
Saudosa figura do folclore cuiabano, Zé Bolo Flô, que viveu em Cuiabá nos anos 60 e 70, foi compositor, poeta a músico de sucesso na sociedade cuiabana, tendo sua presença requisitada nos festejos religiosos e carnavais realizados nas ruas e praças da antiga Cuiabá. Assim como ele, outros nomes, como conta o poeta, escritor e compositor, Moisés Martins, secretário adjunto da Cultura de Cuiabá, tornaram-se ícones da história do carnaval cuiabano. Para Moisés, não há como falar do carnaval de Cuiabá sem citar também o folião Jejé de Oyá. “Sinônimo de carnaval cuiabano, Jejé é presença garantida até hoje nas festas do Momo”, destacou o secretário adjunto de Cultura, citando ainda Silva Freire, Edson Miranda e Zulmira Canavarros. De acordo com Martins, Zé Bolo Flô foi um poeta andarilho, pobre e negro, que tinha as ruas de Cuiabá como o seu lar. “Ele não tinha compromisso de escrever nada e de mostrar nada a ninguém. O único compromisso que tinha era simplesmente de viver”, relembrou. Os últimos dias de Zé Bolo Flô foram vividos no Hospital Adauto Botelho. Todavia, durante seu tratamento, Zé manteve sempre uma atitude otimista e de bem com a vida.O poeta mato-grossense recorda que em seu auge, nos anos 60, o carnaval de Cuiabá era visto como uma atividade cultural e um lazer para famílias. “Na época não existiam as escolas de samba que temos hoje e sim blocos carnavalescos, cordões e corsos, que eram o carnaval em cima de carro”, recorda.Segundo Moisés Martins desde aquela época as marchinhas de carnaval já faziam alusão ao cenário político. Como exemplo, ele cita uma marchinha feita especialmente para os puxa sacos de plantão dos partidos da época UDN e PSB. “O cordão do puxa saco cada vez aumenta mais”, destaca Moíses como uma marchinha isso eminentemente política, voltada para aqueles que tinham medo de perder o emprego e por isso puxavam o saco do chefe político.Derrocada CarnavalescaNa opinião de Moisés, o carnaval cuiabano só entrou em decadência, em meados dos anos 70, pelo fato dos carnavalescos da capital tentarem, mesmo sem condições financeiras, imitar o carnaval do eixo Rio/São Paulo, introduzindo as escola de samba. “É o que eu chamo de macaquice, tentar imitar uma coisa que não tem condições”, criticou Moisés, ressaltando que a modernização do carnaval com a introdução dos carros alegóricos, aumento de pessoal, produção das fantasias, dentre outros itens, está fora da realidade dos carnavalescos de Cuiabá.Para Moisés Martins é preciso fazer uma distinção entre carnavalesco e foliões. “Há uma linha divisória entre o carnavalesco e o folião. O carnavalesco é aquele que pesquisa e enxerga o carnaval com um olhar de arte, com um olhar do que está sendo elaborado. Já o folião só quer saber de festa e em muitos casos desconhece até mesmo o significado da palavra carnaval”, explicou. Carnaval Descentralizado“Com o intuito de levar o carnaval para mais perto da sociedade, a Secretaria Municipal de Cultura aposta na descentralização e diversidade do carnaval cuiabano”, informa o secretário adjunto. A expectativa é que durante os cinco dias de folia, a festividade reúna cerca de 100 mil pessoas diariamente em mais de 80 shows populares distribuídos em nove pontos da cidade. Dentre eles o Clube Feminino, Porto, Osmar Cabral, Tijucal, Planalto, Lixeira, Parque Cuiabá, CPA II, Distrito da Guia, Pedra 90.Luana Braga PnBOnline
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