno para casa parecer mais lento.

Além disso, você pode não enfrentar esse efeito em um curso de maratona, quando está mais cansado na viagem de volta. E você não obterá o efeito se percorrer a mesma distância até uma montanha e depois para baixo, porque o terreno muda.

Mas e aí: você normalmente sente que a viagem de volta leva menos tempo?[MSN]

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Pudim de leite em pó



Um pudim delicioso feito com ingredientes simples, que você tem em casa 15 minutos 8 porções
Ingrediente para caramelizar
1 xícara (chá) de açúcar
Ingredientes para o pudim
2 xícaras (chá) de açúcar
3 xícaras (chá) de leite em pó
1 litro de água
4 ovos
1 colher (sopa) de amido de milho
modo de preparo
Leve o açúcar ao fogo baixo, mexendo sempre, até obter um caramelo. Caramelize uma fôrma para pudim e reserve. No liquidificador, bata todos os ingredientes do pudim e despeje na fôrma caramelizada. Leve ao forno em banho-maria para assar por 45 minutos ou até que, ao enfiar um palito, ele saia limpo. Espere esfriar e leve à geladeira. Desenforme e sirva gelado.

Fotografia:
Marcelo de Breyne

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Artista cria 'Jesus sarado' para aproximar jovens da religião



Artista se inspira na Bíblia para criar imagens: "ele era um carpinteiro da classe trabalhadora"
Notícia anterior Charlie Sheen deve receber R$ 44,4 milhões em acordo com a WarnerPróxima Jesus Cristo, herói do século 21. A reinvenção de quem, para os cristãos, é o filho de Deus gerou um fenômeno artístico nos Estados Unidos. Com peitoral marcado, braços musculosos e atitude de vencedor, o Cristo chegou inclusive à capa do jornal "The New York Times". "Um Chuck Norris de sandálias", assim definiu-o a publicação.

O autor dos desenhos, o artista Stephen Sawyer, 58, criou o projeto Art4God para tentar aproximar os jovens da religião. "Todos somos evangelistas de alguma coisa", disse Sawyer à BBC. "Sou o pregador do homem que viveu há 2 mil anos e continua sendo meu herói."

O artista sustenta que a imagem de Jesus masculino e forte vem da Bíblia. "Dificilmente poderiam ter narrado cenas como o ataque de Jesus aos mercadores do templo se o protagonista da história fosse um fracote", defende Sawyer. "Era um carpinteiro da classe trabalhadora. Com certeza o seu corpo era forte e musculoso, porque essa era a sua ferramenta de trabalho."

Através de livros, revistas e blogs, o desenhista, que vive em Kentucky, tem viajado os Estados Unidos alimentando o seu movimento. Apesar do sucesso, as imagens foram questionadas por grupos de conservadores, para quem destacar o físico de Jesus relega o seu aspecto espiritual.

"Fico feliz que se crie um movimento em torno disto. A ideia é deixar de lado nossos prejuízos e aceitar as crenças de todos a partir da tolerância", responde o autor. "Não sei como Cristo era visto há 2 mil anos, nem me importa. Quero criar uma iconografia que seja relevante para hoje."
BBC Brasil 22/09/2011 08:47

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Rir cura mágoas e rejuvenesce



O riso cura o mau humor, alivia os males da alma, torna as mulheres mais belas, os homens interessantes e a vida leve. Confira os resultados de uma das pesquisas mais felizes da temporada!

O homem gosta de rir por rir. A mulher, para parecer mais leve, bonita e sedutora. Para eles, a risada é um fim. Para elas, um meio. Essa é uma das conclusões da antropóloga Mirian Goldenberg, paulista radicada há anos no Rio de Janeiro, que resolveu pesquisar o papel do riso na nossa cultura. Mas, afinal, quem está certo, o homem ou a mulher? Ambos. A alegria é um bem em si, mas a intuição feminina não se engana: o sorriso é uma poderosa arma de conquista. Não serve apenas para encantar o sexo oposto mas também para fazer amigos e abrir portas. “Na minha opinião, o riso e o sorriso são até mais importantes do que a palavra”, afirma Mirian. Você pode dizer coisas pertinentes, mas, se tiver um discurso sério demais, não consegue se comunicar, pois não faz contato afetivo com o outro.” A especialista garante que o riso é valorizado no Brasil, mas sua importância não é a mesma em todo lugar. Entre suas entrevistadas, por exemplo, há uma brasileira de 47 anos que já morou em vários países e há dez anos se fixou nos Estados Unidos. Ao comparar o humor brasileiro e norte-americano, ela considera que estamos muito melhor na foto: “Temos até rituais coletivos, nos quais rimos de nós mesmos, como o Carnaval e as festas juninas. Os brasileiros são capazes de rir das suas heranças culturais, da pobreza, da homossexualidade, de tudo. Já os rituais americanos são cheios de pompa e tradição, daí a praga do politicamente correto. Eles acreditam que devem parecer sérios para provar que têm valor. Nós somos mais relaxados. Como sabemos zombar de nós mesmos, não temos tanto medo do ridículo porque, no fundo, acreditamos que o mais importante é ser feliz”.

No Brasil, nos comunicamos muito com os gestos e o corpo. O riso, expressão física de contentamento, é tido como um modo de cada um vender seu peixe, negociar e contornar conflitos. “Além da alegria, ele também é uma demonstração de receptividade e acolhimento. Associado a outros elementos não verbais, ganha diversos significados”, explica o psicólogo Ailton Amélio, especialista em comunicação não verbal e relações amorosas. Segundo ele, um belo sorriso acende o sinal verde na paquera; já a capacidade de rir junto é prova de cumplicidade e sintonia fina entre os casais.

Cláudia Ramos, Dalila Magarian e Déborah de Paula Souza
Revista Claudia

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Entre tapas e beijos.




Estranho paradoxo o que a maioria dos casais experimenta: ao mesmo tempo em que desejam sinceramente serem felizes e fazer com que o relacionamento dê certo, sem se darem conta vão agindo no sentido de armar uma verdadeira guerra um contra o outro. Ou seja, buscam a alegria, mas pelo caminho da tirania. Resultado? Não dá certo!

