Objeto de admiração e contemplação, o espelho, para alguns é um inimigo: ele faz com que a pessoa seja obrigada a se observar como realmente é – ou pensa que é. Muitas vezes, enxergamos defeitos que não existem na realidade, e sim na mente do observador, e isso não acontece apenas nos dias mais nublados e tristes. Quem padece dos transtornos de autoimagem tende ater uma percepção distorcida de si diariamente: mesmo magra ou sarada, a pessoa se enxerga gorda e disforme.
A proximidade do verão é outra ocasião que traz angústia a estas pessoas, pois as faz lembrar de que, nesta estação, o corpo fica mais exposto. Se antigamente a sociedade tinha como musa as moças gordinhas das obras de arte, hoje a tendência é ligar status social a um corpo enxuto e esguio.
Fogueira das vaidades
É comum lermos reportagens sobre distúrbios alimentares como anorexia e bulimia, mas dificilmente encontramos artigos que falam sobre o transtorno dismórfico corporal – também grave e que atinge 3% da população mundial, o equivalente a 57 milhões de pessoas no Brasil. Apesar de também lidar com a autoestima e com a vaidade, os transtornos de autoimagem nem sempre estão ligados aos distúrbios de alimentação. “Embora distintos, eles podem coexistir em um mesmo indivíduo. Há casos de anorexia em que o indivíduo não come, não por se achar gordo, mas por acreditar que o alimento lhe faz mal, como um veneno”, lembra a cirurgiãplástica e cosmiatra valéria Leal, da Clínica Cidade Jardim (SP).
É difícil pontuar quem poderia padecer deste mal, mas o cirurgião plástico Múcio Leão (BH) diz que fatores genéticos, sociais e familiares podem agravar o transtorno. Valéria complementa que, de um modo simplista, pessoas com um trauma nas relações interpessoais com a mãe e o pai até os três anos de idade, período em que irá se formar a autoimagem e a noção do eu, terão um potencial maior de desenvolver a dismorfia corporal.
Além disso, a doença costuma aparecer mais em adolescentes, embora possa acometer homens e mulheres adultos também. No livroAnorexia – Diário de uma adolescente, Dominique Brand, 26 anos, descreve como descobriu e se tratou do transtorno alimentar que a fazia ter uma imagem distorcida de si aos 14 anos. “O incômodo com meu corpo era generalizado e cheguei a passar gel redutor nas bochechas! Media meus pulsos com fita métrica e, se marcava uma numeração menor, eu achava que ela havia esgarçado porcausa da minha ‘gordura’ e não que eu tinha emagrecido, porque me via gordinha”.
Após tratamento médico com medicação e terapia, Dominique conseguiu vencer a anorexia, mas frisa que a doença é como o alcoolismo: o doente pode passar anos “sóbrio”, mas nunca se sente curado.
Mesa de Cirurgia
Há pessoas que se acham tão disformes que procuram o auxílio de cirurgiões plásticos. Para elas, uma pinta é motivo de angústia. “Estes pacientes não devem se submeter a nenhum tratamento estético, pois nunca ficarão satisfeitas com o resultado”, frisa Leão. “A insatisfação é contínua, independentemente das metas alcançadas. Quando pedimos para a pessoa descrever o próprio corpo, o que ela nos diz é totalmente fora da realidade”. e o descontentamento faz com que estes pacientes procurem fazer cada vez mais intervenções desnecessárias. Por isso, o transtorno dismórfico traz riscos à saúde! “Nos casos associados a outras patologias,como a depressão grave com inclinação suicida, ao final de mais uma intervenção sem o resultado esperado, o paciente pode atentar contra a própria vida de fato”, destaca a cosmiatra.
Dominique chegou a flertar com as cirurgias: “Não com a plástica necessariamente, porque eu achava que a minha gordura era tanta que precisaria perder peso antes de fazer uma lipo. Daí veio a grande ideia de reduzir o estômago para emagrecer bastante e, posteriormente, fazer as lipoaspirações e cirurgias para remover o excesso de pele que ficaria”. No entanto, ela nunca chegou a procurar um médico para este fim.
Conhecer e Reconhecer
Apesar da repulsa com a própria imagem, valéria lembra que as pessoas que sofrem de distúrbios dismórfi cos costumam usar maquiagem pesada para disfarçar o que acham imperfeito, têm traços de depressão, quase não saem de casa e vivem se olhando no espelho. Oponente ou não, é justamente este objeto que nos lembra de nossa vaidade.
Segundo a médica, há uma linha muito tênue entre um paciente exigente e crítico e outro dismórfico. “Quando um paciente revela viver em função daquela queixa, limitar-se em relação a ela, deixar de fazer coisas pensando em como seria resolver aquele problema e quando ignora os riscos do procedimento médico e espera resultados milagrosos que vão mudar sua vida, isso deve chamar a atenção do médico que o atende”, orienta. Ela lembra que é mais fácil diagnosticar o problema quando o paciente fez uma série de correções anteriores, com médicos diferenciados, e continua a se queixar dos resultados, já que estudos mostram que 91% dos pacientes com este mal não se sentem felizes ao fim de uma plástica.
