segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

O Córrego Prainha: lembranças de Cuiabá



Por Neila Barreto
Além de ficar a meia légua do rio Cuiabá e entre os afluentes deste, o Coxipó Mirim e o Coxipó Açu, a vila do Cuiabá foi edificada seguindo o arco do córrego depois chamado Prainha, um afluente menor do Cuiabá, hoje centro da cidade de Cuiabá.Em Cuiabá, com tantas águas pelas suas redondezas, tendo o morro do ouro localizado às margens do Prainha, nas minas do Sutil, os mineradores sentiam-se desolados, pois o morro do ouro localizava-se ao lado de um córrego de dois passos de largo, no entanto, não ajudava muito o Prainha, pois não fornecia água suficiente (...)Outros córregos como o atual Barbado e Mané Pinto, por estarem à época ainda mais distante dos limites edificados da vila e do porto, não têm representação. Mas fica evidente que a localização da vila e da cidade foi privilegiada por fios de água expressivos.O córrego Prainha permitia a entrada de pequenas embarcações até a Praça do Aracaty, atual Ipiranga, ladeada pelo córrego Cruz das Almas, soterrado nas proximidades da Avenida Generoso Ponce, onde às suas margens os homens vendiam os seus pescados à população: (...) o ribeirão Prainha, caudaloso na época, até o mercado abicavam as canoas que subiam o caudal e ali chegavam transportando peixes e o produto das hortaliças cultivadas nas chácaras vicinais do rio Cuiabá para o abastecimento da cidade (...).Informações encontradas em relatório de presidente de Província afirmam que: (...) No entanto, as notícias que se tem é que Cuiabá desde o ano de 1780, parte do suprimento de água potável à população era feita através do córrego Prainha. No entanto esse pequeno veio de água tinha seus problemas de seca no período da estiagem, o que dificultava ainda mais a falta d’água à população. Na Vila Real do Senhor Bom Jesus de Cuiabá, o córrego Prainha foi protagonista de inúmeros acontecimentos: Diariamente ia com algumas escravas, atravessando o quintal todo revolvido por antigas escavações auríferas dos anos pioneiros de Cuiabá, até o Córrego Prainha, ficando a brincar entre as pedras, nas águas límpidas de lambaris, enquanto as negras lavavam as roupas da casa em longas tábuas de aroeira.Esse pequeno córrego que nasce nas proximidades, hoje, do bairro Concil e corre rumo ao rio Cuiabá continua deslizando eternamente, no entanto, soterrado e contaminado, murmurando por entre os esgotos da cidade, perfazendo a sua caminhada na qualidade de mísero contribuinte do rio Cuiabá, que Francisco Mendes relembrou assim: Córrego Prainha, Como peregrino deixas de ser nas ferocíssimas paragens da terra (...) oásis de fartura, para constituíres relíquia desprezada, tão cheia de saudade do tempo, em que abrias o leito fértil de promessas e de anseios, de dádivas e de belezas.

Neila Barreto, é professora, jornalista, mestre em história

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