Na polêmica discussão em torno do Projeto de Lei 7672, que pretende proibir os pais de punirem fisicamente os filhos, não há unanimidade. Enquanto alguns são contra a palmada, mesmo quando classificada como “educativa”, outros são determinantemente a favor dela como última opção. A acusação da norte-americana Hillary Adams ao pai, o juiz da vara da família William Adams, por tê-la agredido repetidas vezes com um cinto ao puni-la por desobediência, coloca palmadas e os puxões de orelha em xeque: como definir a linha que separa o propósito educacional dos maus-tratos?
Para a terapeuta infantil Denise Dias, autora do livro “Tapa na Bunda – Como impor limites e estabelecer um relacionamento sadio com as crianças em tempos politicamente corretos” (Editora Matrix), somente o bom senso pode determinar como os pais devem ou não agir. A especialista, que é abertamente a favor da “palmada pedagógica”, torna a questão simples de ser resolvida: um pai espancar a filha e justificar o ato como educativo é como um motorista alcoolizado ser pego no bafômetro e dizer que não estava bêbado. Não há o que discutir.
Como adultos, devemos ter o discernimento de saber o que é certo e errado. Denise Dias defende o “tapa na bunda”, mas sabe que ele deve ser usado criteriosamente. “Se uma criança derruba um copo de suco de uva no sofá e a mãe o esbofeteia, ela é desequilibrada. Agora, se a criança atira um copo na parede de propósito, aí sim ela merece um tapa na bunda – para deixar claro que ela ultrapassou todos os limites”. Porém, fica a questão: como saber se os pais também não estão ultrapassando limites?
Em um país com tantos pais a favor da palmada como forma de educar os filhos, vale refletir sobre como os limites costumam ser colocados dentro de casa. De acordo com a terapeuta familiar Quézia Bombonatto, presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp), se as crianças compreenderem que precisam ser, de alguma forma, agredidas para serem educadas, estaremos criando uma geração que fará o mesmo com os próprios filhos. “Esta não é a melhor escolha”, defende.
Frequência dos atos violentos é um indicador, mas perder a cabeça na hora da raiva pode ser mais fácil do que se imagina
Segundo a psicopedagoga, a palmada não é necessária e um simples castigo, sem qualquer agressão envolvida, já é bem educativo. O importante mesmo é a criança entender as consequências dos próprios atos. “O limite, portanto, é colocado naquilo em que o pai não joga a própria raiva em cima”, diz. Para a especialista, violência só gera violência e não deve fazer parte da educação. Existe um objetivo a ser atingido quando se mostra um limite para uma criança. Um pai ou mãe em pleno acesso de raiva tende a perder de vista este objetivo.
De acordo com a psicóloga Camila Guedes Henn, do Núcleo de Infância e Família (NUDIF) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), bater pode fazer com que a criança se sinta com medo e desconfiada. Se não houver uma explicação sensata para o ocorrido, pior ainda.
Tanto a psicóloga quanto Quézia discordam que um pai deva ser condenado por uma palmada. Mas tampouco acreditam ser esta a forma mais efetiva de educar. “O limite deveria ser demonstrado com um castigo proporcional à idade da criança, uma punição que mostre as consequências daquilo que ela fez”, afirma Henn. A criança pode acabar obedecendo aos pais simplesmente por medo de levar um puxão de orelha, e não por ter entendido que fazer um escândalo quando não consegue um brinquedo é errado.
Se as palmadas ou puxões de orelha forem recorrentes, a situação pode ser realmente perigosa. Alguma coisa está fora de controle e os pais não devem seguir este caminho.
É preciso estar atento, portanto, à dinâmica de cada casa. Para a psicanalista Vera Zimmermann, coordenadora do Centro de Referência da Infância e Adolescência (CRIA) da Unifesp, as características culturais também contam neste momento: “Algumas famílias gritam muito e isto nunca foi sentido como agressão. No entanto, outras famílias podem produzir reações ruins somente com a alteração do tom de voz”. O mesmo acontece com as crianças. Elas podem ou não se sentir mal com uma mesma repreensão. Mas bater, principalmente bater além da conta, não é uma tática justificável.
“A melhor correção é a firmeza na atitude e na fala”, comenta Vera. Quando não funcionar, deve-se apelar para a restrição daquilo que a criança gosta, sempre deixando claro o que é causa e o que é efeito. “Manter a autoridade com firmeza não significa violência física, nem verbal”, completa.
Renata Losso, especial para o iG São Paulo |
Para a terapeuta infantil Denise Dias, autora do livro “Tapa na Bunda – Como impor limites e estabelecer um relacionamento sadio com as crianças em tempos politicamente corretos” (Editora Matrix), somente o bom senso pode determinar como os pais devem ou não agir. A especialista, que é abertamente a favor da “palmada pedagógica”, torna a questão simples de ser resolvida: um pai espancar a filha e justificar o ato como educativo é como um motorista alcoolizado ser pego no bafômetro e dizer que não estava bêbado. Não há o que discutir.
Como adultos, devemos ter o discernimento de saber o que é certo e errado. Denise Dias defende o “tapa na bunda”, mas sabe que ele deve ser usado criteriosamente. “Se uma criança derruba um copo de suco de uva no sofá e a mãe o esbofeteia, ela é desequilibrada. Agora, se a criança atira um copo na parede de propósito, aí sim ela merece um tapa na bunda – para deixar claro que ela ultrapassou todos os limites”. Porém, fica a questão: como saber se os pais também não estão ultrapassando limites?