Alegria é resultado de atitudes leves, que incluem compreensão, ponderação, reflexão, paciência, capacidade de colocar-se no lugar do outro, aprender a relevar, desculpar, não endurecer tanto, não acusar tanto, olhar para si mesmo e buscar um comportamento mais equilibrado... Ao passo que a tirania é a conduta arrogante e prepotente de quem sempre tem razão e é incapaz de aceitar as diferenças, de concordar que o outro pode pensar e sentir de modo adverso e, ainda assim, ambos terem razão. As suas razões.

Claro que muitas pessoas imediatamente reagem a esse tipo de acusação dizendo que não são assim, que não se consideram sempre certos. Porém, pergunto: se você está brigando e discutindo com alguém, o que mais está fazendo senão tentando provar que ele está equivocado e que você está certo? Afinal, esta é a base de qualquer crise – um descordar do outro!

Não estou querendo insinuar que num relacionamento nunca haverá discordâncias. Isto é impossível. O que proponho é uma reflexão sobre o quanto elas são recorrentes e o quanto têm se tornado um jeito de exercitar o amor. Sim, porque muitas pessoas terminam considerando as constantes brigas e discussões como “normais”. E embora sintam o peso deste clima, a tensão e a falta de alegria, continuam presas nesta dinâmica doentia e destrutiva.

Como mudar? Como sair deste círculo vicioso? Como para a maior parte das perguntas sobre relacionamentos, começaria dizendo que a solução é simples, mas nem por isso fácil! Aliás, por ser tão simples, mas tão profunda e exigir tanta autenticidade, não é mesmo nada fácil. Mas é possível e, sobretudo, vale muito a pena!

Comece considerando a única verdade sobre relacionar-se: é preciso que você faça a sua parte e se responsabilize por ser o melhor que pode, a cada dia. Isso quer dizer que enquanto você continuar discutindo, gritando e tentando convencer o outro de que está com a razão, bem pouco vai adiantar e dificilmente vão se entender!

Pare e ouça. Sim, ouça o que o outro está dizendo. Se não entender, pergunte! Interesse-se por descobrir o que ele está sentindo, o que está pedindo, do que sente falta, o que quer, como quer, quanto quer! Nenhuma solução pode ser encontrada se você não souber e compreender exatamente o que está acontecendo no seu relacionamento.

E acredite: não se trata de submissão ou de fazer o que você não quer. Não se trata de se desrespeitar ou ignorar seus limites. Não! Trata-se de flexibilizar, crescer, rever conceitos e crenças. Trata-se de aprender e evoluir! Isto é relacionar-se de verdade.

Cada vez que você se disponibiliza a pelo menos tentar (mas tentar de verdade, com todo seu coração) a conciliação, em vez de se desgastar apontando os erros e as limitações do outro, você está, de fato, praticando o exercício de amar!


domingo, 18 de setembro de 2011

Spray de insulina ajuda memória de pessoas com Alzheimer--estudo


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Por Julie Steenhuysen

CHICAGO (Reuters) - O uso diário de um spray nasal de insulina ajudou a melhorar o raciocínio e memória de portadores do mal de Alzheimer, disseram pesquisadores dos EUA na segunda-feira.

O estudo foi limitado a 104 pacientes com sintomas leves a moderados da doença, ou então com um distúrbio precursor do Alzheimer, a deficiência cognitiva amnésica branda (aMCI, na sigla em inglês). Mesmo pacientes submetidos a uma dose menor também tiveram melhora ao se lembrarem de detalhes de uma história, após um pequeno intervalo.

"Nossos resultados sugerem que a administração da insulina intranasal pode ter um benefício terapêutico para adultos com aMCI ou mal de Alzheimer", escreveram Suzanne Craft, da Escola de Medicina da Universidade de Washington, em Seattle, e colegas dela, na revista Archives of Neurology.

Especialistas alertam que os resultados precisam ser confirmados em estudos maiores e mais prolongados, mas dizem que o resultado é bem-vindo num momento em que há poucos tratamentos efetivos para os problemas de memória que atingem os portadores do mal de Alzheimer, uma doença degenerativa incurável.

Os participantes do estudo foram aleatoriamente distribuídos em três grupos: 36 participantes receberam uma dose moderada de insulina pelo nariz diariamente; outros 36 por cento receberam uma dose diária maior; e 30 pacientes usaram um placebo, durante quatro meses.

Os participantes eram chamados a recontar uma história imediatamente depois de ouvi-la, e após um pequeno intervalo. O grupo que recebeu a dose moderada, de 20 unidades internacionais (IU), se mostrou mais capaz que o grupo do placebo para recontar a história. O grupo que tomou a dose mais elevada (40 IU) não teve diferença em relação ao grupo do placebo.

Ambos os grupos que usaram insulina, no entanto, demonstraram melhoria na capacidade de raciocínio num teste chamado ADAS-cog.

"Tomados coletivamente, esses resultados oferecem um impulso para futuros testes clínicos", escreveram Craft e seus colegas.

Estudos anteriores já haviam sugerido uma ligação entre o mal de Alzheimer e a diabete tipo 2. Além disso, vários estudos sugerem que a ingestão nasal de insulina - que leva a substância apenas para o cérebro - pode melhorar o desempenho de ratos diabéticos que foram geneticamente manipulados para desenvolverem Alzheimer.

Cerca de 35 milhões de pessoas no mundo todo sofrem do mal de Alzheimer, a forma mais comum de demência. Os medicamentos atuais tratam os sintomas, mas não há drogas capazes de conter a progressão da doença, que é fatal.

sábado, 17 de setembro de 2011

Universidade usa nova técnica de emagrecimento: suborno

Estudo deu prêmios em dinheiro para participantes que perdiam peso

Perda de peso foi maior no grupo que concorreu a prêmios

Perda de peso foi maior no grupo que concorreu a prêmios (Thinkstock)

Quando nada mais funciona para perder peso, a solução pode vir na forma de recompensas financeiras. Um estudo realizado pela Universidade de Connecticut, nos Estados Unidos, com dois grupos de pessoas com sobrepeso ou obesas, mostrou que a perda de peso é maior quando há dinheiro, mesmo que pouco, envolvido.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: A Low-Cost Reinforcement Procedure Improves Short-Term Weight Loss Outcomes

Onde foi divulgada: American Journal of Medicine

Quem fez: Nancy Petry, William White, Linda Pescatello, Danielle Barry

Instituição: Universidade de Connecticut, EUA

Dados de amostragem: 56 adultos com sobrepeso ou obesidade

Resultado: A intervenção baseada em recompensas aumenta a perda de peso em um breve período de tempo.

