terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Personalidades da gastronomia revivem ceias inesquecíveis

O Basilico conversou com chefs e personalidades da área gastronômica para saber qual a imagem inesquecível que eles têm das festas de final de ano, especialmente da ceia de Natal. E teve de tudo: homenagens a familiares, ceia em alto-mar, jantar nos Alpes, situações tragicômicas...


Emmanuel Bassoleil (chef executivo do restaurante Skye, no Hotel Unique)

Emmanuel Bassoleil“Até meus 15 anos, passei os Natais em casa, com meus pais. Depois disso, comecei a trabalhar e por causa da minha profissão acabei tendo que ficar longe da família em muitas festas, principalmente Natal e Ano Novo, que é quando a gente trabalha bastante. Meu final de ano inesquecível foi sem dúvida o de 1985, quando embarquei em um navio para dar a minha primeira volta ao mundo. Passei aqueles dias no Golfo do México, no Caribe, e foi um momento mágico. Estava na companhia de uma bela turma, com bons amigos, um ambiente diferente, em alto-mar, olhando as estrelas... O navio era menor do que os de hoje em dia, com 600 pessoas e serviço à la carte. A ceia tinha lagosta, caviar, o melhor do melhor... Mas a comida foi acessório, porque eu estava trabalhando e o que mais pude apreciar foi a boa companhia, o céu estrelado e a bebida. Foi um belo dia para aproveitar!”

Carole Crema (proprietária e chef do La Vie en Douce e chef executiva das redes Wraps e Go Fresh)

Carole Crema“Minha familia é de Sacramento (MG) e minha mãe tem dez irmãos. Durante muito tempo não tivemos Natais muito festivos, porque minha avó faleceu no dia 24 de dezembro. Há pouco mais de um mês faleceu meu tio Renato, dono da casa onde eu passei os Natais dos 15 anos, minha adolescência, até o ano passado. É muito bom poder falar disso, porque é uma homenagem a ele. Lá na casa dele era tudo muito bagunçado, bem informal, mas muito gostoso. A gente sempre comia linguicinha assada, lombo, arroz e tutu. Comida típica mineira mesmo. Tinha de vez em quando um peru para fazer graça. Lembro muito de ele deixar para a gente um monte de pote com castanha portuguesa, nozes, avelãs e um outro que tinha Sonho de Valsa. Não tinha troca de presente, nem nada disso. Depois da ceia, saíamos logo depois da meia-noite para dançar no baile da cidade. Este ano não vamos para Minas: passaremos aqui em São Paulo, em um núcleo familiar pequeno. Minha mãe vai fazer bacalhau, mas não vai ter nada muito tradicional. Natal tradicional não combina com a minha família.”


Charlô Whately (restaurateur do Bistrô e Buffet Charlô)

Charlô Whately“Minha história inesquecível de Natal aconteceu bem antes da ceia, mas rendeu boas risadas durante a comemoração. Teve um Natal bem engraçado de quando eu era pequeno. A gente tem casa lá na Barra do Sahy e, naquela época, chegar lá era bem complicado. Era dia 24 de dezembro e eu estava com meu pai e uma irmã indo para a nossa casa na praia passar as festas de final de ano. Depois de uma tempestade, uma das pontes de madeira quebrou. O resto da família - minha mãe e meus irmãos menores - estava esperando por nós, e a gente não ia conseguir chegar com os presentes para serem distribuídos no dia seguinte. Como naquele tempo não tinha celular, nem nada disso, ficamos superpreocupados achando que não iria dar para chegar a tempo. Ainda bem que avistamos um caiçara e conseguimos chamá-lo para ajudar na travessia. Fazia um calorão, com o sol a pino. Tiramos os presentes do carro e fomos colocando um a um dentro do barquinho dele. Um dos presentes era um jipinho de brinquedo e foi muito engraçado ver o barqueiro no jipinho, buzinando, todo animado. Se não fosse por ele, não sei o que teria acontecido. Chegamos a tempo e ficou a história para contar”.

Eliane Carvalho (proprietária e chef do restaurante Babette)

Eliane Carvalho“O Natal normalmente não é muito festivo, porque a gente acaba lembrando de alguém que já não está. Mas, quando minhas filhas gêmeas tinham sete anos, o meu marido decidiu se vestir de Papai Noel para animar o Natal. Ele se vestiu igualzinho, colocou barriga, saco nas costas e tudo mais. Eu tinha deixado tudo preparado, a mesa posta e uma mesinha com várias taças de vinho, champanhe etc para a hora da ceia. Quando ele passou pela porta, fazendo ho-ho-ho, o nosso poodle se assustou, grudou no pé dele e o Papai Noel derrubou todas as taças no chão! As meninas se divertiram muito com a cena e ninguém conseguia parar de dar risada. A gente ficou a noite inteira lembrando dele derrubando tudo por causa do cachorro. A história do Papai Noel desastrado rendeu e passamos uma noite muito feliz. Há muitos anos eu sou a responsável por fazer a comida da ceia de Natal da família, que acontece lá em Cuiabá (MT), onde nasci. Preparo tudo para umas 30 pessoas: entradas, leitão à pururuca, farofa de frutas secas, saladas e massa com molho branco para as crianças. Tudo muito simples, para agradar a todos. Só não faço o peru, que é o prato especialmente preparado pela minha mãe. Eu nem sei como fazer. Ela não cozinha muito, só umas dez receitas, mas essas poucas são excelentes”.

Juliana Bastos Delgado (proprietária e chef da Quitanda Gourmet)

Juliana Bastos Delgado

“A minha ceia inesquecível aconteceu em um Natal que passei na França, nos Alpes, numa estação de esqui muito pequena chamada Sainte Foy Tarentaise. Só estávamos eu e meu marido e os hóspedes em um bed & breakfast super charmoso e familiar, em uma casa toda de madeira, superconfortável. Nevava muito lá fora, e as crianças brincavam de fazer bonecos na neve. Parecia Natal de filme. Passamos a tarde na cozinha com a simpática dona do lugar e seu marido inglês. Foi uma curtição: todos os hóspedes ajudaram a fazer a ceia. A mesa estava linda, a comida deliciosa e o clima não podia ser mais aconchegante. Parecia um Natal em família, mas com amigos que tínhamos feito na cozinha, durante a tarde. Como é bom conhecer pessoas novas e diferentes. Na ceia tivemos terrine de foie gras com torradas de brioche de entrada, um peru com farofa de castanhas portuguesas como prato principal e uma mousse de chocolate de sobremesa. Para finalizar, o maravilhoso Mont D’Or daquela região: um queijo que só é feito no inverno, para comer de colher, com vinho de colheita tardia. Tudo isso acompanhado de vinhos nacionais (claro)!”

Nenhum comentário:

Postar um comentário