Em um país com tantos pais a favor da palmada como forma de educar os filhos, vale refletir sobre como os limites costumam ser colocados dentro de casa. De acordo com a terapeuta familiar Quézia Bombonatto, presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp), se as crianças compreenderem que precisam ser, de alguma forma, agredidas para serem educadas, estaremos criando uma geração que fará o mesmo com os próprios filhos. “Esta não é a melhor escolha”, defende.
Frequência dos atos violentos é um indicador, mas perder a cabeça na hora da raiva pode ser mais fácil do que se imagina
Segundo a psicopedagoga, a palmada não é necessária e um simples castigo, sem qualquer agressão envolvida, já é bem educativo. O importante mesmo é a criança entender as consequências dos próprios atos. “O limite, portanto, é colocado naquilo em que o pai não joga a própria raiva em cima”, diz. Para a especialista, violência só gera violência e não deve fazer parte da educação. Existe um objetivo a ser atingido quando se mostra um limite para uma criança. Um pai ou mãe em pleno acesso de raiva tende a perder de vista este objetivo.
De acordo com a psicóloga Camila Guedes Henn, do Núcleo de Infância e Família (NUDIF) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), bater pode fazer com que a criança se sinta com medo e desconfiada. Se não houver uma explicação sensata para o ocorrido, pior ainda.
Tanto a psicóloga quanto Quézia discordam que um pai deva ser condenado por uma palmada. Mas tampouco acreditam ser esta a forma mais efetiva de educar. “O limite deveria ser demonstrado com um castigo proporcional à idade da criança, uma punição que mostre as consequências daquilo que ela fez”, afirma Henn. A criança pode acabar obedecendo aos pais simplesmente por medo de levar um puxão de orelha, e não por ter entendido que fazer um escândalo quando não consegue um brinquedo é errado.
Se as palmadas ou puxões de orelha forem recorrentes, a situação pode ser realmente perigosa. Alguma coisa está fora de controle e os pais não devem seguir este caminho.
É preciso estar atento, portanto, à dinâmica de cada casa. Para a psicanalista Vera Zimmermann, coordenadora do Centro de Referência da Infância e Adolescência (CRIA) da Unifesp, as características culturais também contam neste momento: “Algumas famílias gritam muito e isto nunca foi sentido como agressão. No entanto, outras famílias podem produzir reações ruins somente com a alteração do tom de voz”. O mesmo acontece com as crianças. Elas podem ou não se sentir mal com uma mesma repreensão. Mas bater, principalmente bater além da conta, não é uma tática justificável.
“A melhor correção é a firmeza na atitude e na fala”, comenta Vera. Quando não funcionar, deve-se apelar para a restrição daquilo que a criança gosta, sempre deixando claro o que é causa e o que é efeito. “Manter a autoridade com firmeza não significa violência física, nem verbal”, completa.
Renata Losso, especial para o iG São Paulo |
Marcos |
ResponderExcluirO estado tem que se preocupar é com os excessos na violência contra as crianças, eu fui criado com palmadas e castigos e nem por isso virei um adulto violento, desajustado ou com problemas psicológicos. Meus amigos viveram a mesma situação e também são adultos saudáveis e gostam de seus pais da mesma forma. Existe uma ideologia implantada por psicólogos que querem doutrinar as pessoas conforme suas convicções e muitos são levados por essa onda. Malucos que espancam crianças existem e devem ser combatidos e presos. Sou totalmente contra espancar crianças, mas educar não é só com "conversinha" o ser humano não consegue associar conversa com autoridade sem você possuir um mínimo grau de superioridade física e psicológica. Os antigos sempre criaram seus filhos dessa forma e as pessoas eram até mais educadas, as famílias eram mais unidas e olhem que as famílias as vezes eram bem maiores do que hoje.
MIZAEL RAMOS
ResponderExcluirDEVEMOS PENSAR UM POUCO NÃO SOBRE AS PALMADAS E SIM SOBRE OS PAIS ADOTAR SUAS CRIANÇAS, POIS VEMOS TODO DIA PAI E MÃE QUE NÃO SABE O QUE FAZ SEU FILHO, COM QUEM ANDA, CONVERSA, PASEIA E SAI PARA BALADAS. DEPOIS FICA RECLAMANDO DA FALTA DE SEGURANÇA, DROGAS E OUTROS ILICITOS. FICA PROCURANDO CULPADOS PELA FALTA DE ACOMPANHAMENTO, POIS QUEM EDUCA É PAI E MÃE NÃO A ESCOLA. QUANDO O PAI E MÃE VOLTAREM A TER A RESPONSABILIDADE DE ENSINAR VALORES COMO: REPONSABILIDADE, RESPEITO, HONESTIDADE E CUMPRIMENTO DAS LEIS ESTABELECIDAS, VOLTAREMOS A TER UMA CIDADE MELHOR E UM PAIS MELHOR.
Ângelo A. Regis
ResponderExcluirNada de exageros na hora de disciplinar. Mas vale umas boas palmadas SIM! Isso de dizerem que coisa de pais que levaram palmadas reflete limitação na compreensão do que se deseja para o futuro dos filhos, a permissividade e o descaso com crianças e jovens hoje influenciados por uma enorme gama de programas de tv e jogos de video-games resulta no que estamos vendo: muitos jovens desobedientes, drogados, mentirosos, gravides indesejada, violentos e até criminosos e um número como nunca se teve noticia a tempos atrás. A quem é contra uma educação mais "severa" sugiro que acolha os milhares de jovens que ~foram ou estão sendo criados sem limites algum. Pais que agridem de forma criminosa os filhos devem SIMser responsabilizados mas aqueles que educam e disciplinam com mais severidade devem ser parabenizados.