O estudo, coordenado por Nancy Petry, diretora do Programa de Comportamento Preventivo do Centro de Cardiologia da universidade, dividiu 56 pessoas com sobrepeso ou obesas em dois grupos que receberiam, por 12 semanas, aconselhamento nutricional, físico e psicológico. Mas um dos grupos receberia, além do aconselhamento, prêmios de um a cem dólares por perder peso e completar as atividades voltadas ao emagrecimento.

Quando um participante perdia peso, meio quilo em uma semana, por exemplo, ele podia sortear um cartão entre 500. Metade dos cartões eram prêmios, a maioria no valor de um dólar, mas alguns davam direito a objetos como um iPod. Resultado: ao final das duas semanas, a perda média foi de 6% do peso total no grupo que podia concorrer aos prêmios, contra somente 3,5% no grupo que recebeu apenas aconselhamento.

Segundo a pesquisa, publicada no American Journal of Medicine, cada participante ganhou, em média, 14 dólares por semana em prêmios. “Do ponto de vista econômico, o que torna este tipo de intervenção tão atraente são os ganhos associados à perda de peso, como a redução do risco de diabetes e problemas cardíacos, que superam em muito os gastos com os prêmios”, disse Nancy Petry.
Revista Veja

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Lealdade x fidelidade







Por Helena M. Pessoa
Até as mulheres mais duronas que não se deixam abalar por nada ficam arrepiadas com as seguintes palavras: infidelidade e deslealdade. Mas até isso tem um motivo, afinal, quando se pensa em casar quer se fazer tudo a dois. E quando aparece uma terceira pessoa a situação complica. Mas será que ser desleal quer dizer a mesma coisa que infiel? Numa relação amorosa essas palavras assumem papéis diferentes...ou não? Abrimos o debate! O que você pensa?

Fidelidade é cultura
É certo que fidelidade tem muito mais apelo na nossa cultura, inclusive pela conotação sexual da expressão. "Se buscarmos lá atrás, em tempos mais remotos, vemos que fidelidade tem a ver com a virgindade das mulheres. Era a garantia que o homem tinha de que os filhos seriam realmente seus legítimos herdeiros", conta o psicólogo e professor da PUC-SP Antonio Carlos Amador, autor do livro Ou eu, ou ela (Editora Harbra).

Acho que existem dois tipos de traição, a sexual e a moral. Nem sempre quem é infiel é desleal. Eu, por exemplo, perdoaria uma traição sexual, mas nunca uma deslealdade, que é quando você confia em alguém e este alguém lhe apunhala pelas costas

Mas antigamente, pasmem, ser fiel não era, digamos, de praxe em algumas sociedades. Os casais de Esparta, na Grécia, não davam a mínima para o adultério. Pelo contrário: ele era praticado sem pudores para combater o ciúme excessivo. E nem a Igreja Católica segurou as francesas de Savóia! Uma vez por ano, elas se reuniam para visitarem tabernas e se encontrarem com outros homens. Todas, atenção, com o consentimento dos respectivos maridos.

Mas os tempos mudaram. Falar, hoje, em traição, seja como contrário de fidelidade ou de lealdade, é quase como provocar uma centelha num terreno altamente inflamável e explosivo. Por outro lado, a psicóloga Maria Alves Bruns (sexualidadevida.com.br) explica que fidelidade e lealdade têm muito mais a ver com o pacto que o casal estabeleceu para si do que com qualquer outra coisa. "Ser fiel e ser leal são dois atributos complementares que andam sempre de mãos dadas. No meu entendimento, para ser leal é preciso ser fiel e vice-versa", diz a psicóloga. Mas ela admite que nada no mundo dos relacionamentos amorosos é tão simples assim e que tudo depende do modo como o casal acerta certas regras da relação.

O que eles e elas pensam

Para Elaine Cristina Pires, advogada, há toda a diferença do mundo entre uma coisa e outra. "A fidelidade diz respeito ao relacionamento, enquanto a lealdade é um sentimento maior e mais individual", explica. Ela acredita que, para uma pessoa ser leal à outra, é preciso, em primeiro lugar, ser leal a si mesma. "Acho que a lealdade vem antes de tudo, porque alguém pode ser infiel, mas leal, como também pode ser completamente desleal, sem nunca ter sido infiel", opina Elaine Cristina.

"Leal a si mesma e infiel ao outro? Então é possível trair, mas continuar sendo leal ao casamento?", indaga Kátia Santana, administradora de empresas. "Isso, a meu ver, não existe. Quando a pessoa é infiel, de tabela acaba sendo desleal. Quando se trai um amigo ou um amor, você está sendo infiel e desleal: infiel com o amigo ou parceiro, e desleal consigo mesma", defende.

Fred Peixe, autônomo, discorda. Na opinião dele, fidelidade tem mais a ver com interesses sexuais e lealdade está relacionada a valores, personalidade, caráter. E confessa: "Sou casado há 25 anos, louco apaixonado pela minha esposa, entretanto acho que ela não tem mais atração sexual por mim. Sou um homem saudável, preciso e tenho vontade de ter uma vida sexual ativa, então às vezes fico com outras mulheres, mas nada sério - e nem quero! Vou terminar meus dias com a minha esposa". "Acho que não sou infiel, sou?", completa.

Situação parecida mexe com a vida do empresário Marcos Lopes*, um homem casado, sim, mas só até pisar em seu escritório. Lá, Marcos não se intimida: assiste a filmes pornôs e solta todas as suas feras em cima de quem ele está interessado. Para ele, rapidinhas no escritório não são traição e só seriam se ele levasse as mulheres para o motel. Segundo Marcos, que apesar de se considerar leal ao casamento enfrenta dilemas de consciência, a carne é fraca.

De acordo com o psicólogo Antonio Carlos Amador, isso reflete bem a nossa sociedade. Entre lealdade e fidelidade, ele conta que as mulheres em geral ficam com a lealdade, porque aprenderam, por um processo cultural, a relevar a traição carnal do marido. "Não viu o que a mulher do Renan Calheiros disse por esses dias? ‘Não sei como ele foi cair nessa', mas perdoou. A culpa sempre recai na amante e não no marido", diz o psicólogo. De acordo com ele, o problema é quando o homem dá afeto à outra. "Para a maioria delas, aí sim é deslealdade", diz Antonio Carlos. Já o homem tende a se preocupar mais com a fidelidade sexual. "É inconcebível que a mulher tenha prazer com outro", afirma Antonio Carlos.

