sexta-feira, 17 de junho de 2011

O misterioso tacacá

O tacacá é um dos pratos típicos do norte do Brasil, e obviamente não poderia faltar em Parintins. Parecido com uma sopa, é servido em caldeirões na rua e tomado em cuias nas noites quentes da Amazônia. Um palito longo e afiado na ponta substitui a colher, e o sabor é bastante exótico, principalmente para paladares desacostumados, como o meu.

Dona Maria (sim, mais uma das Donas Marias da cidade) serve uma cumbuca atrás da outra, ao preço de R$ 5. Como resposta à pergunta sobre ingredientes e modo de preparo ganho apenas um “se te contar, vamos ficar conversando até amanhã” e um sorriso misterioso.

Tudo bem, deixa a Dona Maria e os seus segredos pra lá, a gente é repórter e sabe se virar. Então aqui vai uma receita de tacacá e um aviso: prepare-se para sentir a dormência causada pelo jambu (um tipo de folha), a ardência da pimenta, o ácido e azedo da mistura e a textura meio grudenta da goma de mandioca. O camarão seco dá um toque inusitado e delicioso à mistura.

Ingredientes:
2 litros de tucupí
4 dentes de alho
1 colher de chá de sal
4 pimentas de cheiro
2 maços de jambu
1/2 kg de camarão salgado (seco)
1/2 xícara de goma de mandioca
pimenta de cheiro

Misture o tucupi com o alho, e o sal e deixe ferver. Depois baixe o fogo, tampe a panela e cozinhe por meia hora. O jambu deve ser cozido em água até que os talos fiquem macios. Reserve. Tire a cabeça do camarão seco e deixe de molho em uma vasilha com água para retirar o sal.
A goma é dissolvida em água fria e misturada aos poucos com água salgada fervendo, até virar um mingau. Para servir na cuia coloque na sequência duas colheres de sopa de tucupi, uma concha de goma, uma concha de tucupi, algumas folha de jambu e cinco camarões, sal e pimenta a gosto.

Roberto Saraiva

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