O dia 12 de junho os casais capricham no romantismo: floriculturas lotadas, bilhetes com recadinhos carinhosos e filas demoradíssimas nos motéis. Os que estão “avulsos” muitas vezes encontram uma festa de solteiros para tentar se descolar na última hora. E sempre tem a turma do “nem ligo para isso”, com o velho chavão do “antes só do que mal acompanhado”.
Acontece que, ultimamente, não é só na celebração do amor que está baseado o Dia dos Namorados. Há quem aproveite a data para protestar pelos direitos civis dos homossexuais. Ou quem ache que isso é só um processo de aculturação ocidental. Tem espaço até para os gondoleiros se revoltarem contra o trânsito dos canais de Veneza.
Mas vamos começar do princípio...
Origens
Você já deve ter percebido que só no Brasil o Dia dos Namorados é comemorado em junho. A razão disso foi uma jogada comercial adotada em 1949. João Dória, presidente da agência de publicidade Standard, propôs que a loja Exposição Clíper adaptasse o Valentine’s Day americano para dar um gás no mercado local. Os comerciantes sugeriram que a data fosse celebrada em junho, época em que as vendas eram baixas em São Paulo. O dia 12 foi eleito por ser véspera de Santo Antônio, o santo casamenteiro. Com o slogan “Não é só com beijos que se prova o amor”, a data pegou e segue até hoje.
Vários países, como Estados Unidos, França, Itália, Inglaterra, Austrália, Canadá e México, comemoram o Dia dos Namorados em 14 de fevereiro, o Dia de São Valentim. O que não faltam são lendas que rondam esse dia. A mais aceita diz de que Valentim era um sacerdote do século III no Império Romano, na época do imperador Cláudio II. O governante havia proibido o casamento entre os jovens, julgando que assim conseguiria formar um exército mais forte, que guerreasse sem ter que se preocupar com esposas e filhos. Valentim contrariou as ordens do imperador e continuou celebrando casamentos, até ser descoberto e condenado à morte. Na prisão, teria se apaixonado pela filha de seu carcereiro e, antes de morrer, teria escrito uma carta de amor assinada com “de seu namorado”. O sacerdote teria sido morto em 14 de fevereiro de 269 d.C..
Outra versão diz que a Igreja Católica incorporou a data para “cristianizar” as festas pagãs de Lupercalia, feitas em homenagem a Juno (deusa da mulher e do matrimônio) e Pã (deus da natureza). Na Roma Antiga, com o início oficial da primavera em fevereiro, os sacerdotes faziam sacrifícios de cabras em busca de fertilidade. Os rapazes usavam as tripas dos animais para bater na terra e nas garotas, na crença de que isso garantiria a fertilidade durante o ano que começava.
No final do dia, as jovens depositavam seu nome numa urna. Cada solteiro sorteava um nome, que indicaria quem seria sua namorada pelo ano. Acredita-se que muitos pares acabaram se casando.
Mobilizações
Nos últimos anos, o Dia dos Namorados tem sido pretexto para vários tipos de manifestações. Em São Francisco, nos Estados Unidos, as comunidades gays costumam se reunir na data para celebrar os direitos conquistados pelos homossexuais ou exigir que se aprovem novas leis nesse sentido. Na Arábia Saudita, já foi proibida a comemoração do Dia dos Namorados, sob o argumento de que se trata de uma data “pagã católica”, contrária aos preceitos islâmicos que regem o país. Os hindus também já se opuseram à data, dizendo que ela é uma má influência para a cultura tradicional da Índia.
Mas o protesto que provavelmente mais atrapalhou os planos de casais apaixonados aconteceu em Veneza, em 2004. Revoltados contra as leis de trânsito dos canais da cidade e o movimento de navios de grande porte pelas vias, os gondoleiros resolveram fazer uma greve na noite de 14 de fevereiro, impossibilitando um dos mais tradicionais passeios românticos do mundo. Os gondoleiros, porém, não conseguiram muitos resultados...
Por Fernanda Wendel
Nenhum comentário:
Postar um comentário