Mas Fred Peixe, por exemplo, diz que nunca perdoaria sua mulher se ela colocasse nele um par de chifres. "Acho que existem dois tipos de traição, a sexual e a moral. Nem sempre quem é infiel é desleal. Eu, por exemplo, perdoaria uma traição sexual, mas nunca uma deslealdade, que é quando você confia em alguém e este alguém lhe apunhala pelas costas", afirma. De acordo com ele, ser fiel sexualmente mas tentar sabotar o parceiro de alguma outra forma é o que há de pior numa relação.

Pois é, ao que parece, é possível ser fiel e leal, infiel e leal, fiel e desleal e infiel e desleal. Confuso, não? O tema é mesmo complexo, mas acontece que para descomplicá-lo é simples: basta conversar.

Acordos, regras e compromissos

"Todos os relacionamentos existem com base em pactos de confiança", ressalta a psicóloga Maria Bruns. Segundo ela, o casal deve estabelecer quais são as regras do jogo. "Isso porque, afinal, o que é infidelidade ou deslealdade? Trocar olhares, paquerar platonicamente, marcar um encontro, trocar beijos?", pergunta. E elucida: "Depende do casal e do compromisso que cada um tem com o parceiro".

Selados os acordos entre o casal, qualquer ruptura pode ser considerada uma infidelidade. "O infiel é aquele que não cumpre o que foi combinado", explica Antonio Carlos Amador. "E quem é desleal mente, é desonesto, não é sincero, o que configura a traição", completa. Maria Bruns confirma: "Traição é aquilo que você faz sem o outro saber, às escondidas, quebrando o compromisso de lealdade".

Para muitas pessoas, a lealdade é importante porque ela tem a ver com amizade e cumplicidade. "Se o relacionamento sobrevive ao tempo, se o sexo deixa de existir ou não existe com tanta freqüência, outros sentimentos, como amizade e lealdade, acabam por manter unido o casal que se ama", acredita a advogada Elaine Cristina.

Portanto, se o casal decide estabelecer novos pactos, como o de relacionamento aberto, se permitindo escapadinhas extraconjugais, então estão sendo leais e fiéis ao que combinaram. Às vezes lealdade é, também, ver que a relação não está mais dando certo e partir para outra, sem correr o risco de trair ou de machucar alguém, de repente você mesma.

Fidelidade, lealdade... A lição que fica dessa história toda é que o importante é, acima de tudo, verdade e respeito.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Nova geração de mulheres acima de 50 mantém as pazes com espelho

ANNETTE SCHWARTSMAN
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

A francesa Catherine Deneuve e a brasileira Suzana Vieira, além da profissão de atriz, têm em comum a idade --67 e 68 anos, respectivamente-- e a exposição na mídia. Mas qual das duas está envelhecendo melhor?

Picos de felicidade estão na infância e na velhice
Na França, ritual de beleza é tradição entre as mulheres

A antropóloga Mirian Goldenberg, 52, acha que é mais fácil envelhecer na Europa do que no Brasil, onde a cultura obriga as mulheres a parecerem mais jovens.

"As brasileiras envelhecem antes que as europeias, cultural e subjetivamente, apesar de, na aparência, serem jovens por mais tempo."

Para a terapeuta familiar Tai Castilho, 67, a mulher mais velha no Brasil é vista como carta fora do baralho.

"Na Europa, além de haver mais respeito, as mais velhas são consideradas belas."


Fotomontagem
Acima, da esquerda para a direita: Meryl Streep, Bruna Lombardi, Isabelle Huppert e Angela Vieira; abaixo, da esquerda para a direita: Isabella Rossellini; Helen Mirren; Catherine Deneuve e Irene Ravache
Acima, da esquerda para a direita: Meryl Streep, Bruna Lombardi, Isabelle Huppert e Angela Vieira; abaixo, da esquerda para a direita: Isabella Rossellini; Helen Mirren; Catherine Deneuve e Irene Ravache

Segundo Goldenberg, nossa cultura valoriza menos a maturidade do que a jovialidade e a carne dura.

"Muitas mulheres percebem a aparência como veículo de ascensão social e como capital no mercado de trabalho, de casamento e de sexo".

Assim, é difícil a passagem do tempo não ser entendida como perda de capital.

Ainda comparando brasileiras e europeias, Goldenberg garante que as alemãs que entrevistou para suas pesquisas não se preocupam tanto com a aparência.

Segundo a dermatologista Meire Gonzaga, 38, excluindo as francesas, que dão muita importância à estética, não se observa o mesmo nos outros países europeus.

"As alemãs não se cuidam nem quando são jovens nem quando envelhecem."

Por aqui, a questão é outra. O Brasil é o segundo país no mundo em número de cirurgias plásticas e o terceiro consumidor de cosméticos, atrás de EUA e Japão, sem contar os tratamentos como aplicações de laser, botox, ácido hialurônico etc.

Para Gonzaga, o objetivo dos procedimentos menos invasivos não é deixar o paciente parecendo mais novo, mas atenuar linhas que deixam o rosto mais pesado.

Mas há quem não se contente com a mera suavização de sinais ou mesmo com os resultados das plásticas.

"As cirurgias têm limitações, você não consegue 100%, e sim 90%. Só que alguns pacientes não se satisfazem com 90%, e querem sempre mais e mais", diz o cirurgião Antonio Carlos Herrmann de Andrade, 51.

"A medicina pode colocar uma prótese de 1.500 g na sua mama, mas um bom cirurgião jamais faz isso."


editoria de arte/folha press/editoria de arte/folha press



domingo, 11 de setembro de 2011

Saiba como combater a caspa

É muito comum encontrar uma pessoa com o pescoço ou o ombro cheio de casquinhas brancas. Ao ver essa situação, não pensamos duas vezes antes de dar o diagnóstico: é caspa. Essa doença é tão frequente e conhecida que é difícil uma casa não ter pelo menos um pote de xampu anti-caspa. De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia, cerca de 40% da população mundial já teve ou tem o problema, sendo que os homens tendem a apresentar mais casos do que as mulheres. Mas, afinal, você sabe o que é caspa? Ela tem cura? Qual é o melhor jeito de tratar esse problema?