A proximidade do verão é outra ocasião que traz angústia a estas pessoas, pois as faz lembrar de que, nesta estação, o corpo fica mais exposto. Se antigamente a sociedade tinha como musa as moças gordinhas das obras de arte, hoje a tendência é ligar status social a um corpo enxuto e esguio.
Fogueira das vaidades
É comum lermos reportagens sobre distúrbios alimentares como anorexia e bulimia, mas dificilmente encontramos artigos que falam sobre o transtorno dismórfico corporal – também grave e que atinge 3% da população mundial, o equivalente a 57 milhões de pessoas no Brasil. Apesar de também lidar com a autoestima e com a vaidade, os transtornos de autoimagem nem sempre estão ligados aos distúrbios de alimentação. “Embora distintos, eles podem coexistir em um mesmo indivíduo. Há casos de anorexia em que o indivíduo não come, não por se achar gordo, mas por acreditar que o alimento lhe faz mal, como um veneno”, lembra a cirurgiãplástica e cosmiatra valéria Leal, da Clínica Cidade Jardim (SP).
É difícil pontuar quem poderia padecer deste mal, mas o cirurgião plástico Múcio Leão (BH) diz que fatores genéticos, sociais e familiares podem agravar o transtorno. Valéria complementa que, de um modo simplista, pessoas com um trauma nas relações interpessoais com a mãe e o pai até os três anos de idade, período em que irá se formar a autoimagem e a noção do eu, terão um potencial maior de desenvolver a dismorfia corporal.
Além disso, a doença costuma aparecer mais em adolescentes, embora possa acometer homens e mulheres adultos também. No livroAnorexia – Diário de uma adolescente, Dominique Brand, 26 anos, descreve como descobriu e se tratou do transtorno alimentar que a fazia ter uma imagem distorcida de si aos 14 anos. “O incômodo com meu corpo era generalizado e cheguei a passar gel redutor nas bochechas! Media meus pulsos com fita métrica e, se marcava uma numeração menor, eu achava que ela havia esgarçado porcausa da minha ‘gordura’ e não que eu tinha emagrecido, porque me via gordinha”.
Após tratamento médico com medicação e terapia, Dominique conseguiu vencer a anorexia, mas frisa que a doença é como o alcoolismo: o doente pode passar anos “sóbrio”, mas nunca se sente curado.
Mesa de Cirurgia
Há pessoas que se acham tão disformes que procuram o auxílio de cirurgiões plásticos. Para elas, uma pinta é motivo de angústia. “Estes pacientes não devem se submeter a nenhum tratamento estético, pois nunca ficarão satisfeitas com o resultado”, frisa Leão. “A insatisfação é contínua, independentemente das metas alcançadas. Quando pedimos para a pessoa descrever o próprio corpo, o que ela nos diz é totalmente fora da realidade”. e o descontentamento faz com que estes pacientes procurem fazer cada vez mais intervenções desnecessárias. Por isso, o transtorno dismórfico traz riscos à saúde! “Nos casos associados a outras patologias,como a depressão grave com inclinação suicida, ao final de mais uma intervenção sem o resultado esperado, o paciente pode atentar contra a própria vida de fato”, destaca a cosmiatra.
Dominique chegou a flertar com as cirurgias: “Não com a plástica necessariamente, porque eu achava que a minha gordura era tanta que precisaria perder peso antes de fazer uma lipo. Daí veio a grande ideia de reduzir o estômago para emagrecer bastante e, posteriormente, fazer as lipoaspirações e cirurgias para remover o excesso de pele que ficaria”. No entanto, ela nunca chegou a procurar um médico para este fim.
Conhecer e Reconhecer
Apesar da repulsa com a própria imagem, valéria lembra que as pessoas que sofrem de distúrbios dismórfi cos costumam usar maquiagem pesada para disfarçar o que acham imperfeito, têm traços de depressão, quase não saem de casa e vivem se olhando no espelho. Oponente ou não, é justamente este objeto que nos lembra de nossa vaidade.
Segundo a médica, há uma linha muito tênue entre um paciente exigente e crítico e outro dismórfico. “Quando um paciente revela viver em função daquela queixa, limitar-se em relação a ela, deixar de fazer coisas pensando em como seria resolver aquele problema e quando ignora os riscos do procedimento médico e espera resultados milagrosos que vão mudar sua vida, isso deve chamar a atenção do médico que o atende”, orienta. Ela lembra que é mais fácil diagnosticar o problema quando o paciente fez uma série de correções anteriores, com médicos diferenciados, e continua a se queixar dos resultados, já que estudos mostram que 91% dos pacientes com este mal não se sentem felizes ao fim de uma plástica.
Por Otávio MercFonte: Revista Zero/ed.11
Adorei a matéria !!!
ResponderExcluirParabéns !!!
Mariana