Visto como coisa do passado, o noivado ainda mexe com muitas mulheres. Mas, afinal, vale a pena?
Por Daniela Pessoa
Fonte: Bolsa de Mulher
Primeiro, vem a conquista. Depois, o namoro e, finalmente, o casório. Opa, faltou alguma coisa! O noivado. Festa, pedido de casamento na frente dos pais, discursos inflamados, lágrimas incontroláveis, troca de alianças – momento mágico ou mico do ano? Pois é, esse cenário, para muitas mulheres, está mais para novela mexicana do que para uma etapa da vida a dois. Só falta o noivo se ajoelhar e beijar a mão da donzela para deixar o momento ainda mais brega. Coisa do tempo da avó, sabe? No entanto, as defensoras do trio “namoro, noivado e casamento” insistem que noivar é um toque especial e necessário antes do ´grande dia´. O.K., em briga de marido e mulher, a gente sabe que ninguém mete a colher. Entre nós, portanto, está valendo! Noivar ou ir direto ao ponto e casar?
De fato, noivado é coisa do passado. Calma, literalmente! O conceito foi descrito pela primeira vez em 1215, pela Igreja Católica, quando o Papa Inocêncio III decretou que os casamentos deveriam ser anunciados pelos padres publicamente nas igrejas, durante um período fixo. Hoje, noivado é apenas o período entre a proposta de casamento e o casamento propriamente dito, permitindo que o casal viva a experiência da “oficialização” dos laços sem que seja tarde para desmanchá-los.
Muitos noivados são, inclusive, uma espécie de “prova de fogo”: por vezes, é preciso enfrentar a oposição da família e dos amigos, sem contar o jogo de cintura que o casal deve aprender a ter para lidar com outros problemas, como a estressante rotina de organização – e gastos – do casamento.
Vale a pena
Noiva que nasceu para ser noiva mal pode esperar! Depois de um tempão namorando, quer logo exibir a mão para todas as amigas. Foi assim com Léa Pimentel, fisioterapeuta. Após quatro anos de namoro, ela e o noivo resolveram oficializar o casamento. “O noivado é uma etapa mais consolidada para o ´grande dia´, é como um marco. Tão importante quanto ter gravada na memória a data do casamento é ter na lembrança o dia em que você decidiu se casar”, diz.
“Brega, que pensem os outros!”, ri. Mas confessa que não se vê completamente livre de piadas. “Os amigos dele costumam brincar direto, dizendo que eu estou enrolando o meu noivo”, diz Léa, que acha graça. “É porque a gente se dá muito bem, então as pessoas não entendem por que não nos casamos logo. Mas foi uma escolha nossa fazer as coisas desse jeito. Para nós, a vida a dois precisa dessa etapa, até por uma questão financeira. Casamento é coisa muito cara”, afirma.
A fisioterapeuta não fez festa nem nada, mas garante que o noivado foi divertidíssimo. Como as duas famílias são católicas, os noivos participaram de uma cerimônia na igreja. “O padre era muito divertido, descontraído. Me colocou lá na frente, antes do meu noivo, para fazer o pedido de casamento!”, diverte-se. Segundo ela, depois do noivado, o sentimento um pelo outro só cresceu. Eles ficaram mais unidos, pensando mais juntos e estabelecendo projetos concretos para o futuro a dois.
Compromisso oficial
Para a publicitária Palmyra Couto, noivado é, também, um processo que dá a certeza de que é com aquela pessoa que você quer viver, mas pode ser mais importante para a família do que para os noivos em si. “Noivado funciona, às vezes, mais como um título. Para a minha família, que é portuguesa e bem tradicional, é importante, porque expressa oficialmente o compromisso”, explica. “Sou mesmo à moda antiga”, brinca.
E para quem pensa que ser noiva é tarefa fácil, a publicitária dá o recado: “As responsabilidades aumentam, você passa a ter ainda mais envolvimento com o outro. Quando a gente namora, damos ´satisfações´ ao parceiro porque gostamos dele. Com o noivo é diferente, porque ele faz parte, definitivamente, da nossa vida. É quase um casamento!”, avisa. Digamos, um “test drive”. “As pessoas costumam nos dizer que um está enrolando o outro, que noivado é desnecessário, mas nunca damos ouvidos. Isso, para mim, é inveja de quem não tem com quem noivar!”, espeta Palmyra.
“Noivado é justamente isso, um tempo em que você começa a sentir a pressão do que vai assumir e começa a construir a estrutura do casamento”, explica a psicóloga Adriana Falcão Duarte, de São Paulo. “Porque, quando a gente namora, geralmente não sentimos tanta obrigação de frequentar a casa do namorado, de estarmos presentes nos eventos familiares”, explica.
Então, o noivado é o momento de vivenciar, em menor escala, tudo o que está por vir na vida conjugal. “Você aprende a lidar, por exemplo, com a família do noivo. Como sabemos, parentes adoram dar opinião sobre a vida do casal e, como noiva, você pode experimentar isso antes de se casar”, diz Adriana. E ver se agüenta o tranco!