Segundo Gennaro Preite, especialista em saúde capilar, a caspa nada mais é do que uma pré-inflamação no couro cabeludo, que causa ruborização e descamações na área onde nascem os fios de cabelo. Quando a pele se solta é que começam a aparecer as incomodas crostas brancas na cabeça. Na maioria das vezes, a caspa é causada por um fator genético e a pessoa terá de conviver com o problema durante a vida inteira. Mas nem sempre os casos de caspa são irreversíveis.

Caspa- Foto Getty Images

De acordo com Gennaro, há casos em que a doença é causada por um fator de estresse ou uma mudança hormonal, ambos passageiros. "É comum que pessoas passem a ter caspa depois de uma cirurgia ou da perda de um ente querido. Essas situações alteram a produção de hormônios, o que causa um aumento da oleosidade na cabeça". Depois de um tempo, quando o organismo volta a ter níveis hormonais regulados, a caspa desaparece.

Se a doença não for tratada, pode evoluir para psoríase e, consequentemente, para uma infecção no couro cabeludo. "Como a caspa é mais vista como problema estético do que como doença, as pessoas demoram ou não procuram tratamento", diz Gennaro. Além das feridas na cabeça, a falta de tratamento e a higiene inadequada podem acelerar e até causar calvície, tanto em homens quando em mulheres, devido à dificuldade de respiração dos poros onde nascem os fios de cabelo.

Crianças

A caspa não tem idade para aparecer e também atinge muitas crianças. Os motivos para o aparecimento dessa inflamação são os mesmos que nos adultos - estresse, mudanças hormonais e fatores genéticos -, mas, nas crianças, a alimentação é um fator ainda mais importante.

"Crianças obesas normalmente apresentam quadros de caspa, principalmente quando estão chegando à puberdade, época em que há alterações muito grandes na produção de hormônios. Isso pode causar problemas psicológicos, já que na juventude os adolescentes sofrem com as brincadeiras dos colegas de escola", explica Gennaro.

Caspa- Foto Getty Images

Clima

De acordo com a dermatologista Flávia Addor, a caspa é mais frequente no inverno devido aos banhos quentes que são quase impossíveis de escapar no clima frio. "Isso estimula a produção do sebo e piora a descamação do couro cabeludo. Mas é bom lembrar que o banho quente sozinho não causa caspa, é preciso haver uma predisposição genética para desenvolver esse problema", afirma.

Além do banho quente, quando a temperatura está mais baixa, há uma menor quantidade de suor liberada pelo corpo, o que faz com que não haja uma limpeza na pele, inclusive no couro cabeludo. Isso também aumenta a quantidade de óleo nos poros que podem causar inflamações.

Tratamentos

O tratamento com laser é uma técnica relativamente recente no tratamento da caspa. "O laser é um método eficaz de tratar as descamações do couro cabeludo. Depois de uma sessão, é provável que o paciente fique livre da caspa entre uma e três semanas. Mas, depois disso, a pele volta e a pessoa precisa retornar para fazer mais uma aplicação", explica Gennaro.

Segundo Gennaro, o laser combate a caspa por esquentar e evaporar as camadas de pele que ficam acumuladas na parte superficial do couro cabeludo, antes que elas se soltem. Mas, quando novas descamações ocorrem, é preciso voltar a fazer aplicações de laser.

Xampus que combatem a caspa também são uma boa alternativa para controlar a caspa. "Essas loções costumam vir com um detergente mais forte, que limpa tanto as escamações que estão nos fios quanto as que se encontram no coro cabeludo. No entanto, o efeito só dura um dia, e é preciso ter um cuidado constante com o cabelo", explica Gennaro.

Alimentação

A mudança na alimentação também é uma forma eficaz, mas não tão simples de implantar na rotina. "Alguns alimentos reduzem as escamações devido à desintoxicação dos radicais livres que eles oferecem", conta o especialista.

Os chás de hortelã, abacate e camomila, que contêm substâncias antiinflamatórias e antioxidantes, são bebidas que controlam a escamação da pele solta no cabelo. A soja e seus derivados e o broto de bambu também ajudam no controle da caspa pelo mesmo motivo.

Por outro lado, o consumo de alimentos ricos em gorduras saturadas, açúcares e lipídeos, aumenta as chances de o indivíduo sofrer com uma inflamação. Por isso, carne vermelha, bolachas, bolos e doces devem ter consumo controlado, principalmente, por pessoas que têm predisposição à caspa.

Descubra se o relacionamento vai dar certo

Sim, dá para calcular se seu romance vai dar certo. A amizade vale 10; o desrespeito e a indiferença tiram pontos. Conferimos os detalhes dessa equação com o psicólogo americano John Gottman, que pesquisa o tema há 35 anos e criou o teste de conexão emocional

O amor não é ciência, mas a saúde de um relacionamento pode ser diagnosticada. Isso é o que faz o Ph.D. e professor emérito de psicologia da Universidade de Washington John Gottman em seu Love Lab, o Laboratório do Amor. Há 35 anos pesquisando relacionamentos, ele já acompanhou mais de 3 mil casais nos Estados Unidos, escreveu 37 livros e mais de 130 artigos. Em 1996, fundou o The Gottman Institute ao lado da mulher, a psicóloga Julie Schwartz Gottman. Para prever as chances de sucesso conjugal, Gottman criou uma metodologia capaz de mensurar os ingredientes que fazem a receita amorosa crescer ou desandar. E garante que o índice de acerto dessa balança chega a 90%. A estratégia para avaliar o casamento consiste em várias etapas – de preenchimento de formulários até entrevistas filmadas, onde os casais relatam suas histórias e seus conflitos. Nessas sessões, cada cônjuge é equipado com sensores para monitorar batimentos cardíacos, grau de movimentos que faz na cadeira etc. A equipe do cientista analisa o material observando sinais posturais que revelam a dinâmica do casal para além do discurso verbal.

Ao longo de três décadas de pesquisa, foi ficando evidente que as atitudes que alimentam ou destroem um casamento se repetem e têm um grau de previsibilidade. Para Gottman, o tripé básico do casamento bem-sucedido é amor, confiança e respeito. Mas esse tripé não se sustenta se não for alimentado: é aqui que a amizade entra na conta de modo determinante.

Alice Lobo

sábado, 10 de setembro de 2011

Por que as mulheres fazem sexo?




























