quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Alianças tardias


Casar, tudo bem – mas não agora. Em 1998, revelam as estatísticas do Registro Civil compiladas pelo IBGE, as mulheres entre 25 e 29 anos que trocavam alianças representavam 19,4% do total – em 2008, passaram a ser 28,4%. Nas faixas etárias entre 20 e 24 anos e 15 e 19 anos, ocorreu queda no número de casamentos. Os homens também se casam mais entre 25 e 29 anos – a taxa masculina foi de 29,3% em 1998 e agora está em 32,7%. O que isso significa? A instituição vai bem, obrigado, mas não custa nada retardá-la um pouco, especialmentequando se trata de mulheres.

Os brasileiros gostam mais de casar do que de descasar. Em 2008, houve 959 901 uniões legais. No mesmo ano, foram 290 963 separações judiciais e divórcios.

Há um dado interessante nessa estatística, a mais recente divulgada pelo IBGE, que ajuda a mostrar como o divórcio, inexistente em 1967, aprovado apenas em 1977, deixou de ser tabu. Até 2004, as taxas de crescimento de divórcios e de separações legais subiam ou desciam em ritmo muito semelhante – em 2008, pela primeira vez, os divórcios se descolaram. Esse fenômeno comprova uma maior aceitação desse recurso legal e a ampliação do acesso à Justiça em relação ao tema. Contribuiu também a possibilidade de realizar divórcios em tabelionatos, sem burocracia. É um Brasil que não existia no fim dos anos 1960. Em 1967 foram registrados escassos 5 626 desquites, a figura jurídica de então, o equivalente a apenas 0,12% da população de 15 anos ou mais. Atualmente, 1,75% da população nessa faixa etária já tirou as alianças.

Como instituição, tão vilipendiada, tão criticada, o casamento segue firme – embora não mais até que a morte separe os noivos. Em 2008, a taxa de uniões atingiu o maior patamar desde 1995, que foi 6,8. A chamada taxa de nupcialidade legal chegou a 6,7 pontos – o número mais alto tinha sido 6,6 pontos, em 1999. A taxa de nupcialidade é obtida pela divisão do número de casamentos pelo de habitantes acima de 15 anos, multiplicando-se o resultado por 1 000. Tudo em ordem? Não exatamente. A pesquisa Ibope Inteligência/VEJA revela que 62% das solteiras querem subir ao altar – mas 78% das que já se casaram pelo menos uma vez preferem ficar sozinhas.

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