sábado, 18 de junho de 2011

O sexto sentido

O homem e todos os animais superiores são curiosos. Esse é o sentido que faz desabrochar o intelecto e promove a evolução cultural
Fotos: Shutterstock

Os seres humanos não são as únicas criaturas que se interessam por seus semelhantes para, digamos, explorar seus corpos. Tirar um cravo, apertar uma espinha, procurar um pelinho encravado, contar as dobras da orelha, dar um apertão no joelho para ver a perna do indivíduo saltar longe. Quem não fez ou não faz isso no seu namorado ou namorada, marido ou mulher, irmão ou irmã? Pois é, os macacos fazem a mesma coisa. E são eles os culpados. Herdamos tudo isso de nossos ancestrais chimpanzés, capazes de ficar horas futucando uns e outros, catando pulgas, piolhos, procurando coisas onde não existem.

A razão para tanta atividade exploratória, no homem como no chimpanzé, é simplesmente a curiosidade. Somos curiosos em relação ao nosso corpo, aos outros e ao mundo. Queremos saber como as coisas funcionam, e para isso meninos quebram brinquedos, meninas desmembram bonecas, adultos descobrem o Novo Mundo.

Esse não é um traço exclusivo dos humanos nem dos chimpanzés, entre os animais. Há felinos e caninos quase tão curiosos quanto eles. Mas nos humanos e chimpanzés a curiosidade evoluiu. Entre nós, um pouco mais: está na base da ciência, da tecnologia, da filosofia, das grandes descobertas. Sem ela, a humanidade não andaria o que andou: todo avanço, toda invenção, toda especulação filosófica tem a curiosidade como seu primeiro motor.

Entre nós, a curiosidade ganhou status de instrumento do saber, uma ferramenta que aprendemos a disciplinar, organizar e focar. É um dom que nasce conosco, como a visão, a audição e os outros sentidos. Mas, enquanto esses não precisam ser “trabalhados”, a curiosidade se educa, desenvolve, orienta e dirige. Eis aí nosso sexto sentido.


Por Sheila Lobato

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