Por, pelo menos, 237 razões diferentes descobriu um estudo conduzido pela psicóloga Cindy Meston, professora da Universidade do Texas em Austin, nos Estados Unidos, em parceria com David Buss, especializado em psicologia evolucionista. Mais de mil mulheres – de 18 a 87 anos – contaram à pesquisadora seus motivos mais altruístas ou mais mesquinhos para transar com um parceiro – e agora essas histórias fazem parte do livro Why Woman Have Sex: Understanding Sexual Motivations from Adventure to Revenge (Por que as mulheres fazem sexo: entendendo as motivações sexuais da aventura à vingança), que chega no fim deste mês às livrarias americanas.

Nesta entrevista ao Mulher 7×7, Cindy revela as principais motivações das mulheres para transar e afirma que refletir sobre as razões que as levam ao sexo pode melhorar sua vida na cama.

Antes de fazer a pesquisa, o que a senhora esperava ouvir entre as razões das mulheres para fazer sexo? O resultado do estudo a surpreendeu?
Cindy –
Sabíamos que íamos encontrar mais razões do que as que imaginávamos, mas ficamos chocados com a sua diversidade. Variavam de razões muito altruístas, em que as mulheres queriam transar para fazer seus parceiros se sentirem bem ou então porque tinham pena do homem – porque ele era virgem, nunca tinha tido uma namorada – até razões muito mundanas. Há, por exemplo, as que transam para aliviar a dor de cabeça, para aliviar a cólica menstrual e até para se manterem aquecidas no frio! Ou porque estavam entediadas e queriam simplesmente algo para fazer. Há também as razões bastante egoístas, como vingança e competição com outra mulher pela conquista, por exemplo. Entre as más razões para se fazer sexo também estão a solidão e o fato de não se sentir bem consigo mesmo.

De que forma fatores como nível educacional e religião influenciam na vida sexual das mulheres?
Sabe-se, por exemplo, que, quanto mais anos de estudo tem, maior a probabilidade de uma mulher ter um orgasmo. Provavelmente porque elas tendem a procurar mais informações sobre suas necessidades e que tipos de estímulos precisam para atingir o orgasmo. Religião e crenças culturais também têm um grande impacto. Elas estão por trás de várias das razões pelas quais as mulheres fazem ou deixam de fazer sexo. Algumas mulheres fazem sexo porque acreditam que ele faz parte de seu dever, já que há algumas citações na Bíblia sobre fazer sexo com o marido. Ou porque ouvem a mensagens passadas por suas avós e mães de que elas devem agradar seus homens, e não tentarem achar outro que as satisfaça.

A senhora se decepcionou com os motivos mesquinhos que levam as mulheres a transar?
Não. Acho que eles apenas mostram a riqueza do universo. E acho que o estudo ajuda as mulheres a refletir sobre as razões pelas quais elas mesmas transam. E ler histórias de outras mulheres sobre isso pode ajudá-las a fazer escolhas melhores. Por exemplo, fazer sexo por uma razão específica pode ter levado a mulher a sentir remorso, culpa. Outras razões podem fazê-la sentir-se melhor. Sabendo disso, elas podem melhorar suas escolhas.

De que maneira saber por que transam pode ajudar a vida sexual de uma mulher?
O livro não é de auto-ajuda, mas nós damos muitas informações sobre como as pessoas podem melhorar suas vidas sexuais. De qualquer forma, espero que, ao mostrar histórias de várias mulheres, o livro as ajude a identificar suas motivações para fazer sexo e a avaliar quais razões levaram a boas e a más experiências. Pensar “por que estou fazendo isso” ajuda a tomar decisões corretas, quase como tornar a mulher uma “consumidora consciente” de sexo. Qualquer mulher que tem vida sexual há mais tempo lembra-se de pelo menos algumas situações que elas prefeririam esquecer. Muitas mulheres carregam culpa, arrependimento, perguntam-se por que elas não foram fortes o suficiente, e, lendo o livro, elas vão perceber que muitas mulheres, assim como elas, fazem, vez ou outra, más escolhas. E entender por que elas fizeram essa má escolha, por que não disseram não àquele cara, pode ajudar. Às vezes elas não se sentiam atraídas, não queriam fazer sexo, mas não conseguiram dizer não e se sentiram muito mal depois disso. Para grande parte das mulheres, falta confiança e consciência do direito de dizer não. O cara pode ser bonito e ela se sentir mal de dizer não. Ou ela pode ter sofrido situações de coerção no passado e achar que não há limites para o seu corpo. Elas podem nunca aprender que é OK dizer não.

Existem razões pelas quais as mulheres nunca deveriam transar?
Não, porque o sentimento em relação ao sexo varia radicalmente de mulher para mulher. Uma mulher que entrevistamos, por exemplo, disse que fazia sexo porque se sentia sozinha, extremamente sozinha, e por isso queria ficar com alguém pelo menos uma noite. E isso a fazia sentir-se mais confiante, melhor consigo mesma no dia seguinte. Era uma experiência positiva para ela. Outras mulheres relataram fazer sexo porque estavam sozinhas e, depois, se sentiram ainda mais sozinhas. Tudo depende de cada um, e de suas histórias do passado, do que acreditam ser certo ou errado. Mas, definitivamente, uma boa razão para fazer sexo é porque é bom.

Quais são as principais razões por que as mulheres transam?
A razão número 1 citada pelas mulheres em nosso estudo foi sentir atração pela pessoa. A número 2, a busca pelo prazer físico, ter um orgasmo, sentir-se bem. A terceira razão é o amor, reforçar os laços do casal. Depois deles é que vêm todos os outros, como vingança, competição e tédio. Só para deixar claro, é muito comum que as mulheres façam sexo com seus maridos esperando que eles façam o serviço doméstico, mas não tão frequente como transar por atração física ou por prazer.

É possível dizer que a vida sexual das mulheres melhorou nas últimas décadas? O feminismo ajudou as mulheres?
O feminismo certamente trouxe mais oportunidade de escolha, o que necessariamente é bom, mas acho que nossa atenção está voltada a agradar os parceiros, a como fazer sexo por 10 horas e a como ter um orgasmo enlouquecedor. Tudo que lemos nas revistas femininas é sempre sobre mais sexo e maior e melhor e isso está colocando uma grande pressão muito grande sobre as mulheres para atingir objetivos impossíveis. As mulheres começam a pensar “xi, todo mundo está tendo sexo maravilhoso, menos eu” e ficam desapontadas. Muito disso está mal representado. No mundo da pesquisa acadêmica, mais pesquisadores estão estudando as disfunções sexuais das mulheres, o que é bom, mas a grande questão é o que faz uma mulher ter uma experiência prazerosa com o sexo. E essa satisfação não está ligada a quantos orgasmos ela tem em um dia, definitivamente.

