sábado, 7 de novembro de 2009

Profissão: esposa



Ainda tem homem que faz cara feia quando a mulher sai para trabalhar
Por Rosana F. • 08/10/2009

Ele é o homem da casa: trabalha duro para sustentar a família. Ela é a rainha do lar: fica em casa pregando botão e preparando o jantar. Se é de comum acordo, o que há de mal em se dedicar à casa e à família? Cada um no seu quadrado. O problema é quando a mulher quer ser independente e ganhar seu próprio dinheiro, mas o marido deixa claro que prefere que ela fique em casa. Você já ouviu a frase "mulher minha não trabalha"? Elas já.

Quem manda na relação? Faça o teste!

No começo, inebriada pela paixão, a administradora de empresas Vânia, de 30 anos, achou que cuidar da casa fosse uma decisão acertada - e temporária. Mas alguns anos depois, ela se deu conta de que não era bem assim: "Larguei meu trabalho porque meu marido recebeu uma proposta para morar fora do país. Conversamos e decidimos que eu iria com ele e tiraria férias prolongadas, já que o salário dele era alto e dava para nós dois", conta.

Vânia só foi perceber que o marido era machista de carteirinha quando pintou uma oportunidade e ele a desencorajou. "Foi aí que percebi que ele não queria que eu trabalhasse. Pior é que eu recusei a proposta porque estava gostando de ficar em casa. Nesse tempo todo, só trabalhei por poucos meses em uma função caseira em que podia resolver as coisas pelo computador. Aí engravidei do nosso primeiro filho e a possibilidade de trabalhar fora ficou cada vez mais distante". Ao engravidar do segundo bebê, conformou-se. "Meu marido gosta que eu fique em casa e não vou negar que curto poder acompanhar de perto o crescimento da nossa família. A única parte chata é ter que pedir dinheiro para tudo - até pra fazer a unha", revela a ex-administradora de empresas.

Ser dona de casa não estava nos meus planos. Queria ser independente, ter o meu próprio dinheiro e o poder de decisão sobre ele, mas não tenha nada disso

Marília tem 37 anos e está casada há oito. O marido dela acredita que o homem tem que sustentar a família e a mulher tem que cuidar da casa. "Eu sempre soube que ele não queria uma mulher que trabalhasse fora. Então, depois que casamos, saí do meu emprego", conta Marília, que era secretária executiva.

No começo, tudo era festa, vida nova, lua-de-mel. Com o tempo, viu que a sua vida não estava como ela sonhava. "Ser dona de casa não estava nos meus planos. Queria ser independente, ter o meu próprio dinheiro e o poder de decisão sobre ele, mas não tenho nada disso", lamenta ela, que vê um lado positivo de não trabalhar fora. "O bom é não ter horário fixo, não ter que acordar cedo e, principalmente, não ter que pegar ônibus cheio", enumera Marília, que se considera uma mulher feliz.

Independência ou...

Ele não queria, mas ela arranjou um emprego assim mesmo. Ela é Lúcia, tem 35 anos, três filhos e, para desgosto do marido, foi trabalhar em um restaurante. "Toda vez que eu saía de casa, ele fazia cara feia. Dizia que meu lugar era em casa, cuidando das crianças. Mas eu sempre soube que ele não queria que eu trabalhasse por puro ciúme", relata Lúcia, que acabou pedindo o divórcio. "Acredito que todo ser humano tem direito ao livre arbítrio. Durante anos cedi aos caprichos dele, mas chegou a um ponto em que não dava mais. O clima ficou pesado e achei que a separação era a melhor saída", conta ela que, passado o período de turbulências, agora é livre e independente.

Ele é a sua alma gêmea? Faça o teste!

Para a psicóloga Maria Helena Junqueira, o casamento é uma escolha de companheirismo e comum acordo. "A decisão sobre trabalhar fora ou não é da mulher, em conjunto com o marido. Cabe a ela decidir o que é melhor para si, sem que a vontade de outra pessoa, no caso a do marido, seja imposta a ela", afirma, acrescentando que o homem pode não gostar de batom vermelho, ou de vestido curto, mas isso não pode virar uma proibição.

"O problema é quando o não gostar torna-se um imperativo sobre a mulher, revelando problemas nas bases da relação", explica a psicóloga. Maria Helena Junqueira ressalta ainda que muitas mulheres optam por não trabalhar fora e acabam exercendo um papel fantástico dentro de casa e junto aos filhos. "Mas cabe a ela esta decisão, uma vez que a mulher não deve ser submissa ao marido, e sim companheira dele", finaliza.

Por Rosana F. • 08/10/2009

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