A aparência física tem relação com a satisfação sexual das mulheres?
A pressão para ter um corpo dentro dos padrões atuais de beleza tem um impacto tremendamente negativo sobre a libido. Não só sobre a das mulheres. Os homens também têm a impressão de que têm que ser musculosos como os que aparecem nas revistas voltadas para o público masculino. Talvez aqueles homens das revistas tenham até mais músculos do que as mulheres de fato querem, mas os homens reais acabam achando que têm que ser assim. A imagem corporal é uma grande questão mesmo. No meu laboratório, fizemos um estudo em que trazemos as mulheres, perguntamos como elas se sentem com seus corpos e medimos sua capacidade de excitar-se sexualmente antes e depois de elas verem fotos de modelos muito bonitas e magras. O resultado mostrou que essas imagens afetam negativamente a capacidade de excitação das voluntárias. Elas começam a se comparar com as modelos e se, numa situação de sexo, você ficar pensando como seu traseiro está, vai ser muito difícil se concentrar em sentir prazer. Se você fica pensando em que posição seu corpo tem que estar para esconder as gordurinhas, perde a graça. Essa deve ser a principal razão pela qual as mulheres têm mais chance de alcançar o orgasmo pela masturbação do que com o parceiro. Porque elas não têm que se preocupar com a aparência quando estão sozinhas!

E quais são os principais fatores para a mulher se sentir satisfeita com o sexo?
É o que estamos tentando entender! Mas a relação com o parceiro é fundamental. Combinar com o parceiro na cama é fundamental. Se o seu parceiro tem problemas sexuais e você, não, isso vai gerar problemas para os dois.

Qual é o principal obstáculo para ter uma vida sexual plena?
A principal reclamação entre as mulheres é a falta de desejo sexual. Nos Estados Unidos, um terço das mulheres reclama de ter baixa libido. E não há muito o que fazer nesse caso. Sabe-se que o testosterona pode ajudar algumas mulheres, mas não todas, porque o desejo de fazer sexo é algo muito complexo. Sabemos que, quanto mais longo o relacionamento, menor o desejo sexual, principalmente por causa do tédio e da falta de espontaneidade. Uma das mulheres de nosso estudo, casada há muitos anos, relatou que o sexo se tornou uma rotina entediante, então ela se deita e fica fazendo listas de compra de supermercado na cabeça enquanto transa. Ela diz que ama o marido, mas o tédio é um grande assassino do desejo.

E os homens? Por que eles fazem sexo?
Bom, eles não são simples máquinas de sexo. O estereótipo de que as mulheres transam por amor e os homens por atração não tem comprovação científica. Muitos homens transam por amor, para se sentir ligados à parceira, e muitas mulheres só querem satisfação física. Mas é verdade que os homens em nossa pesquisa têm uma tendência maior de agarrar as oportunidades de transar. Se a situação se apresentar, eles têm maior probabilidade de fazer sexo do que as mulheres. É muito mais fácil também para um homem ficar excitado, fisiologicamente. Um homem pode ter uma ereção por uma razão completamente não-sexual, como a sensação da própria roupa sobre o pênis, por exemplo. Não é preciso um estímulo sexual para que o homem queira fazer sexo. As mulheres são de outro modo, é anatômico. O nosso corpo funciona de maneira diferente. Certamente os homens têm maior facilidade de ter uma razão física para fazer sexo, mas é tão simples assim.

Letícia Sorg é repórter especial de ÉPOCA em São Paulo.

Escolha o seu jeito de assistir à TV pela internet

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Chegada do serviço Netflix ao Brasil dá mais destaque à modalidade que deve se popularizar por aqui. Conheça as opções para ver vídeos sob demanda

James Della Valle

Após meses de rumores e especulação, a empresa americana Netflix, especializada na oferta de vídeos sob demanda pela internet, chegou ao Brasil nesta semana. Detentora de um lucro líquido de 2,17 bilhões de dólares – arrecadados junto a 25 milhões de assinantes nos Estados Unidos e Canadá –, a empresa anunciou por aqui um objetivo bem definido: oferecer seu gigantesco acervo de filmes, séries e documentários a cerca de 1 milhão de usuários de banda larga no país, número a ser atingido em um ano. O preço do serviço: 14,99 reais ao mês.

É mais uma opção do que se convenciou chamar de TV pela internet, ou IPTV (TV sobre protocolo de internet). Pela modalidade, os usuários assistem – na TV, computador, tablet ou celular, mas sempre via web – a vídeos no horário que bem entendem, ou "sob demanda". Assim, a exibição das atrações não é mais determinada pela grade de horários dos canais. "É hora da customização do conteúdo", disse Reed Hastings, CEO do NetFlix, durante o lançamento do serviço, em São Paulo.

O Netflix não está sozinho nesse mercado, é claro. Assista Já e Net Movies oferecem serviço similar. Também é possível escolher conteúdos gratuitos com ajuda de aplicativos que funcionam em TVs conectadas (smart TV), aparelhos que se ligam diretamente à internet, ou do chamado set-top box. Confira o funcionamento no infográfico a seguir. Continue a ler a reportagem


Caso haja variação na velocidade de conexão à rede - algo comum no Brasil, onde o contrato das operadoras lhes permite oferecer não mais do que 10% da velocidade nominal do serviço - o Netflix aciona um sistema capaz de identificar o gargalo e reduzir a qualidade de reprodução do vídeo recebido pelo usuário: isso evita a interrupção da transmissão. O mecanismo considera três faixas de operação, que determinam a qualidade do conteúdo a ser exibido. A inferior opera com sinal entre 1 e 1,5 Mbps (megabit por segundo, medida do tráfego de informações) e possibilita uma imagem aceitável. A intermediária, para conexões entre 1,5 e 4 Mbps, é suficiente para obter qualidade de DVD. Velocidades superiores a 4 Mbps são suficientes para a reprodução de conteúdo em alta resolução (HD).

O Netflix garante aos assinantes acesso a um acervo de atrações provenientes de grande estúdios americanos, como Paramount Pictures, Sony Pictures Television e NBC Universal e canais americanos, como ABC e CBS, entre outros. Do Brasil, a rede de TV Bandeirantes já firmou parceria para oferecer o conteúdo de sua programação com um dia de atraso. Aí está outra diferença entre essa modalidade e a TV paga: pelo Netflix, não há transmissões ao vivo. Além disso, filmes de sucesso levam em média um ano para estrear no sistema.

Usuários que possuem uma TV conectada ou um set-top box e não querem assinar serviços como o Netflix podem acessar conteúdos gratuitos de portais e sites especializados, como YouTube e Vimeo. Há diferenças, é claro, entre as atrações oferecidas pelos serviços pagos e pelos demais. Filmes e séries, por ora, são exclusividade de quem paga mensalidade.

À primeira vista, a chegada do Netflix ao mercado local pode sugerir uma concorrência direta com as operadoras de TV paga, que mantêm 12 milhões de clientes. Essas empresas, contudo, não acreditam nessa disputa. "É um produto de nicho que tem o seu lugar, uma vez que muita gente tem interesse em ter uma filmoteca disponível a qualquer hora do dia", diz Alexandre Annenberg, presidente executivo da Associação Brasileira de Televisão por Assinatura (ABTA). "Contudo, o usuário cotidiano de TV por assinatura gosta de ter uma programação organizada pelos canais, sem a necessidade de parar seu dia para programar o conteúdo a que deseja assistir."

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'É hora da customização do conteúdo', diz CEO do Netflix

O inquestionável poder da mulher fatal

Ela é dominadora e habilmente induz o homem a fazer o que deseja

Cleópatra seduziu Júlio Cesar e Marco Antônio, os dois homens mais poderosos de sua época. O poder que teve sobre Marco Antônio foi tanto que, quando Roma toda ficou contra ele, o suicídio foi a única saída. Na História encontramos muitos exemplos de mulheres fatais. A primeira e a mais competente de que se tem notícia parece ter sido mesmo Eva. Ao tentar Adão, teria provocado a desgraça, não só para ele, mas para todos nós.

No início do século 20, algumas cortesãs se misturavam com a alta sociedade e era chique um jovem ser arruinado por uma delas. Quanto mais dilapidavam uma fortuna, mais eram valorizadas. O rei Eduardo VIII, da Inglaterra, foi vítima dessa perigosa atração ao desistir do trono, em 1936, para se casar com uma divorciada americana. E há quem atribua à atração que Yoko Ono exerceu sobre John Lennon, na década de 70, o lamentável fim dos Beatles. Essas histórias são antigas, mas até hoje mulheres fatais parecem continuar por aí.

Foto: Getty Images Ampliar

A perigosa Cleópatra foi vivida no cinema pela atriz Elizabeth Taylor

Eneida, uma mulher de 65 anos, me procurou no consultório por se sentir abalada com o novo relacionamento amoroso de seu filho, Walter. Ele, um médico de 40 anos, segundo ela, sempre foi muito sensato. Há dois anos, porém, sua mulher quis a separação e Walter sofreu muito com isso. Saiu de casa deixando o apartamento para a ex-mulher e as filhas e, não tendo alternativa, foi morar com a mãe.

“Agora, depois de tantos anos, tenho acompanhado mais de perto a vida cotidiana do meu filho. Estou horrorizada. Há alguns meses, após todo o drama da separação, Walter arranjou uma namorada. No início, fiquei até contente, afinal, ele estava muito sozinho, com a autoestima bastante abalada. Só que aos poucos fui percebendo que a namorada não passa de uma oportunista. Ela lhe pede presentes caríssimos; até empréstimo em banco descobri que ele pediu para não decepcioná-la numa viagem que ela sugeriu para Fernando de Noronha. Mas o pior de tudo é que ele passou para o nome dela o único bem que lhe restou – um belo sítio em Teresópolis. Ela o domina completamente. Não adianta eu tentar fazê-lo enxergar o que está acontecendo. Walter simplesmente não me ouve. Não reconheço mais o meu filho e não sei como devo agir.”

Quantos homens foram vítimas de femme fatales? Sempre se contaram histórias de homens que perderam tudo, ficaram na miséria tentando satisfazer todos os desejos da mulher amada. Elas exigiam apartamentos, joias, casacos de pele; e eles nem titubeavam, compravam tudo para elas. As mulheres “respeitáveis” observavam de longe e se perguntavam: “O que elas têm que eu não tenho?” E como o sexo devia ser contido para estas, era natural imaginarem que a resposta estava no prazer especial que as outras sabiam proporcionar aos homens. Mas será que o motivo dessa paixão obsessiva pode ser atribuído somente ao sexo? É pouco provável.

A ideia que se tem da mulher fatal é a de uma mulher atraente, tão irresistível que faz o homem abandonar tudo por sua causa e depois, então, acaba com ele, muitas vezes provocando tragédias. Dizem alguns que a femme fatale clássica se torna prostituta de categoria depois de ter sido abandonada por um namorado e dedica o resto da vida a se vingar nos homens que conhece. Mas, afinal, o que faz essas mulheres terem tanta força? Como conseguem dominar homens poderosos e submetê-los aos seus desejos?

Talvez a explicação se encontre na forma como as crianças são educadas na nossa cultura. Desde cedo o homem é ensinado a não precisar da mãe para não ser visto como frágil, “filhinho da mamãe”. Para isso, aprende a considerar a mulher inferior, a desprezá-la. Entretanto, essa atitude não passa de uma defesa por ter sido afastado da mãe quando ainda precisava de seus cuidados e carinho. A mulher, por sua vez, deve ser submissa ao homem, deixar que ele domine a relação e decida as coisas.

A mulher fatal, ao contrário, é forte, dominadora e habilmente induz o homem a fazer o que deseja. Desta forma, não é difícil ele se tornar dependente por encontrar nela a satisfação das necessidades reprimidas desde a infância: ser cuidado e dirigido por uma mulher. Com ela, pode se tornar menino, se sentir protegido. E é claro que sexualmente ela o satisfaz, já que não mede esforços para tê-lo nas mãos. A entrega dele é total. Não há dúvida de que a mulher fatal do século 21 é bem diferente das suas antecessoras, mas o fascínio exercido sobre o homem que a deseja não é em nada menor. Dificilmente ele resiste, é capaz de qualquer loucura por ela.

Regina Navarro Lins